quarta-feira, outubro 19, 2005

Dia de todos os Santos


Dia de Todos os Santos

No início do século VII, o Papa Bonifácio IV designou o dia 1 de Novembro como "O Dia de Todos os Santos".
No século X, a Igreja dedicou o dia 2 de Novembro às almas, em memória de todos os falecidos. A festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada em honra de todos os Santos e Mártires conhecidos ou não. A Igreja Católica Romana celebra a Festum omnium sanctorum a 1 de Novembro, seguido do dia dos fiéis defuntos a 2 de Novembro.
A Igreja Ortodoxa Oriental celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes que é o símbolo do Cenáculo, onde os Apóstolos e a Virgem Maria mãe de Jesus Cristo se reuniram, pela primeira vez, à espera do Espírito Santo, inspirador de todos os seus trabalhos desta Igreja.
No Cenáculo, desde a sua fundação a comunidade cristã aí se reúne, para ser conduzida pelo Sopro Inspirador, compartilhando o amor em Cristo. Então depois de Pentecostes, fecha assim a época litúrgica da Páscoa que já falei noutro artigo.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o dia dos finados é a 2 de Novembro e não o dia 1 de Novembro sendo então o dia 2 de Novembro o dia que foi estabelecido pela Igreja Católica Romana com o objectivo de enaltecer o culto dos mortos, mais precisamente dos que se encontram no Purgatório e que precisam de auxílio na caminhada até ao Paraíso.
Inicialmente, este ritual não se comemorava nos cemitérios. Só com o tempo é que a festa evoluiu e se fez acompanhar de velas e flores nas campas.
O culto dos mortos existe em quase todas as culturas do mundo, mas é vivido de forma diferente.
Em Portugal e noutros países da Europa, o Dia dos Finados é celebrado com tristeza e dor, uma vez que são recordadas pessoas queridas que já faleceram. No entanto, noutras regiões do globo, nomeadamente no México, este é um dia comemorado com alegria, uma vez que é considerado um dia de comunicação com os entes queridos que já partiram para uma nova vida.
Já para não falar do Halloween nos Estados Unidos da América. Todos nós já ouvimos falar de Halloween mas sabia que Halloween vem de Dia de Todos os Santos? Este diz-se em inglês All Hallows Day.
Como se sabe, a noite anterior a este dia é muito importante, por isso Halloween é uma abreviatura de All Hallows Even - "Noite de Todos os Santos" em que se acreditava que na Noite das Bruxas os fantasmas voltavam à Terra em busca de alimento e companhia para levarem para o outro mundo.
Assim, as pessoas pensavam que encontravam almas penadas se saíssem de casa nessa noite, por isso, para não serem reconhecidas pelos fantasmas, usavam máscaras quando saíam de casa, para serem confundidas com espíritos que andavam à solta a tentarem apanhar almas vivas e para manter os espíritos longe de casa, as pessoas colocavam tigelas de comida à porta para os satisfazer e os impedir de entrar.
Também para se proteger, carregam lanternas, porque a luz e os fantasmas não se dão muito bem... Uns são da noite e das trevas (escuridão e morte) e a luz significa a vida.
Entre nós em Portugal é tradição é bem diferente e não tão festiva pois nós só enfeitamos os cemitério usando flores e velas que são acendidas para iluminar os falecidos no caminho até ao Paraíso e em todas as igrejas são missas rezadas.

Henrique Tigo

segunda-feira, outubro 17, 2005

Turquia na Europa

A História da Entrada da Turquia na União Europeia

A Turquia foi aceite em 1997 como possível candidata à União Europeia (UE) e passou a candidata oficial em 1999. A Comissão Europeia recomendou que se iniciassem negociações de adesão e, em Dezembro de 1999, os chefes de estado europeus e os chefes de governo ratificaram a proposta para uma calendarização das negociações no sentido duma possível integração nos próximos 15 anos.
Num relatório apresentado à Comissão o Comissário Europeu, Gunter Verheugen, alemão, da linha da esquerda europeia, não vê obstáculo ao ingresso no que respeita ao cumprimento dos critérios democráticos e de justiça de Estado na Turquia.
Os partidos conservadores, advogam o estatuto de parceria privilegiada entre a Turquia e a UE conseguiram modificações no relatório, de maneira a possibilitarem a suspensão das negociações ao longo do processo.
O processo inovador iniciado na Turquia por Ataturk há 80 anos e que se tem mantido, deve-se à acção moderadora do aparelho militar, garante da herança de Ataturk, e aos interesses da OTAN na Turquia como membro estratégico nos tempos da guerra-fria.
A entrada da Turquia na UE tem um potencial de dez milhões de emigrantes para a Alemanha, no dizer de especialistas. A Turquia seria o país da Europa com mais habitantes.
A crença numa adaptação forçada da Turquia ignora a sua história. Enquanto que politicamente a Europa se compreende como uma sociedade secular de valores, sem religião de preferência, a sociedade turca compreende-se como uma sociedade islâmica sem separação entre religião e conduta de vida.
Existem varias resistências à entrada da Turquia na UE. A Europa quer provar que a Turquia está a caminho de mudanças: as últimas pesquisas mostram que mais de 50% dos europeus são contra a entrada da nação na UE.
Do ponto de vista europeu a Turquia tem de "se modernizar" em sectores como nos direitos humanos e tendo uma politica democrática e antes de entrar – o processo deve segundo estimativas, estão pronto daqui a dez anos e depois de muitos ajustes político-económicos.
Por isso, a tentativa da Áustria de barrar as negociações para o ingresso do país pode ser considerada apenas um "aperitivo" do que está por vir. O risco de fracasso é alto e a quantidade de barreiras a serem superadas, enorme. Os europeus, cada vez mais preocupados com a própria segurança social, acreditam que incluir um país grande e pobre como a Turquia pode ser oneroso demais para a União Europeia. Cabe à nação Turca reverter este quadro.
Contudo, a Turquia conta com Aliados importantes. Com a confusão política que se instalou na Alemanha após o indefinido resultado das eleições de 18 de Setembro, que deve levar à formação de uma "grande coalizão" entre SPD e CSU-CSU para governar o país, a Turquia corre o risco de perder um grande aliado – o chanceler federal Gerhard Schröder (SPD).
Políticos democratas cristãos da Alemanha, por outro lado, devem manter a pressão sobre a Turquia, defendendo uma "parceria privilegiada" com o país no lugar da adesão completa à UE.
Obviamente a União Europeia não teria aprovado as negociações se não tivesse interesses relacionados à Turquia. A parceria com o país, que vem dando passos em direcção à uma democracia aos moldes ocidentais, teria um papel-chave no reforço da estratégia de segurança da Europa.
Os Estados Unidos da América que naturalmente exercem considerável influência sobre a UE, estão entusiasmados com a entrada da Turquia na União Europeia o que seria, segundo a Casa Branca e o Presidente Bush, um passo importante "para a democratização do Oriente Médio".
Apesar de tudo isto ainda é muito cedo para a Turquia cantar vitória, uma vez que se prevê que as negociações ainda durem muitos anos.

Henrique Tigo

segunda-feira, agosto 29, 2005

5 de Outubro de 1910


A revolução do 5 de Outubro de 1910.


Nas vésperas do 5 de Outubro de 1910 Lisboa fervilhava. A greve dos operários corticeiros continuava a provocar a maior agitação e a imobilizar os comboios. Depois de ter feito paralisar cerca de 12 000 operários, terminaria a 3 de Outubro. No dia anterior, “O Portugal” apelava à rebelião contra o governo de Sua Majestade chefiado por Teixeira de Sousa que, contrariando a vontade do rei, tinha ousado encerrar a casa do Quelhas, onde a Companhia de Jesus tinha a sede do Provincial e onde eram editados o “Novo Mensageiro do Coração de Jesus” e o “Mensageiro de Maria”. Entretanto, a visita oficial do marechal Hermes da Fonseca, presidente da República do Brasil, proporcionava aos republicanos a oportunidade para incentivar os apelos ã revolta e para enaltecer os benefícios da República. Miguel Bombarda tombaria em 3 de Outubro.

Os preparativos da revolução foram coordenados pela Comissão de Resistência, criada em 14 de Junho numa assembleia realizada na sede do Grande Oriente Lusitano. Congregava elementos da Maçonaria, da Carbonária e do Partido Republicano: Miguel Bombarda, Cândido dos Reis, Simões Raposo, Cordeiro Júnior, Francisco Grandela, Machado Santos António Maria da Silva e Martins Cardoso. Para as operações contava, na componente civil, com a impetuosidade da Carbonária, enquanto nas Forças Armadas Sá Cardoso e Hélder Ribeiro, pelo exército, e Aragão e Melo pela marinha coordenavam as ligações com os inúmeros sargentos, praças e oficiais que simpatizavam com a revolução. Em 2 de Outubro, marcou-se a revolução para a madrugada do dia 4 de Outubro de 1910, no dia seguinte dia 5 de Outubro de 1910 a revolução republicana venceu e assim nasceu a República. Pela qual e a partir de 1910 ficamos a ser governados.

Proclamada a República, importava dar resposta às grandes questões que dilaceravam o país. Internamente, era urgente dirimir, em primeiro lugar, a questão religiosa, pelo peso que a Igreja detinha na sociedade portuguesa e pelo facto de constituir o centro de todas as movimentações contrárias à República. Mas importava disciplinar, também, a agitação operária.

