quarta-feira, julho 11, 2007

Buracos na estrada


Buracos com um bocadinho de estrada

Desde de que me conheço por gente que sei que Portugal é um país de buracos nas estradas. Mas tenho trinta anos, Portugal entrou para a Comunidade Europeia, eu cresci, conheci outros mundos outras realidades e deparei-me com os carros “estrangeiros” devem ser menos pesados, ou alguma razão estranha fazem menos buracos na estrada do que os nossos carros.
Até tenho o caso do Canadá, onde de manhã uma pessoa, sai de casa para ir trabalhar e encontra um buraco na estrada e quando volta depois de um dia de trabalho árduo, dito mesmo buraco já foi tapado. (mais isto é um Pais)
Também é verdade que por cá as coisas foram melhorando, embora o critério não seja uniforme.
As auto-estradas vão chegando, (já chegam ao Algarve, mas os desgraçados dos Alentejanos foram esquecidos para variar), embora com atraso, a quase todos os cantos do país. Mas a auto-estrada para o Norte, encontrasse a anos e anos em obras, e só temos duas faixas de rodagem, chegando, ao ridículo de só existir uma, mas nós pagamos como se estivesse tudo a funcionar normalmente, só podemos andar a 80 km/h numa via onde pagamos para irmos até os 120 km/h.
Hoje temos acidentes, atrás de acidentes, sendo dos países da Europa com mais acidente, e eu continuo sem perceber pois, temos cada vez mais GNR, nas estradas, temos inspecções aos automóveis, temos de usar pneus, assim e assados, os exames de código e condução estão cada vez mais difíceis, há mais fiscalização a todos os sentidos, temos uma frota automóvel mais nova, etc…
Mas continua a morrer gente nas estrada por causa dos buracos e nesses ninguém fala…
Vamos imaginar que um carro utilitário igual a milhares de carros que existem, caí num buraco, que nos surge à frente de uma forma inesperada, felizmente não ferimos ninguém, mas ficamos com um pneu furado e uma jante danificada, e como sabem um pneu furado implica a compra de dois… Assim o arranjo do Carro ficará em 500 euros, este é um episódio comum em muitas cidades e para muitos cidadãos.
E infelizmente na grande maioria dos casos termina aqui, as pessoas pagam o arranjo e pronto. Mas eu estou farto de pensar, se eu não cumprir as regras de condução tenho de pagar, tenho de pagar os meus impostos que vão para o arranjo das estradas, etc, então quem é o responsável pelos arranjos desta viatura?
Numa leitura atenta aos artigos 7.º, 8.º e 9.º do Código da Estrada (CE) permite perceber como é feita a divisão de responsabilidades em termos de "gestão", fiscalização" e "sinalização" das estradas públicas. A conclusão que se retira do artigo 7.º é que terão de ser as câmaras municipais ou o actual Instituto das Estradas de Portugal (IEP) a responder pelo que se passe "nas vias sob sua jurisdição".
Mais acrescenta a alínea do mesmo artigo que "nas auto-estradas e outras vias objecto de concessão de construção e exploração, a sinalização compete à entidade concessionária respectiva, devendo, no entanto, ser objecto de aprovação da Direcção-Geral de Viação (DGV).
E se o buraco, ou uma tampa de esgoto não identificada, se encontrasse na fronteira entre uma estrada camarária e outra nacional (pertencente ao IEP)? O artigo 9.º da CE esclarece: "Nos locais de intersecção das vias públicas sob gestão de entidades diferentes e na falta de acordo entre elas, o ordenamento do trânsito compete à DGV." Por outras palavras, em caso de dúvida, terá de ser a DGV a decidir a quem pertence o buraco...
Querendo apurar, por nós próprio, a entidade a quem pertence a estrada, deveremos consultar o Plano Rodoviário Nacional (PRN), com publicação no Diário da República, através do qual verá a quem serve o sapatinho da responsabilidade. Por outro lado, se o infortúnio ocorrer numa auto-estrada ou numa ponte, terá de procurar ver qual a empresa concessionária.
Ou seja é tudo tão complicado que as pessoas desistem a meio, pois o tempo que perdem, a energia e o dinheiro, não justificam, ou seja quando somos nós os culpados temos de pagar e “todos” sabem quem somos e onde moramos, mas os “buracos” não da terra de ninguém…
Mas as coisas não devem ser assim, a culpa não deve é morrer solteira, por isso aconselho com o apoio do site da Automotor, os seis passos que devemos dar, caso nos aconteça alguma coisa ao carro devido aos buracos da estrada, assim os seis passos indispensáveis para reclamar da sua justiça, são:
Se Danificar o automóvel. É o passo mais fácil. Dadas as condições de grande parte das estradas camarárias e nacionais, o mais provável é que todos nós, mortais automobilistas, nos confrontemos alguma vez na vida com uma situação destas. Não tem nada que saber.
1º Arranjar testemunhas. Não é a tarefa mais simples do problema, já que, por muito que os presentes no local gostem de opinar, poucos serão aqueles que aceitarão ser testemunhas e corroborar a sua versão. Insista, porém, porque se trata de um passo fundamental. Em último caso, chame a polícia para dar conta da ocorrência. Os agentes tudo farão para evitar comparecer – se não houver feridos. Mas se o exigir, estes não poderão evitá-lo. Não saia do local sem nenhuma testemunha.
2º Provas materiais. Arranje, se possível, algo de palpável que possa juntar posteriormente ao processo. É raro transportamos, diariamente, uma máquina fotográfica (a sorte é que já há telemóveis com maquinas fotográficas). Mas se tiver oportunidade, não deixe de guardar a recordação em papel, não só do estrago que o buraco, ou outro obstáculo, provocou em danos ao seu automóvel, como também do próprio protagonista da "agressão". Não falhe este passo, nem que tenha que se deslocar mais tarde ao local do "crime".
3º Pedir a conta. Que é como quem diz, pedir o orçamento. É fundamental quantificar os danos materiais provocados pelo buraco. Para isso, recorra ao seu mecânico habitual. E não faça caso se a entidade responsável lhe disser que apenas paga com base nos orçamentos de alguma oficina própria. Só tem de arranjar o seu automóvel no mecânico do costume. Já basta de prejuízos e incómodos.
4º Pedir indemnização. É endereçar a conta a quem de direito. Passar para escrito tudo o que se passou, juntar as provas, testemunhas e orçamentos, dando seguimento ao processo. Não é o passo mais fácil. É por aqui que muitos queixosos desistem. Não o faça. Apure os responsáveis: se for uma estrada camarária, acuse a câmara; se for secundária, reclame com o IEP; se for uma auto-estrada, exija o dinheiro à concessão (à Brisa ou à Auto-Estradas do Oeste); e, se for nas pontes, veja a quem pertence a concessão. Se tiver dúvidas de quem é a jurisdição, recorra ao DR para ver o PRN. Está tudo lá.
Saiba ainda que a indemnização não se limita aos danos visíveis da viatura, mas também aos morais, e outros, como os gastos derivados pela paralisação da viatura. Faça os cálculos.
Aqueles casos que forem para tribunal, e em que a pessoa em questão não tiver condições financeiras, poderá requerer sempre o apoio judiciário na segurança social. Já agora, não se esqueça de fazer a reclamação em carta registada e com aviso de recepção.
5º Falar com seguradora? Poderá parecer um passo descontextualizado, mas é uma questão que se colocará a quase todos os envolvidos num problema desta natureza.
Tenha presente que se tiver um seguro contra danos próprios - caso contrário a questão não se coloca, a entidade responsável terá de pagar a indemnização, caso perca, à sua seguradora, e não a si, uma vez que foi ela que arcou com as despesas inicialmente. No fundo, passará a ser um caso entre a sua companhia e a entidade detentora da via pública. Um caso a ponderar, individual e serenamente.
6º Não desespere. Parta do princípio de que os responsáveis tudo farão para que a reclamação morra por si mesma ou para que desista. Não lhes faça a vontade. Encha-se da paciência inabalável de “Jó” e espere o que for preciso.
Até ter uma resposta, ainda que seja negativa, da entidade acusada, deverá demorar, em média, cerca de três meses.
Há casos em que dura mais e outros em que demora menos. Mas retenha este período como o mais provável, se tudo estiver a correr a preceito. Mas, por mais que estes protelem a questão, em circunstância alguma deixe passar mais do que três anos até obter uma resposta, pois aí cairá no âmbito do direito cível, e perderá o caso, já que este prescreverá.
Cada vez menos devemos baixar os braços e devemos reclamar os nossos direitos, e saber onde estão a ser aplicados, os nossos impostos, pois infelizmente temos em Portugal, buracos com bocadinhos de estranha o que é uma vergonha nacional e internacional é esta a imagem que queremos passar aos estrangeiros, que nos visitam, tanta coisa com o ALLGARVE e depois as estradas para lá chegar é um buraco só!...