Enquadrada por anarco-sindicalistas, que via na República a possibilidade de alcançar o resultado para as suas reivindicações. Impunha-se serenar a oligarquia económico-financeira, receosa de qualquer movimento revolucionário. No entanto, o Programa Republicano, aprovado em 1891, em consequência das querelas que nesse período tinham oposto o partido aos socialistas, pouco peso dava às questões económicas e sociais.

Com esta primeira república foi constituído um governo provisório e Joaquim Teófilo Braga foi o primeiro Presidente.

Foi publicada ainda a primeira Constituição em 1911 e só depois é que foi eleito o Dr. Manuel de Arriaga como o primeiro Presidente da República.

Então, o último rei de Portugal D. Manuel II que se viu obrigado a exilar-se em Inglaterra onde morreu em 1932. Contudo hoje em dia está sepultado na igreja de S. Vicente de Fora em Lisboa.

Henrique Tigo

Praxe Académica


PRAXE ACADÉMICA

Lá estamos nós novamente em Outubro, com o início do ano lectivo nas universidades, é tempo de tradição - as praxes académicas.

Todos nós já ouvimos falar sobre a Praxe Académica e todos temos uma ideia mais que não seja preconcebida sobre o que são as Praxes, para uns a Praxe é uma coisa negativa para outros uma coisa bastante positiva.

Mas o que é afinal a Praxe Académica?

A Praxe Académica é um conjunto de tradições geradas entre estudantes universitários e que já há séculos vêm a ser transmitidas de geração em geração. É um modus vivendi característico dos estudantes e que enriquece a cultura lusitana com tradições criadas e desenvolvidas pelos que nos antecederam no uso da Capa e Batina. Praxe Académica é cultura herdada que nos compete a nós preservar e transmitir às próximas gerações.

A palavra Praxe tem origem na palavra grega praxis que significa a prática das tradições, dos usos e costumes. A praxis está de tal modo inserida no nosso quotidiano que quando alguém procede de certa torna só porque era esperado, devido à mecânica dos comportamentos sociais de grupos, não é raro ouvir--se dizer: «Pois... já é da Praxe,,,»,

Ao contrario do que se possa pensar a praxe não é para fazer mal ao caloiro ou gozar com ele, mas sim a praxe serve para ajudar o caloiro ou recém-chegado a Universidade a integrar-se no ambiente universitário, a criar amizades e a desenvolver laços de sólida camaradagem. É através da Praxe que o estudante desenvolve um profundo amor e orgulho pela instituição que frequenta, a sua segunda casa.

A história da Praxe remonta ao século XIV, praticada na altura pêlos clérigos monásticos, mas o seu contexto mais conhecido aparece no século XVI sob o nome de "Investidas". A Praxe, na época, era na realidade bastante dura para com os caloiros, o que a levou a ser considerada "selvagem" peia opinião popular nos finais do século XIX.

A Praxe revestiu-se historicamente de diversas formas, sofreu inúmeras transformações e chegou mesmo a estar proibida e suspensa. Após o 25 de Abril de 1974 a Universidade deixou se ver vista como um lugar sagrando, destinado a muito poucos, e assim com a democratização da Universidade, voltasse a implantar a grande tradição da Praxe Académica.

E novamente contrariando o senso comum a Praxe Académica, não existe somente na Universidade de Coimbra e varia de Universidade em Universidade.
A Praxe Académica e o seu espírito não é apenas das festas e dos copos, ela também ajuda o indivíduo a preparar-se para a futura vida profissional. Através das várias «missões impossíveis» que o caloiro tem de desempenhar, este vai-se tornando cada vez mais desinibido, habituando-se a improvisar em situações para as quais não estava preparado.

Não se pode confundir Praxe Académica com as «pseudo-praxes», executadas apenas por indivíduos ignorantes na matéria. A Praxe não pode nunca ser sinónimo de humilhação ou de actos de violência barata levados a cabo por uns quantos frustrados que não sabem o que são as tradições académicas e só usam um traje para se pavonearem na esperança de serem notados. São indivíduos destes os responsáveis pelo actual estado moribundo da verdadeira Praxe Académica que tem vindo a dar lugar a ditaduras absurdas, um pouco por todo o lado, que partem de ignorantes que desejam que a Praxe seja aquilo que lhes apetecer.

A Praxe Académica é regida por uma hierarquia (ordem decrescente): Dux (aquele individuo que tem mais matriculas da Universidade), veterano, Doutor Veterano, Doutor, Prastrano, Caloiro (aquele que acabou de entrar), contendo as actividades realizadas sempre como base o Bom Senso.

A Praxe Académica e o uso da Capa e Batina representam humildade e o respeito pelos outros.

Todo o estudante da Universidade Lusófona é obrigado quando tem a capa pelos ombros, coloca-la de forma a que qualquer tipo de insígnia não esteja visível. As dobras efectuadas são pelo n.º de matrículas realizadas na secretaria da Universidade e uma dobra a mais com significado livre para o estudante. A capa quando traçada só se pode ver preto.

O traje masculino é constituído por: Batina preta sem ser de gala ou de grilo (com 3 botões em qualquer zona e lapelas acetinadas); Calça clássica preta, com 2 ou 3 pregas, sem dobra na bainha; Gravata preta e lisa ou laço preto; Colete preto masculino, acetinado e com fivela nas costas, tecido igual ao da batina, com dois bolsos e cinco botões (no caso de uso de laço não se usa colete); Camisa branca lisa com um bolso do lado esquerdo, sem motivos, sem folhos, sem botões nos colarinhos e com botões brancos; Sapatos pretos de atacadores (estilo clássico, sem apliques metálicos, não envernizados, com o numero impar de buracos em cada lado); Meias pretas; Capa preta lisa e de estilo académico; Cinto preto; o uso do gorro é opcional; o uso do relógio só de bolso.

O traje feminino é constituído por: Camisa branca lisa, com ou sem bolso, sem botões no colarinho; Casaca preta com dois bolsos com pala (não cintada, com 3 botões no punho e 3 botões à frente); Saia preta (travada, e até 3 dedos acima do joelho, racha na zona posterior); Gravata preta lisa; collans pretas (tipo vidro ou lycra – não opacas, não podendo usar ligas); Sapatos com salto até 3 cm, lisos sem fivelas ou apliques; Capa preta lisa e de estilo Académico.

A vida Académica do estudante é feita de momentos e de recordações, podendo ser retratadas pelos distintivos, insígnias, não devendo no entanto ser colocados os emblemas sem significado a nível académico ou pessoal para o estudante, pois estes emblemas não passam de acessórios que vão contra ao que o traje académico representa a nível académico (Aos elementos de Tunas Académicas é permitido o uso de outro tipo de acessórios).

O uso de Pin’s não deverá também ser exagerado, pois o traje faz parte de uma tradição académica centenária, por isso não deve conter acessórios supérfluos.
O Traje Académico deve ser usado com orgulho, mas nunca com arrogância ou vaidade, pois este simboliza a igualdade entre todos os estudantes.A Praxe Académica tem uma mecânica inerente que, ao ser desrespeitada, acaba por culminar em verdadeiros insultos à tradição.A Praxe é dura, mas é a Praxe.
DVRA PRAXIS SED PRAXIS!

Henrique Tigo

quinta-feira, julho 28, 2005

Elvis Presley


Mais um ano após o desaparecimento de Elvis Presley

Elvis Presley tinha 42 quando morreu, em 16 de Agosto de 1977, de doença cardíaca, em sua residência em Memphis. A casa chamasse Graceland, e ainda hoje atrai mais de 600 mil turistas por ano.

Graceland é o ponto principal de uma sequência anual de festas, encontros de fãs e cerimónias memoriais centradas no aniversário da morte do Rei. Os administradores do espólio de Elvis prevêem que durante esta semana Graceland receba até 4.000 visitantes por dia e que ainda mais pessoas façam compras em seu complexo de museus e lojas de suvenires.

Este ano não será diferente e entre as varias iniciativas que se realizam na Elvis Week em Graceland estará patente ao publico uma exposição internacional de pintura de tributo a Elvis Presley, esta será a 26º exposição, contudo desde à quatro anos que Portugal está presente com obras dos artistas plásticos e fãs de Elvis Presley Mestre H. Mourato e Henrique Tigo.

O ponto mais alto da semana será uma procissão à luz de velas que vai passar pelo túmulo de Elvis, situado num jardim da meditação ao lado de Graceland. Começando na noite do dia 15 e se estendendo até o dia seguinte, a procissão costuma atrair entre 15 mil e 20 mil fãs.

Agora ficam alguma curiosidades sobre Elvis Presley sabia que:

Elvis teve um irmão gémeo que morreu a nascença.
Elvis era extremamente tímido.
Que Elvis teve dois aviões, um de grande porte (Convair 880) e outro de menor porte (Jet Star), os aviões foram nomeados de "Lisa Marie", nome de sua filha e "Hound Dog II", respectivamente.
Que os seus restos mortais foram vitima de uma tentativa de roubo logo depois de sua morte, mas o FBI descobriu e impediu, sendo assim a família pediu para que seu corpo fosse enterrado em Graceland no Jardim da Meditação junto com sua mãe e logo depois iria acontecer com seu pai em
Que a 5 de Abril de 1936 a cidade de Tupelo foi devastada por um furacão, toda a cidade foi destruída e como por um milagre a casa de Elvis não foi ao chão.
Que o Rei do Rock ‘n’ Roll foi considerado a pessoa mais fotografada da história.
Finalmente saiba que Elvis odiava a alcunha de Rei do Rock ’n’ Roll.

quinta-feira, julho 14, 2005

Homenagem ao Mestre Agostinho da Silva


É com muito orgulho que escrevo esta homenagem ao Mestre Agostinho da Silva.

Tinha apenas 10 anos quando tive o privilégio de conviver e aprender com este Grande Senhor através do Clube de História da Escola Preparatória Fernão Lopes, sob a coordenação da Professora Margarida Santos Carvalho, a quem devo, aliás, muita da minha própria formação e paixão pela História.
Eu, André, Eduarda, Ana, Joana, Telmo, Mestre Agostinho da Silva e Marta na Escola Preparatória Fernão Lopes, em 1989

Mas, voltando ao Professor Agostinho da Silva:
No final do mês de Fevereiro de 1989, visitou a nossa Escola Preparatória para um colóquio sobre Direitos Humanos, o qual rapidamente se transformou num debate interminável onde nós, ainda crianças, ficámos cativadas pelo discurso, histórias e viagens daquele homem, pequeno na figura, mas gigante do intelecto. Após este evento ele ofereceu-se para ajudar pois, como disse: "Eu moro ali mesmo ao lado."

Passados uns dias apareceu na Escola carregado de livros para nos oferecer e, rapidamente, na prateleira da pequena biblioteca passou a existir um nome: "Os Livros do Professor Agostinho da Silva". Sei que ficou muito sensibilizado com aquela pequena homenagem e sempre que nos visitava, e eram muitas vezes, trazia sempre consigo mais livros escolhidos para quem tinha de 10 a 12 anos.

Outras vezes íamos nós a casa dele, na Rua Abarracamento de Peniche, conversar, aprender ou sonhar com aquele nosso novo Mestre, grande contador de histórias, as quais ainda hoje estão gravadas na minha memória e, claro, de lá trazíamos mais livros.
Hoje, passados quase 20 anos sobre esse primeiro encontro com o Mestre, já sou adulto, Artista-Plástico, além de formado em Geografia e, às vezes, penso nos dois anos passados naquela Escola com tal pedagogo e com o Clube de História.

Partilhei momentos deveras importantes para a minha formação, pois conversarmos com aquele "Monstro Sagrado" da cultura e do livre pensamento transformou-me e moldou-me. Hoje não tenho qualquer contacto com aquele grupo de "crianças", as "Crianças do Mestre", como carinhosamente a Professora Margarida nos alcunhou, pois crescemos, separámo-nos, fomos viver para locais diferentes, formámo-nos em áreas diversas. Infelizmente, alguns já partiram, mas tenho a certeza de que ficou em todos nós algo deste Mestre e do seu pensamento.

Um dia a Escola Preparatória acabou e eu passei para o secundário.
Contudo, como morava no Bairro Alto e costumava ir muito frequentemente ao Jardim Príncipe Real, ali encontrava anonimamente o Mestre, sempre disposto a falar com todos os seres humanos.
Talvez tenha sido pelos seus ensinamentos, por acaso, ou por termos um pouco de filósofos dentro de nós. As minhas cadeiras preferidas sempre foram a Filosofia e a História, as mesmas que me levaram a conhecer o Professor Agostinho da Silva naquele Clube de História.

Em 2002 fiz uma exposição de pintura comemorativa dos meus "10 anos de Carreira" como pintor, a qual se realizou na Sociedade da Língua Portuguesa, sob a epígrafe de "Evocando Vultos da Cultura Portuguesa". Como não poderia deixar de ser, lá estava um retrato do Professor Agostinho da Silva que, curiosamente, foi o primeiro a ser vendido para a colecção de outro grande amigo e escritor, Joaquim Evónio.

Quando estava a pensar sobre o que escrever, visitei mais uma vez o “site” da Associação Agostinho da Silva e lá encontrei o seguinte texto, que transcrevo:

* "Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."

* (Agostinho da Silva, in "Cartas a um jovem filósofo")

Henrique Tigo

quarta-feira, julho 13, 2005

Plano de Ordenamento do Território e Conservação da Natureza

Plano de Ordenamento do Território e Conservação da Natureza


Segundo a "Carta Europeia do Ordenamento do Território", o ordenamento do território é uma técnica administrativa e ainda uma política que se desenvolve duma forma interdisciplinar integrada, inclinada ao desenvolvimento equilibrado das regiões e à organização física do espaço segundo uma estratégia de conjunto.

O ordenamento assume, pois, função cada vez mais importante no processo global do ordenamento do território e, assim, é da capacidade física dos locais, das suas condicionantes e aptidões que depende grande parte das possibilidades de condução do processo de desenvolvimento sustentável.

Através do processo de ordenamento do território, temos a experiência e capacidade para assumir a coordenação e elaboração de análises e propostas de ordenamento biofísico e paisagístico para os Instrumentos de Gestão Territorial, nomeadamente para Planos Especiais, Sectoriais e Municipais.

Em vários Planos de Ordenamento efectua-se ainda a delimitação da Reserva Ecológica Nacional, pelo que também nessa área de trabalho se dispõe de capacidade técnica.

Temos de dar atenção redobrada a todos os processos de ordenamento do território e ainda ao quadro legal de política de ordenamento e de ambiente, para que os Planos elaborados sejam compatíveis com os princípios e normas aí definidos, facilitando a gestão e coordenação de objectivos territoriais.

Não podemos, contudo, falar do Plano de Ordenamento do Território sem falar de políticas integradas para o ambiente e o ordenamento do território, propondo-se, entre outras, uma política para o litoral, num quadro de gestão integrada das zonas costeiras, que visa prosseguir os seguintes objectivos:

A adopção de medidas de requalificação do litoral, com prioridade para as intervenções que visem a remoção dos factores que atentam contra a segurança de pessoas e bens ou contra valores ambientais essenciais em risco; A incentivação da requalificação ambiental das lagoas costeiras e de outras áreas degradadas e a regeneração de praias e sistemas dunares; O estabelecimento de um sistema permanente de monitorização das zonas costeiras, que permita identificar e caracterizar as alterações nelas verificadas; A promoção de uma nova dinâmica de gestão integrada, ordenamento, requalificação e valorização das zonas costeiras; A promoção de uma reforma dos regimes jurídicos aplicáveis ao litoral.

A visão estratégica da implementação da política do litoral implica dois níveis de intervenção.
O primeiro nível corresponde a uma tarefa de fundo que integra as acções associadas à definição de uma política para o litoral:

A elaboração de uma estratégia para a requalificação, ordenamento e gestão do litoral, que enquadre as directrizes da União Europeia relativas à gestão integrada das zonas costeiras e conduza a um programa de desenvolvimento integrado das faixas costeiras, de carácter intersectorial, em estreita articulação com a política das cidades, do turismo, da conservação da natureza, da agricultura, da floresta e dos espaços rústicos em geral;

A definição das necessárias alterações legislativas: a elaboração da lei de bases do litoral, o planeamento da orla costeira no âmbito da revisão dos instrumentos de gestão territorial, a reavaliação do conceito de faixa costeira, a redefinição das áreas de jurisdição das diferentes entidades públicas com competências na gestão da orla costeira, por exemplo das autoridades marítimo-portuárias, o que inclui, também, um novo modelo de gestão do domínio público marítimo. O segundo nível de intervenção corresponde à gestão do litoral, com especial destaque para a execução das medidas e acções previstas nos planos de ordenamento da orla costeira.

Com efeito, acha-se praticamente concluído o processo de elaboração dos planos de ordenamento da orla costeira para todo o litoral português. Neste momento, encontram-se em vigor sete desses instrumentos de planeamento - plano de ordenamento da orla costeira Caminha-Espinho, plano de ordenamento da orla costeira Ovar-Marinha Grande, plano de ordenamento da orla costeira Alcobaça-Mafra, plano de ordenamento da orla costeira Cidadela-São Julião da Barra, plano de ordenamento da orla costeira Sado-Sines, plano de ordenamento da orla costeira Sines-Burgau e plano de ordenamento da orla costeira Burgau-Vilamoura -, a que em breve acrescerão os planos de ordenamento da orla costeira Sintra-Sado e Vilamoura-Vila Real de Santo António, encerrando-se, assim, o ciclo do planeamento do litoral português.

São apontadas fundamentalmente quatro causas para o problema da erosão que podem intervir, isolada ou conjuntamente, e com importância relativa diversa: a elevação do nível do mar, a diminuição da quantidade de sedimentos fornecidos ao litoral, a degradação antropogénica das estruturas de protecção naturais e a realização de obras de engenharia costeira.

A diminuição de sedimentos fornecidos ao litoral é o resultado de intervenções nos recursos hídricos, quer no interior quer no litoral, designadamente aproveitamentos hidroeléctricos e hidroagrícolas, obras de regularização de cursos de água, explorações de inertes nos rios, estuários, dunas e praias, dragagens, obras portuárias e de protecção costeira. Este fenómeno, em conjugação com uma disfuncional e descoordenada ocupação urbanística da orla costeira e com a inerente destruição das defesas naturais do litoral, assume dimensões muito significativas e dá causa a situações preocupantes de construções em situação de risco. Nalguns troços de costa, a planície encontra-se praticamente desprotegida, sendo previsíveis galgamentos oceânicos de efeitos muito significativos se nada for feito para os travar.

Ora, é neste contexto que se justifica a adopção de um conjunto integrado de medidas que possibilite concretizar as propostas apresentadas nos mencionados planos especiais de ordenamento do território, de forma a minorar as consequências negativas e as situações de risco do fenómeno erosivo.