Henrique Tigo
Geógrafo

Azeite


O Azeite (1ª Parte)


São necessárias de 1300 a 2000 mil azeitonas para produzir 250 mililitros de azeite. O azeite de oliva deve ser produzido somente a partir de azeitonas e não podem ser denominados desta forma óleos extraídos por solventes ou reesterificação, nem misturas com outros tipos de óleo.
Na actualidade, os métodos tradicionais de processamento da azeitona deram lugar a processos modernos de extracção, utilizando variação de pressão e temperatura. Com isso, o método tradicional de prensagem a frio quase não existe mais e classifica-se o azeite segundo seu processo de produção da seguinte forma:
Azeite de oliva refinado, produzido pela refinação do azeite virgem, que apresenta alta acidez e incidência de defeitos a serem eliminados na refinação. Pode ser misturado com o azeite virgem.
Azeite de oliveira virgem, obtido por processos mecânicos. Dependendo da acidez do produto obtido, este azeite pode ser classificado como sendo do tipo extra, virgem ou comum. O azeite virgem apresenta acidez máxima de 2%.
Azeite extra virgem. O azeite não pode passar de 0,8% de acidez (em acido oleico) e nem apresentar defeitos. O órgão que os regulamenta e define quais defeitos são catalogados é o Conselho Oléicula Internacional.
Azeite de oliva comum é obtido da mistura do azeite lampante, inadequado ao consumo, reciclado por meio de processos físico-químicos e sua mistura com azeite virgem e extra-virgem. O azeite de oliva comum não possui regulamentação.
Uso culinário do azeite por acidez

Tipo
Acidez
Utilização
Extra Virgem
<>3,0%
Frituras de imersão
Puro
>2,0%
Frituras, assados e marinados



Ao consumir o produto, é aconselhável que se verifique sua acidez e data de validade. Normalmente o azeite deve ser consumido em 12 meses. Antigamente era possível encontrar no comércio de azeites de primeira e de segunda prensagem mas actualmente o processo é único e o azeite é prensado uma única vez a frio ou pela variação de pressão e temperatura
Hoje em dia existem normas de Comercialização destinam-se ao Comércio a Retalho.
Comércio a Retalho - Venda, ao consumidor final, dos seguintes produtos:
a) Azeite Virgem Extra; b) Azeite Virgem; c) Azeite - Contém azeite refinado e azeite virgem; d) Óleo de Bagaço de Azeitona).