Acontece que estas medidas então directamente relacionadas com a CONSERVAÇÃO DA NATUREZA.

Com reconhecimento da beleza, do interesse científico e valor económico do mundo natural que tem vindo a exigir aos decisores a necessidade de conservar ou recuperar habitats e espécies de particular interesse, bem como legar, para as gerações futuras, ecossistemas ricos e diversificados.

Contudo, e devido à situação económica actual, esta tarefa é por vezes muito difícil de implementar na prática, exigindo o trabalho de técnicos capazes de compreender os valores dos ecossistemas e espécies a conservar, bem como do enquadramento social e económico desse processo, de forma a propor estratégias e acções participadas, exequíveis e monitorizáveis.

Tem pois de existir uma capacidade e empenho para processos que visem:

A gestão de áreas onde tenham de ser tomadas medidas para a conservação e utilização sustentável da diversidade biológica; A inventariação de recursos para a conservação dos ecossistemas, habitats e populações viáveis de espécies animais e vegetais; Analisar e propor normas de desenvolvimento sustentável em zonas adjacentes a áreas importantes para a conservação, reabilitação e restauração de ecossistemas degradados e promover a recuperação de espécies ameaçadas, mediante o desenvolvimento e a implementação de planos e instrumentos de gestão; Divulgar o património natural de acordo com as suas características, épocas apropriadas e capacidades de carga recreativas.

Para existir uma verdadeira conservação ambiental tem de haver estudos de impacto ambiental.
O Direito de Ambiente, sendo um Direito Comunitário, implica a sua adopção e transposição para o Direito Português; um dos casos mais importantes desse procedimento tem expressão nos Estudos de Impacte Ambiental (EIA).
Estes têm de ser elaborados para determinados empreendimentos a fim de se proceder à sua prévia avaliação ambiental e decisão do seu licenciamento, particularmente para projectos com importante relação com o uso do território e dos seus recursos, tais como:

Empreendimentos turísticos e urbanos; campos de golfe; áreas de recreio; vias de comunicação; pedreiras; investimentos agrícolas e florestais; planos de água.

A uma escala global, a não conservação da natureza pode mesmo ameaçar a segurança nacional. Existem diversos conflitos internacionais sobre a água, os solos e outros recursos naturais. Tais conflitos ambientais levam, muitas vezes, a migrações maciças de pessoas.

A atitude confiante da humanidade durante os anos 50 e 60, que afirmava que o Homem encontraria uma solução para todos os seus problemas, foi ultrapassada por uma nova humildade, que surgiu pelo reconhecimento de que a destruição do equilíbrio entre o Homem e a Natureza pode pôr em causa a sua própria sobrevivência.

A Conservação da natureza é indissociável do progresso e evolução da humanidade. É necessário reconhecer que as nossas acções devem ser conscientes do seu verdadeiro efeito na Natureza. Só assim se podem salvaguardar os frágeis sistemas de apoio à vida do nosso Planeta.

Conservar o que resta de ambientes naturais levou à adopção de medidas legislativas que passam pela defesa de animais e plantas em estado selvagem e/ou em vias de extinção, bem como pela definição de áreas de protecção especial que, de acordo com o seu grau de protecção, podem ser classificadas como áreas de paisagem protegida, parques naturais, reservas naturais, monumentos naturais e sítios de interesse ecológico, entre outros.

A conservação da natureza é pois uma necessidade, não um luxo. Nos anos mais recentes, o desaparecimento de espécies e de áreas naturais, consequência da actividade humana, tem ocorrido a uma velocidade sem precedentes. Não mencionando os problemas éticos, frequente e justificadamente referidos, a extinção adicional de mais uma espécie representa uma perda irreversível de códigos genéticos únicos, que estão muitas vezes ligados ao desenvolvimento de medicamentos, à produção de alimentos e a diversas actividades económicas.

Termino citando a Dr.ª Maria Carlos Reis:

(…) Preservar não é simplesmente um ideal romântico de almas bem intencionadas, é uma necessidade premente. Conheça algumas das razões que fazem com que o futuro da Humanidade dependa disso. (…)


Henrique Tigo

Sites visitados:
http://www.dgotdu.pt/DGOTDU/main.asp?IdTemas=2&IdSubTemas=6&idconteudos=718
http://www.amigosdomindelo.pt/agenda21/ot.htm
http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_22636_2_0001.htm
http://www.icn.pt/http://www.confagri.pt/Ambiente/AreasTematicas/ConsNatureza/TextoSintese/

quinta-feira, junho 16, 2005

A Reforma Agrária


Nesta ultima semana e com o desaparecimento físico de dois grandes vultos da politica nacional, General Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal, voltou-se a falar-se de assuntos e temas que estava guardados há alguns anos e que para as gerações mais novas não tem qualquer sentido.
Entre algumas delas estavam o PREC, a revolução de Abril e a Reforma Agrária.
Nesse sentido resolvi fazer este pequeno artigo onde tento de uma forma muito sussinta descrever o que é e foi a reforma agrária em Portugal.

O que é a Reforma Agrária?
De uma forma muito simplista podemos dizer que pretende designar modificações directas na estrutura agrária de uma determinada zona ou País.
Que conta com a repartição ou da propriedade ou até mesmo do rendimento Sócio-agrário.
A reforma agrária é uma intervenção que pode ter dois caracteres diferentes o Revolucionário e o estritamente legalista, que ao contrario do revolucionário é feito de uma forma ordeira e até pacifica.
Estes dois processos recorrem de formas diferentes mas para atingirem o mesmo objectivo: Modificar a repartição da propriedade de forma a suprimir a propriedade privada ou vice-versa, por outro lado pretende ainda modificar o regime de inquilinato rural de modo a reduzir os encargos dos rendeiros e seus parceiros.
Mas neste trabalho vamos só tratar do primeiro processo a reforma agrária por via revolucionaria visando dar a conhecer os laços de dependências das classes economicamente inferiores da sociedade rural em relação aos grupos superiores.
A reforma agrária intentam a anular ou reduzir os privilégios existentes em proveito das categorias mais débeis da população.

As Reformas agrárias: sua classificação
As reformas agrárias podem classificar-se tendo em conta os objectivos específicos em vista: Visam a repartição rústica de maneira a tornar mais igualitário a divisão da terra agrícola ou florestal, por outro lado visa a redistribuir não a terra mas o rendimento da mesma.
No primeiro caso corresponde à remodelação da estrutura agrária mediante a divisão das áreas de certos limites e constituições à custa de novas zonas de média ou pequena e assim dota-lás de condições a manutenção do agregado familiar.
No segundo caso não pretende criar novos proprietários mas alterar a distribuição do rendimento da terra. O que acontece por duas formas:
1ª - A colectividade chama a si a propriedade da terra com ou sem indemnização dos antigos proprietários promovendo a repartição do produto por intermédio de empresas cooperativas.
2º - Não atinge o regime vigente da propriedade na sua essência nem afecta basilarmente a orgânica e o funcionamento dos vários tipos de empresas mas impõe modificações às relações económicas que vigoram entre os factores de produção através de leis a favor desta ou daquela classe, que alteram assim a fórmula de repartição do rendimento social-agricola.

A reforma agrária em Portugal
Mesmo com uma enorme necessidade de enfrentar a crise da agricultura portuguesa transformando as estruturas agrárias existente só com o 25 de Abril de 1974 e apenas no sul do País houve uma reforma agrária na Chamada ZIRA – Zona de Intervenção da Reforma Agrária tendo os como principais distritos:
Beja, Évora, Portalegre e Setúbal ainda parte dos distritos de Castelo Branco e de Santarém dois concelhos do distrito de Lisboa e as algumas freguesias de Faro limítrofes do distrito de Beja, tudo somado correspondia a 41% da superfície total do Continente que é caracterizado pela sua homogeneidade económica, social e ecológica.
Com a revolução de Abril a luta contra o regime capitalista latifundiário daí decorrente. E com esta luta existe uma combinação de recursos para assegurar o desbravamento do cultivo das terras de pior qualidade com a agricultura por conta própria nos solos de qualidade através da força de trabalho paga a jorna que constituía o típico latifúndio que se queria acabar.
Mas devido aos avanços e recuos da ocupação de terras foi sendo invertido as transferências do poder politico dos que promoveram a Revolução dos Cravos para os que foram depois democraticamente eleitos levando a devolução dos terrenos expropriados ao seus antigos donos, pois aconteceu que os trabalhadores provaram ser incapazes quer produzir bens satisfatórios de competição nos mercados e com isto veio pôr em causa muitas das modificações ocorridas no PREC.
Contudo até hoje algo fico da reforma agrária em Portugal desta reivindicação, desta luta, desta acção que mais se reflectiu no Alentejo.
Fico para a nossa história e para a nossa cultura expressões riquíssimas de força revolucionária tais como:
“Avante com a Reforma Agrária”, “ A terra a quem a trabalha”, “trabalho dá pão, repressão não” entre muitas outras que ficaram como bandeiras da evocação do trabalho popular e da defesa dos direitos dos trabalhadores e da sua acção reivindicativa que nada mais que isto deixou de ser uma acção reivindicativa.



Henrique Tigo

terça-feira, junho 14, 2005

Álvaro Cunhal




No dia em que conheci Álvaro Cunhal



Quando tinha 16 anos entrei para a Juventude Socialista pela mão do então secretário-geral Eng.º António Guterres e pelo fundador do PS Dr. Raul Rego. Contudo, tinha e ainda hoje tenho vários amigos do Partido Comunista Português, entre os quais na estava na altura a minha primeira namorada a Rita. Um dia tentou convencer-me a ir a um almoço do PCP, na Amadora. Já não me lembro bem porque razão era esse almoço, mas lembro-me de lá estar e ver entrar o Álvaro Cunhal acompanhado por várias pessoas. De seguida fez um daqueles seus típicos discursos ao que se seguiu o tal almoço.
Lembro-me que havia uma mesa central onde ficou sentado o Álvaro Cunhal e a sua comitiva. Sentaram-se e foram servidos, enquanto nós o “povo” tinha de ir para uma fila para buscar a sua comida. Passado algum tempo que estar na fila, fiz um comentário do género:
- Afinal onde está a democracia disto? Enquanto uns comem os outros estão aqui nesta enorme fila e ainda por cima cheio de sede…
Lembro-me que estava quase encostado àquela mesa presidencial, onde estava o Álvaro Cunhal, e que logo após este meu comentário ouvi uma voz masculina a dizer:
- Oh! Camarada, que não seja por isso, beba aqui um copo connosco!
Olhei e vi uma pessoa que estava sentada ao pé do Álvaro Cunhal mas de quem já não me lembro de quem seria e respondi:
- Eu até bebia, pois estou cheio de sede, contudo não bebo vinho…
Então o Álvaro Cunhal riu-se e disse-me:
Então bebe do meu copo que é o único desta mesa que tem água!
Após isto convidou-me para me sentar ao pé dele. Não aceitei, pois não queria abandonar a minha namorada e os amigos que tinham ido connosco, mas bebi a água do mesmo copo que o Álvaro Cunhal.
Agradeci e continuei na fila para ir buscar a minha comida. Depois sentei-me e comi. Quando estava a acabar a refeição senti uma palmadinha nas costas. Era o Álvaro Cunhal.
Trazia na mão dois livros de capa vermelha e disse-me:
- Ainda bem que ainda existem jovens que refilam e gostei de te conhecer. Olha estes livros são para ti…
Levantei-me e deu-me os livros. Apertou-me a mão e depois de perguntar o meu nome, foi-se embora.
É uma história que me lembro com alguma regularidade e hoje, que este homem desapareceu achei por bem contá-la. Ainda hoje tenho os dois livros que contam a história do Partido Comunista Português.
Não sou comunista, mas admiro muito aquele homem que foi um anti-fascista, um verdadeiro político, escritor e pintor.
É pena, que estes grandes vultos, estejam a desaparecer. Portugal está cada vez mais pobre…

In: Comarca de Arganil Junho de 2005

quinta-feira, abril 21, 2005

Masturbação feminina


A Mulher e a Masturbação feminina...

No silêncio de cada quarto, ou noutro espaço igualmente acolhedor as mulheres partem numa viagem, solitária e misteriosa, à descoberta do prazer que os seus corpos lhes proporcionam. Sonhando com tudo aquilo que não podem, infelizmente, ter e sonhando em algo melhor do que já têm ou à procura de se conhecerem melhor e esperando assim melhorar a sua vida sexual.

Apesar dos tabus que sempre envolveram a masturbação feminina, o gesto é tão natural quanto saudável e em alguns casos até sensual.

A masturbação feminina é um momento misterioso. A mente envereda por uma viagem fantástica em que os fetiches mais inconfessáveis que ganham vida, numa mistura de imaginação e realidade.

Quem é que nunca sonhou estar deitada com um qualquer sex symbol de Cinema ou de televisão.

Ou nunca se imaginou em situações escaldantes que traduzem as mais íntimas fantasias sexuais?

Fiquem sabendo que, mesmo que não o confessem, raras são as mulheres (tal como os homens) que não o fazem. Nada tem de mal e é saudável, porque ajuda a mulher a conhecer melhor o seu corpo e, assim, saber como obter prazer numa relação a dois.

A masturbação é, sem dúvida, um dos métodos mais antigos de obter prazer. Ao ser concretizada individualmente, é uma forma de descobrir os mistérios profundos do corpo, suas reacções, sensibilidades e capacidades. Com este gesto a mulher percebe, com maior nitidez, quais os caminhos que lhe proporcionam mais prazer e o modo como deve tocar determinadas partes do corpo.

É também um modo de preparar-se para uma relação a dois. Além disso é mais uma técnica utilizada pelos casais para se divertirem na cama. Já imaginou ser masturbada pelo seu companheiro, até chegar ao orgasmo, e depois poder proporcionar-lhe os mais calorosos carinhos que o podem conduzir, a ele, a um momento único de êxtase sem penetração?

A predisposição para a masturbação surge em todas as faixas etárias. Pode iniciar-se ainda na infância, aumentar na adolescência, diminuir na vida adulta, durante um período sexual mais activo, e voltar a aumentar na velhice. No entanto, não se trata de uma regra científica. Tudo depende das necessidades individuais e das circunstâncias afectivo emocionais de cada pessoa.

O eterno tabu

A masturbação é um daqueles segredos inconfessáveis. Tudo porque sempre foi, e ainda é, considerada um tabu nas sociedades ocidentais. A associação da ideia a uma série de mitos foi inevitável.

O facto de se tratar de uma prática nociva à saúde foi uma teoria que se manteve durante muito tempo. Mas descansem mulheres. Gradualmente os equívocos foram desfeitos. A masturbação não provoca queda do cabelo, loucura, cegueira, surdez, aparecimento de espinhas no rosto, crescimento de pêlos nas mãos ou tão pouco aumenta o volume do peito.

A prática da masturbação feminina

Aqui mostro algumas técnicas de masturbação que podem levar algumas mulheres ao orgasmo:

Estimulação clítoriana com as mãos:

Massajando: coloque o clítoris entre o polegar e o indicador e gentilmente massaje-o. Pode começar devagar e ir aumentando gradualmente a velocidade e pressão conforme sua sensação de prazer.

Massagem circular: se está com pressa, essa pode ser a técnica recomendada. Utilize os dedos indicador e do meio de qualquer mão e coloque-os sobre o clítoris. Comece a massajar fazendo movimentos circulares alterando a velocidade e pressão ao seu gosto. Se deseja mudar um pouco a sensação, coloque um pouco de gel lubrificante nas pontas dos dedos.

Com a ponta do dedo: essa técnica é um pouco diferente e não funciona igualmente para todas a mulheres. Algumas poderão sentir prazer, quanto que outras nem por isso. Use os dedos de uma das mãos e puxe os lábios vaginais para trás, expondo o clítoris. Com a outra mão, comece a dar leves com a ponta do dedo indicador em cima do clítoris variando a velocidade.

Combinação: essa técnica combina a estimulação do clítoris com a penetração utilizando ambas as mãos. Com os dedos de uma das mãos, estimule o clítoris da maneira que mais lhe agradar. Com a outra mão, utilize um, dois ou três dedos e insira-os na vagina simulando uma penetração.

Estimulação utilizando água:

Atenção: não jogue jactos fortes de água directamente na vagina, pois pode ser potencialmente perigoso.

Na banheira: você irá precisar de uma banheira onde irá deitar-se e deixar a água do chuveiro ou da torneira cair sobre o clítoris. Comece com pouca água e vá aumentando a pressão conforme seu gosto. Não se esqueça de medir a temperatura da água antes.

Spray de água: uma variação da técnica acima. Apenas tampe parcialmente a torneira com um dos dedos fazendo com que o spray atinja o clítoris.

Chuveiro: uma outra variação para aquelas mulheres que não tem acesso a uma banheira. Utilize o chuveiro e concentre-o no clítoris.

Estimulação com vibradores:

Vibradores são óptimos para estimulação clitoriana, pois pode controlar a velocidade da vibração facilmente. A pressão aplicada com eles também é fundamental.

Também pode esfregá-los na parte de dentro de suas coxas, nos lábios vaginais e até mesmo em seus seios. A masturbação não precisa estar confinada apenas na área clitoriana.

Estimulação com outros acessórios:

Existem milhares de outros acessórios destinados totalmente ao prazer da mulher. A fantasia e a criatividade, aliados à segurança e à higiene podem fazer com que você tenha momentos de muito prazer sozinha ou acompanhada. Visite um "sex shop" para saber das novidades em acessórios.