Os azeites e óleo de bagaço de azeitona não poderão ser comercializados em embalagens com capacidade superior a 5 litros. Estas embalagens devem estar munidas de um sistema de abertura que perca a sua integridade após a primeira utilização e devidamente rotuladas.
Não obstante, no caso de restaurantes, cantinas, hospitais e estabelecimentos similares, permite-se o uso de embalagens com capacidade máxima de 25 litros.
A rotulagem é normalizada obrigando cada denominação a incluir de modo bem visível a respectiva descrição:

Azeite extra-virgem:
“ Azeite de qualidade superior obtido exclusivamente a partir de azeitonas e unicamente por processos mecânicos.”
Azeite virgem:
“Azeite obtido exclusivamente a partir de azeitonas e unicamente por processos mecânicos.”
Azeite - Contém exclusivamente azeite refinado e azeite virgem
“Azeite que contém exclusivamente azeite que foi submetido a um tratamento de refinação e azeite extra-virgem ou virgem”
Óleo de bagaço de azeitona:
“Óleo que contém exclusivamente óleo extraído de produtos resultantes da obtenção de azeite, e que foram submetidos a um tratamento de refinação e azeite extra-virgem ou virgem”

A denominação de origem só pode constar dos rótulos dos azeites extra- virgem e virgem. Mas quais são as verdadeiras Definições e Denominações do Azeite. Azeites Virgens - São azeites obtidos a partir do fruto da oliveira unicamente por processos mecânicos, ou outros processos físicos- em condições que não alterem o azeite e que não tenham sofrido outros tratamentos além da lavagem, da decantação, da centrifugação e da filtração.
Os azeites virgens são produtos naturais, são sumo de azeitona sem aditivos nem conservantes.

Os azeites virgens dividem-se em:

Azeite virgem extra- É um azeite com uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 0,8 graus e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria;
Azeite virgem - É um azeite com uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 2 graus e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria;
Azeite lampante - É um azeite com uma acidez livre expressa em ácido oleico, superior a 2 g por 100g e/ou com as outras características conformes com as previstas para esta categoria;
Este azeite não pode ser consumido directamente, é aproveitado para a refinação (ver classificação de azeite).

Outras categorias de azeite:

Azeite refinado: É um azeite obtido por refinação de azeite lampante, em que se utilizam produtos químicos como meio de eliminar características indesejadas (ex: acidez elevada, cheiros ou sabores acentuados, cores anómalas, etc.) Possui uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 0,3 graus e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria. É quase desprovido de sabor, cheiro ou cor.

Azeite: Contém exclusivamente azeite refinado e azeite virgem
Azeite constituído por loteamento de azeite refinado e de azeite virgem , com exclusão do azeite lampante, com uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 1 grau e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria.
A menção "Contém exclusivamente azeite refinado e azeite virgem" é obrigatória e destina-se a esclarecer o consumidor.

Óleo de bagaço de azeitona que é um Óleo constituído por loteamento de óleo de bagaço de azeitona refinado e de azeite virgem com exclusão do azeite lampante, com uma acidez livre expressa em ácido oleico não superior a 1 g por 100g e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria.

É muito mais comum encontrar os azeites extra-virgens engarrafados sendo aconselhável que se procure azeites engarrafados em embalagens mais escuras, já que a incidência de luz cataliza a oxidação do produto.
É igualmente aconselhável que se consuma o azeite o mais rápido possível após sua abertura, e portanto é melhor que se armazene-o em embalagens menores, que sejam consumidas tão logo sejam abertas.
Normalmente, os azeites mais leves e doces são mais próprios a serem usados em saladas, legumes e carnes brancas.
Os mais acentuados são melhores aproveitados se usados em carnes vermelhas e cozidos.

Henrique Tigo
Geógrafo


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O Azeite (2ª Parte)
O Azeite Português