Site visitado: http://www.guiasexual.com.br/artigos/masturbacaofeminina.htm

domingo, novembro 28, 2004

Fernando Valle


Tive a sorte e o privilégio de o conhecer pessoalmente, em casa de um amigo comum, o Professor Carlos Carranca. Nem queria acreditar que estava na presença de um dos maiores vultos portugueses, eu, um jovem que toda a vida tinha ouvido falar naquela lenda viva, nos seus feitos humanos, sociais e políticos… Timidamente tentei falar com ele e a minha surpresa foi enorme, pois encontrei naquele monumento vivo, um poço de simpatia com um discurso lúcido, num timbre de voz vigoroso, sem pausas nem cansaço.
Sentado ao seu lado, bebi todas as suas palavras sábias. Ele queria saber coisas da minha geração, perguntou-me a minha opinião e eu, lá fui respondendo e dialogando com este mestre com mais de 100 anos de existência e sabedoria.
Tivemos uma agradável conversa de mais de uma hora, à qual se seguiu um jantar e um agradável serão com Fados de Coimbra, pelas inconfundíveis vozes do Prof. Carlos Carranca, Dr. Almeida Santos e do Dr. Luís Góis. Já passavam das duas da manhã e sentado à minha frente estava o Dr. Valle, sem mostrar quaisquer sinais de cansaço ou sono, ao passo que nós, os mais jovens, já sentíamos o peso das pálpebras. Ele não; ele queria conversar e partilhar as suas opiniões de uma maneira mais viva e jovem que alguns de nós.
Voltei a estar com o Dr. Fernando Valle e cada vez que o fiz aprendi a admirar mais aquele homem de grande valor. Não podia deixar sempre que passava por Coja de ver sua casa com admiração, pois sabia que alí vivia um homem eterno.
No dia da sua partida estava a almoçar com um grupo de poetas e antigos militares e quando alguém disse que o Fernando Valle tinha desaparecido fez-se um silêncio, os semblantes tornaram-se tristes, e senti um aperto no coração e uma dor na Alma, pois tinha desaparecido mais um dos meus ídolos…
 Médico de profissão e lutador pela liberdade por convicção, foi um dos 27 fundadores do Partido Socialista em 1973, na Alemanha.
Um Maçom que sempre lutou por ideais nobres e generosos.
A sua grande força e a sua nobreza de carácter, aliadas às suas qualidades humanas e ao seu sentido de serviço aos outros, sempre se sobrepuseram aos seus interesses individuais.
O Dr. Fernando Valle ajudou a transformar este nosso País, num Portugal Livre e Democrático. Exerceu a profissão como Médico Municipal e Delegado de Saúde, foi demitido pelo Prof. Oliveira Salazar, mas continuou a tratar os pobres durante anos a fio.
São poucos os Portugueses que terão consciência do muito que se deve ao Dr. Fernando Valle, do exemplo de vida admirável e da sua determinada acção cívica e política a que nunca renunciou, nem mesmo depois de ter completado 100 ano. Depois da revolução dos cravos, recebeu inúmeras e merecidas honras, entre as quais a de presidente honorário do PS. Fernando Valle, nem o tempo nem os maus anos o conseguiram afastar da política e da causa humanitária que sempre seguiu.
Vai para sempre ficar gravada na minha memória aquela primeira vez que o conheci.
Dr. Fernando Valle, obrigado por tudo que fez por Portugal e por tudo que nos ensinou ao longo destes anos.
Um tríplice abraço fraterno, até sempre…

sexta-feira, novembro 05, 2004

Censura

Censura... de Ontem e de Hoje



A palavra censura é, por motivos históricos, de todos conhecida e, quando se fala nela não podemos deixar de sentir toda a sua imensa carga negativa. A censura foi desde sempre utilizada em todos os regimes ditatoriais, de esquerda ou de direita, e como Lenine disse: “A Liberdade de expressão é o bem mais precioso da humanidade, e por esse motivo há que ser racionada.”

Em todo o mundo e em pleno século XXI existem muitos lugares onde ela ainda vive e cada vez com mais força.

Em Portugal ninguém se esquece que existiu censura durante 48 anos com o Estado Novo ou regime Salazarista-Marcelista, e que os seus maiores impulsionadores eram os membros da PIDE - Polícia Internacional e de Defesa do Estado. A PIDE foi criada em 1945, pelo Decreto-Lei nº 35 046, de 22 de Outubro, e nos termos do preâmbulo deste diploma, a PIDE é concebida como "organismo autónomo da Polícia Judiciária", invocando-se para o efeito o modelo da Scotland Yard.

Colocada na dependência do Ministério do Interior, a PIDE dispunha de competência para proceder à instrução preparatória dos processos respeitantes a crimes contra a segurança do Estado para sugerir a aplicação das medidas de segurança e, enfim, para a definição do regime de prisão preventiva e liberdade provisória dos arguidos. Também lhe foi dada a faculdade de poder exercer censura sobre assuntos que “lesassem” o Estado.

Mas com a chegada do 25 de Abril de 1974 desapareceu a censura de Direita e acaba por nascer outra, desta vez de esquerda, exercida COPCON, mas durou pouco tempo.

Passados trinta anos do 25 de Abril de 1974 há quem acredite que a censura deveria existir, porque sem ela a sociedade e o povo não se educa.

Para essas pessoas há que censurar, programas de televisão, artigos de jornais e revistas, além de muitas outras coisas, alegando que temos de pensar nas famílias portuguesas. Não chega já não se estudar nas Escolas o que foi o Estado Novo e a PIDE?

Será que é melhor vivermos no país do faz de conta.? Fazer de conta que tudo é cor-de-rosa? Fazer de conta que os professores têm empregos? Fazer de conta que há educação para todos? Fazer de conta que temos direito à saúde e que as finanças e a economia estão boas? Fazer de contra que a gasolina e os transportes não estão caríssimos? Fazer de conta que este governo governa?... fazer de conta que faz de conta!

Há anos que vejo nos canais de televisão filmes a serem cortados. Não será isto uma forma de censura?

Durante anos fomos levados a crer que filmes de teor erótico ou pornográfico faziam mal. Ainda há pouco tempo foi censurado um canal privado “pago” que passava filmes pornográficos depois da meia-noite em nome da defesa das crianças. Curiosamente após o bloqueamento desse canal os crimes sexuais aumentaram. Não estaríamos melhor sem censura e deitando as crianças mais cedo na cama?

Os nossos pais e avós lutaram durante anos e anos para termos "liberdade de expressão"! Para quê? Para um governante que não foi eleito democraticamente queira recriar a Censura? Não Obrigado!

Ora, a liberdade de expressão é tão necessária como o ar que respiramos e a água que bebemos. Ninguém pode acabar com esse direito.

Devemos proteger os nossos direitos e protegermo-nos a nós mesmos. Temos de lutar e não ficar em silêncio.
Liberdade!
Sempre!

Henrique Tigo

sábado, setembro 25, 2004

Auto-retrato


Auto-Retrato

Alto, olhos castanhos, cabelo a condizer,
forte sem ser gordo, bem servido de pés.
Cara de felicidade, com barba
Nariz no meio, dos ocúlos;

Incapaz de estar parado,
Pintor, Escultor, Poema, Escritor e Geógrafo;
Devoto do Livre Pensamento.
Eis, Henrique Tigo em quem luz algum talento;
Saíram dele algumas boas pinturas,
Mas muitas verdades…

Poema de Henrique Tigo inspirado
pelo auto-retrato de Bocage

domingo, julho 25, 2004

Carlos Paredes

A Cultura Portuguesa está novamente de Luto

Um dia, era muito pequeno, estava na Brasileira o Chiado e o meu Pai disse-me: Olha, aquele senhor que está ali, é o Mestre Carlos Paredes!
Olhei e vi um homem magro com os cabelos aos caracóis por pentear, óculos, um cachecol cinzento, e gabardina creme. Estava ali sentado sozinho a beber um café, e o meu pai disse: Vamos lá ter com ele. Vou apresentar-te.
Chegámos ao pé dele e o meu pai cumprimento-o:

- “Viva, Mestre! Este é o meu filhote!...”. Ele levantou a cabeça e sorriu, dizendo:
-“ Oh! Mourato, não me chames Mestre que sabes que eu não gosto… Olá, rapaz, como te chamas?”
- “Eu, Henrique como o meu pai!”
- “E também vais ser pintor?”

Eu encolhi os ombros, como quem diz não sei. A conversa continuou durante uns minutos e, de repente, ele disse uma coisa que nunca irei esquecer.

- “Sabes, Mourato, vou dar mais um espectáculo, as pessoas parece que gostam de mim, não sei bem porquê, mas gostam e eu lá vou fazendo mais uns espectáculos.”

Eu deviria ter 4/5 anos e estava habituado a encontrar todo o tipo de vultos da cultura portuguesa, quer da música, cinema, teatro e artes plásticas, mas nunca conheci ninguém com aquela modéstia e simplicidade.
Um dia, já homem, comprei um CD do Mestre Carlos Paredes. Claro que já tinha ouvido músicas dele e lido sobre ele, mas aquele CD abriu-me os olhos: Durante duas ou três semanas só houve aquele som, aquela guitarra. Aquelas mãos estavam a falar comigo, a pintar um quadro, a fazer amor com os meus ouvidos.
E voltei a lembrar-me daquele homem que tinha conhecido havia mais de 15 anos com aquela modéstia de não saber por que as pessoas gostavam de o ouvir.
Obrigado, “Mestre” Carlos! por me fazeres sonhar cada vez que ouço a tua guitarra!
Até breve e sabes uma coisa? “Nós amamos-te”!  



sexta-feira, abril 23, 2004

25 de Abril de 1974 Absolutamente vazio

25 de Abril de 1974
Absolutamente vazio



Trinta anos após o dia mais bonito de Portugal, chegamos ao Absolutamente vazio, as novas gerações como a minha nascida após a revolução dos cravos nada sabe sobre este dia.
As gerações mais velhas acham que é brincadeira, mas eu infelizmente tenho de dizer que não!...
Vivemos num País absolutamente vazio onde o Governo quer tirar o R da revolução, qualquer dia querem tirar o L da Liberdade.
Onde na escola os livros de história não fala da Revolução dos Cravos, onde há pessoas que pensam que o Campo de concertação do Tarrafal era uma colónia de ferias, onde os PIDES aparecem em programas de televisão como verdadeiros patriotas e heróis.
Ainda ficam muitas admiradas as pessoas mais informadas sobre este assunto, como é que a juventude deste País não sabe nada sobre o 25 de Abril.
Nascido após o 25 de Abril de 1974, toda a minha vida cresci perto de pessoas que viveram de perto os horrores do Estado Novo e com eles sofreram, mas nunca deixaram de lutar e acreditar num Portugal melhor.
Tive sorte e não me passou ao lado o bichinho da revolução dos cravos que tantos países inspirou.
Cada vez é mais importante dizer as nossas gerações e as futuras o que foi o 25 de Abril, o que foi o Estado Novo, quem foi Salazar e a Pide.
Ainda mais que isso temos de relembrar, dos nosso heróis como Bento Gonçalves, Edmundo Pedro, Pintor Abílio Bello Marques, Brito “anarquista” entre tantos outros, pois eles infelizmente estão a desaparecer e pior com eles as sua histórias e acções par tornar este país livre e democrático.
Claro que existiram muitas coisas más aconteceram no pós 25 de Abril de 1974, mas a coisa mais maravilhosa foi o 25 de Abril, pois não foram os partidos políticos clandestinos que o fizeram foi o povo Português que saiu a rua farto de quase 50 anos de fascismo e da guerra colonial onde muitos morreram deixando assim muitas famílias desfeitas por uma guerra sem sentido e muitos voltaram de lá deficientes, ao quais o nosso País tantas vezes virou as costas.
O Povo Português o nosso Povo anónimo foi unido saiu a rua e fez o 25 de Abril e minha única pergunta é quando o nosso Povo volta a ser unido dessa maneira?...
Tivemos a revolução mais bonita da história do século XX onde quase não foram disparados quaisquer tiros os únicos como não poderia deixar ser foram pelos Pides que ainda mataram quatro pessoas.
Não vamos nem podemos esquecer a nossa história, esquecer a nossa história é esquecer a nossa identidade.
25 de Abril Sempre!!! Pela união dos Português.

Henrique Tigo
Sócio Efectivo da A25 de Abril

sábado, abril 03, 2004

Do sonho ao pesadelo

Do sonho ao pesadelo Americano!


A realidade norte-América ou, para eles, o sonho americano, visto ao nossos olhos, pode parecer um pouco estranha.
Se não, vejamos: Já em 1950, 70 milhões de norte-americanos viviam em zonas bastante urbanizadas, e até planeadas, numa área de 13 milhas quadradas.
Quarenta anos depois, em 1990, a população urbana e suburbana norte americana duplicou, mas a área ocupada por esta população quintuplicou.
A vida da maioria dos agricultores alterou-se devido à subida dos impostos e à pioria das condições de vida. Viram-se mesmo na obrigação, contra a sua vontade, de muitas vezes ter de vender terrenos agrícolas para poder cobrir as despesas, pagar os tais impostos e ainda sobreviver.

Durante uma viagem com Tom Spellmire, apercebemo-nos como é visível que as quintas e as zonas urbanizadas convivam de perto com relvados e casas de janelas pintadas que, durante meio século, significaram o sonho Americano e hoje, para alguns, representam o pesadelo – Neighbourhood.

O “Neighbourhood” Bairro parece ter vida própria, espécie de pequena cidade onde existem pequenos pólos com tudo o que uma urbe necessita de ter, como zonas de comércio e lazer, lojas, igreja, zona de habitação, escolas. Este bairro desenvolveu sinergias próprias que o relacionaram com outros bairros, com outras sinergias e pólos, formando assim grandes cidades e crescendo sempre, sempre nos limites suburbanos, existindo assim cada vez menos espaços de agricultura.

Começou a verificar-se um grande crescimento para os limites destes “Neighbourhood”bairros/cidades com a chegada de novos habitantes, criando necessidades constantes de instalação e, assim, um espaço antigamente útil deixa de ser atractivo, fechando deste modo o seu ciclo virtuoso e iniciando outro, desta feita vicioso.
Acontece que, inevitavelmente, com o envelhecimento da cidade, assim como dos seus pólos e infra-estruturas, o crime e outros problemas urbanos começam a crescer como uma praga e aí, então, o sonho dá origem ao pesadelo. Com tal falta de segurança e outros problemas sociais, muitos residentes desses bairros mudam – a história urbana norte-americana está cheia de exemplos desses, como o de Cincinati que, em 1950, era o município mais populoso a Oeste dos Apalaches e apenas uma década depois, em 1960, começou a perder população para os limites do seu distrito, ficando Cincinati uma zona “negra”. Em Hamilton aconteceu o mesmo e ainda existem muitos outros exemplos.

Este modelo de urbanização “Neighbourhood”, existente nos Estados Unidos, funcionou muitíssimo bem até à II Grande Guerra Mundial, mas após essa época sucedeu a especulação imobiliária e o crescimento, sem ordenamento/planeamento, deu origem a uma nova urbanização americana. Inicialmente, parecia que estes dois modelos eram semelhantes, contudo os inconvenientes sociais, económicos e até ambientais daí resultantes comprometem um desenvolvimento equilibrado e sustentável, dando origem a um crescimento desajustado e muito menos planeado.
Este novo tipo de urbanização está a crescer de maneira horrenda e quase exponencial, ocupando áreas rurais a uma média muito rápida - quase de 1,2 milhões de acres/ano. A floresta norte-americana está a desaparecer à média anual de 2 milhões de acres.
Tendo em conta todas estas situações, fica a minha questão:

Será que o sonho Americano é agora um pesadelo?!


Henrique Tigo

correio para:

henriquetigo@mixmail.com

segunda-feira, março 08, 2004

Geografia




Existem várias formas de fazer geografia.

Na geografia ainda não caiu o pó dos tempos, as dificuldades são inversamente proporcionais à distância temporal.

Na Geografia os geógrafos não são meros actores, nela temos um papel assumido embora por ela sejamos influenciados e influenciamo-la, e como protagonistas temos, e teremos diferentes opiniões sobre a geografia.

Também como geógrafos o mais importante é olharmos em frente, é pensarmos o futuro e pensarmos o espaço, o território.

Usando o território como objecto do nosso trabalho uma teoria geográfica do espaço com bases na interdisciplinaridade, a crença numa geografia como instrumento teórico e prático para a transformação do mundo.

Como geógrafos somos viajantes da geografia, passageiros de uma aventura que bordeja o compromisso, corre o risco do comprometimento e é, certamente, passional e envolvente.

A crescente artificialização do meio ambiente resulta assim na nova era da geografia, marcada pela presença de grandes objectos geográficos, idealizados e construídos pelo homem, articulados entre si em sistemas. Isto justifica, então, que as novas técnicas constituam um bom caminho para a explicação do espaço e, consequentemente que uma direcção epistemológica para a Geografia é pensá-la como uma Filosofia das técnicas, senão a mais importante.

Como a existência do Homem depende do Sol que é o pai da vida e da terra mãe (solo, mar, chuva...), no estudo da cada país far-se-á referência ao clima (quente, frio, temperado, húmido, seco), ao solo (montanhoso, plano; fértil, improdutivo), ao mar (país marítimo, interior) e à população que vive no território.

Também o planeta depende do geógrafo: será porventura ele que ajudará o planeta azul a encontrar o seu equilíbrio numa era tão conturbada como é aquela em que vivemos.

Depois deste trabalho fica a questão Geografia que futuro!?...

A geografia como qualquer outra ciência sofreu ao longo do tempo rupturas epistmológicas e tenho medo que a geografia neste virar de século sofra um revés...


Henrique Tigo

sábado, outubro 18, 2003

Isto de ser Português

Turismo e Cultura em Portugal

Isto de ser Português...


Quando Portugal se prepara para receber o Euro 2004, começamos a ver na televisão "avisos, pedidos, recomendações", e não sei mais que lhe chamar, para termos atenção com o nosso turismo e com os nossos turistas.

No passado dia 27 de Setembro comemorou-se em todo o mundo o Dia do Turismo, tendo este ano como mote: O Turismo - força motriz da luta contra a pobreza, da criação de emprego e da harmonia social.

Principalmente em Portugal, que se prepara para ser a "capital" do turismo em 2004.

Acontece que, no passado dia 1 de Outubro de 03, estando entre nós uma turista alemã, revolvemos ir dar uma volta por Lisboa e Sintra, a tentar mostrar o que de mais belo achámos que devíamos apresentar, começando pela cultura: fomos ao Museu do Teatro e do Traje.

Aí começou a tristeza. Os edifícios são lindos, mas o recheio deixa muito a desejar. No teatro, encontrámos uma pobreza que só visto, deixando de lado uma parte importante da nossa Cultura, a Revista à Portuguesa, que deveria ter uma secção própria; em vez disso está tudo ao molho e fé em Deus.

As legendas das peças ali expostas foram cortadas à tesoura, numa mistura de Cinema, Fado e Teatro, o que, para nós que somos Portugueses, já é estranho. Imaginem para os estrangeiros, já que grande parte das legendas está só em português

A iluminação mais parece a de um funeral.

Passemos agora ao Museu Nacional do Traje. Só me ocorre dizer duas palavras: "uma vergonha". Onde estão a nossa História e a nossa Cultura? Tivemos quatro Dinastias Monárquicas, que começaram em 1143, com D. Afonso Henriques, e terminaram em 1910, com D. Manuel II, 800 anos de história e de trajes que quase não são referidos. Em tempos, e devido aos Descobrimentos, fomos dos Países mais ricos do Mundo, e nessa altura tivemos trajes lindos, mas onde estão eles?

Temos ainda uma história popular maravilhosa com trajes muito característicos, alguns dos quais recordo, como as Sete saias da Nazaré, o Capote Alentejano, o traje do Ribatejo, já para não falarmos do Traje Académico, principalmente o de Coimbra, que é mais antigo de Portugal. Não encontrei nada...

Vi, isso sim, uma fotos velhas por serem mal tratadas, umas vitrines com objectos vagos e mal preservados, que mais pareciam saídos da lixeira municipal, principalmente os dos anos 50, 60 e 70.

Deste dois museus, a única coisa boa é o Jardim.

No dia seguinte, pensámos levá-la a "um jardim do paraíso terreal", ou seja, a Serra de Sintra. Região turística por excelência, Sintra é um dos locais mais aprazíveis e privilegiados existentes em Portugal. Da vasta Serra verdejante e rochosa, numa situação admirável de pitoresco e amplos panoramas, até ao litoral de imponente beleza marinha, Sintra é a "nobre villa cercada de muytas quintas, amenos bosques com muytas fontes de excelente água", a que se referem diversos autores antigos.

Como gostam de anunciar as agências turísticas e a Câmara Municipal, mas a realidade é outra. Não existem, nem Sintra, nem na Serra, um bom parque de estacionamento, nem transportes públicos em condições.

Quisemos visitar o Palácio da Pena, para o que temos de pagar uma pequena fortuna. Como faltava, contudo, só uma hora e meia para o encerramento, que é às 18h00, já não nos venderam o bilhete. Os Jardins, esses, não precisavam de ser pagos para serem visitados.

Resolvemos então visitar o Castelo dos Mouros, uma vez que tínhamos encontrado um lugar para estacionar o carro, mas cheio de buracos, em terra batida, com capacidade para apenas 20 automóveis.

Quando chegámos à bilheteira para comprar um bilhete ao preço de ouro em pó, principalmente para jovens estudantes que nem descontos têm, fomos recebidos por uma jovem que estava mais preocupada em falar ao telefone do que em atender-nos, uma vez que nem bem boas-tardes deu...

Lá entrámos, acompanhados pela maravilhosa vista e o ar puro que nos invade os pulmões como um remédio contra o stress do dia-a-dia.

Até chegarmos ao Castelo encontrámos uma floresta virgem e abandonada, no meio a casa com um telhado, para não dizer mais, no mínimo futurista, uns caminhos pelo menos do tempo do Estado Novo, umas vedações de madeira partidas e há muito tempo esquecidas, que não proporcionam qualquer tipo de segurança. Até uns poços onde se guardavam alimentos estavam com a protecção destruída. Um monumento como uma igreja praticamente desfeita evidenciava que, com as próximas chuvas, poderá perder a porta principal.

Finalmente, lá chegámos ao Castelo. Mesmo aí, à porta, em frente ao segurança, uma ninhada de gatos recém-nascidos abandonados, o que nos fez perguntar onde andam as protectoras dos animais, mas isso já é outro assunto...

Bem em volta, as muralhas do castelo, construídas originalmente no século VIII, acompanham os contornos da serra, em contorções praticamente inacreditáveis. A fortificação muçulmana perdeu a sua importância estratégica quando foi conquistada por Dom Afonso Henriques, juntamente com Lisboa, em 1147, e das suas torres e caminhos de ronda avista se um panorama ímpar. Aí encontrámos um mato serrado, descuidado e um verdadeiro rastilho de pólvora para um incêndio; dentro do Castelo, o abandono ainda é maior, o lixo, o mato, o descuido, faz-me perguntar para onde vai o dinheiro que paguei para aqui entrar. Só mesmo pela paisagem linda e maravilhosa.

Depois disto tudo, ficou em mim a tristeza e a preocupação de ser Português, uma vez que tenho de pagar os meus impostos, tenho de pagar para ver o que é património nacional, com o que até concordo se as coisas estiverem bem tratadas e cuidadas, o que não é o caso.

Gostava de saber se é assim que Portugal, para o ano, quer receber os milhares de turistas que estão planeados!!!

Henrique Tigo


quarta-feira, setembro 24, 2003


É sempre difícil comentar a obra dum artista no início da carreira. Geralmente o jovem pintor anda à procura da sua via e de maneira muito versátil experimenta diversos caminhos sem aprofundar nenhuma deles, até encontrar o tipo de expressão onde se sente bem, mas as vezes leva longos anos.
Em paralelo trabalha as técnicas que melhoram com a experiência mas no seu percurso cria obras muitas vezes com alguns desequilíbrios por falta da integração harmonia delas (alias nunca ouvi falar dum escritor que realizou a primeira vez uma obra prima: porque seria diferente com um artista, o pincel substitui a caneta).

No caso do Henrique Tigo fiquei logo muito admirado, bem sei que tem pai Pintor (Bom) e que deve ajudar (mas o talento não é hereditário). Desde o início o Henrique Tigo teve uma personalidade muito independente.
Para já demonstrou uma vitalidade fora do comum: é só ver o curriculum vitae do homem em 10 anos ( dá para duvidar que o dia só tenha 24 horas).
Depois logo no primeiro quadro que fez (Homenagem a Catarina de 1992) já arranjou uma técnica própria afastada dos Mestres.
Já andava no próprio caminho: formas simplificadas que sugerem mais que definem cores básicas fortes que transmitem uma grande luminosidade aos trabalhos. O movimento é sempre presente através dos contornos seguros e puros sublinhando as formas e figuras, o que sempre anima o espectador e tira qualquer lassidão na visão das obras.

Com os anos pode-se ver a técnica progredir mas a simbologia do início continua igual. Afinal trata-se duma pintura alegre que transmite muito bem a boa disposição geral do artista (não é de deprezar em períodos de crise onde as pessoas estão tristonhas).
Aposto que daqui a uns anos, se continuar neste caminho, o Henrique Tigo deverá tornar-se um pintor bastante procurado.
Com a sua vitalidade não duvido que irão aparecer oportunidades favoráveis que ele próprio irá criar se não aparecer em naturalmente.

J.P. Blanchon

quarta-feira, setembro 17, 2003

Arte Postal

Todos os dias me perguntam:

Mas afinal o que é arte postal?



Quando Van Gogh enviava, em 1884, suas cartas desenhadas para seu irmão Theo, iniciava já naquela época o que se tornou num movimento artístico de grande importância mundial por ser um meio de comunicação entre os povos e raças...
A 16 de fevereiro de 1916 Marcel Duchamp envia aos seus vizinhos, o casal Arensberg, um cartão-postal que era uma montagem com pedaços de quatro outros cartões. Está criada uma nova forma de expressão artística: a mail art, que tem desdobramentos recentes na rubber art (arte carimbo) e stamp art (arte selo).

Na mail art, através de desenhos, colagens, pinturas, fotografias, e sem a preocupação de concurso, selecção ou currículo, sente-se apenas o delicioso sabor da comunicação através da Arte. Esses encontros foram iniciados em 1962, quando Ray Johnson criou a New York Correspondence School of Art, possibilitando uma maior aproximação intelectual e sem fins lucrativos.Esse é o objectivo da Arte Postal: tocar as pessoas para esse grande encontro interno, pois no momento de criação redescobrimo-nos a cada instante.
Os integrantes do Grupo Fluxus são os primeiros a fazer uso sistemático do cartão-postal com intenções artísticas. Nos anos 1970, o Colectivo de Arte Sociológica passa a usar o correio como canal artístico e realiza em 1975, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, uma exposição internacional de arte carimbo. A arte postal serviu para aumentar a circulação das obras de
arte em todo o mundo, permitindo aos artistas que viviam em pequenas cidades, inclusive nos países socialistas, participassem de mostras nacionais e internacionais, além de reunir criadores de várias áreas, acabando com a compartimentação artística. Já em 1973 Christian Rigal realizara o 1º Festival Internacional do Arte Postal de Vanguarda, somando oitenta exposições diferentes realizadas simultaneamente na França, Alemanha, Itália, Estados Unidos e Japão, envolvendo cerca de 1. 500 obras de 300 artistas.
A Arte Postal (Mail Art Call) neste momento, tem três palavras que servem de chave: distribuição, criatividade, pluralidade. O circuito é interminável, tanto quantas as caixas postais, no mínimo. Nada a ver, portanto, com o espaço bi-unívoco da galeria de arte. Desde que exista um selo e um tema basta para se fazer uma exposição de arte.
Cada objecto de Arte Postal transposto para o espaço fechado de uma galeria tende a morrer em algum dos seus pontos: deixa de reproduzir, apenas se mostra. Na verdade, e à maneira de um electrão numa câmara de nevoeiro, o que está em causa na Arte Postal é o desenvolvimento de uma geografia, um espaço que se multiplique em linhas de força: fluxos e mais fluxos. É que a
Arte Postal faz-se sobretudo em trânsito, de dentro para fora e de fora para dentro. Ao menos põe em evidência todo o sistema pela sua negativa. Fazer uma exposição de Arte Postal é deter a máquina, porque avalia aquilo e o outro que esta possui de essencial, e isso como forma de lhe evidenciar os mecanismos.
Expor Arte Postal no sentido em que se expõe quadros ou esculturas é inviabilizar um ponto fixo do espaço e no tempo a sua reprodução, facto momentâneo mas básico, de modo a que tudo permaneça na mesma, isto é, a avaria constitui a condição
necessária ao funcionamento de todo o mecanismo. Na Arte postal, somente, emissores em primeiro e segundo grau se encontram implicados. Quem recebe também emite, utilizando a mesma via - o correio, e segundo as modalidades de uma mesma
forma - a arte. Um nome e uma morada são elementos ínfimos, moléculas, que se organizam caoticamente numa rede sempre alargada.