Todos nós temos pelo menos uma oliveira, ou no pior dos casos, já vimos uma Oliveira, eu pessoalmente, tenho algumas, no meu terraço em Vila Nova do Ceira.
Não me lembro de alguma vez ter comido, azeite daquelas oliveiras, mas os meus antepassados sim.
O azeite foi um, pois embora exista uma velha discussão geográfica, Portugal embora tenha terrenos e clima mediterrânico não é uns pais mediterrânico, embora tenhamos bastantes oliveiras e tenha sido um dos primeiros produtos exportados.
Em Portugal, a referência à oliveira é muito antiga. O Código Visigótico, nas leis de protecção à agricultura, prescreve a multa de cinco soldos para quem arrancasse oliveira alheia, pagando por outra árvore apenas três soldos.
Alguns autores afirmam que o maior desenvolvimento desta cultura se verifica nas províncias onde a reconquista chegou mais tardiamente. Os forias dos Mouros forros de Lisboa e da margem sul, dados por El’Rei D. Afonso Henriques (1º Rei de Portugal), e mais tarde o dos mouros do Algarve em 1269 referem expressamente a esta cultura de oliveira.
Mas não só no Sul havia oliveiras e azeitonas, também na Beira Baixa há uma menção «a plantação recente de oliveira num chão tapado, dentro da vila de Covilhã em 1359». Das tabelas medievais de portagem (direitos), podemos concluir quais os principais géneros do comércio local: Sal, Azeite, pão e vinho, (tudo aquilo que o povo português aprecia mais).
Do século XIV há notícias de dois concelhos em que se cultivava a oliveira: Évora e Coimbra. No caso de Coimbra o rei concede os mesmos privilégios que a Lisboa, isto é, «podiam carregar o azeite no rio e foz do Mondego, assim para fora do Reino como para o interior».
No século XVIII Coimbra deixou de ser o principal centro produtor e o azeite de melhor qualidade passou a ser Santarém.
Na época dos Descobrimentos, o azeite e o vinho continuam a fazer parte da lista dos produtos exportados. Como no século XIV, Coimbra, Évora e seus termos eram as regiões de maior produção no século. Em 1555 o consumo do azeite sofreu grande aumento, pois começou a ser utilizado com frequência na iluminação.
Neste século vendia-se o produto dentro do reino e exportava-se com destino aos mercados do Norte da Europa e para o ultramar, em especial para a Índia. Na era Filipina o «mercado negro», o açambarcamento e especulação oneraram o produto; compreende-se assim a baixa na exportação.
Muitos séculos se passaram e no Estado Novo, a produção e consumo de azeite era muito bem vista pelo regime, voltando Portugal a produzir grandes quantidades de Azeite, produto alias muito apreciado por Salazar.
Com o 25 de Abril e com a abertura de Portugal, começou-se a consumir cada vez mais Óleo alimentar, em vez de azeite, só com fim do século XX e com as preocupações alimentares, se voltou a olhar para o azeite e a dizer aquilo que durante séculos se disse… que o azeite é a melhor gordura alimentar essencial a uma alimentação saudável e equilibrada e não só mais uma tradição.

Henrique Tigo
Geógrafo

Cerveja


A Cerveja

Portugal sempre foi um dos maiores, produtores de vinho e vinho de grande qualidade, mas aos poucos e poucos, os hábitos dos Portugueses tem vindo a mudar.
A máxima do Prof. Oliveira Salazar, passou de moda “…Beber vinho é dar de comer a um milhão de Portugueses…”, hoje em dia bebe-se mais cerveja do que vinho.
Em Portugal, existem registos de consumo de cerveja desde o século XVII, época de que data um “Pátio da Cerveja” em Lisboa, na antiga feguesia da Conceição Nova.
No início do século XIX existiam já sete fábricas de cerveja e bebidas gasosas na cidade do Porto, a que se juntaria, em 1834, a Fábrica da Cerveja da Trindade, em Lisboa, no espaço actualmente ocupado pelas Cervejaria da Trindade, à qual se seguiriam muitas outras unidades de produção de cerveja.
De todas as bebidas mais consumidas no mundo, a terceira mais consumida é a cerveja.
Mas o que é a cerveja afinal?
A cerveja é uma bebida composta por água, malte (cevada germinada), lúpulo (planta aromática) e levedura, sendo obtida a partir da fermentação natural da cevada, na qual o açúcar existente nos próprios ingredientes é transformado em álcool
A cerveja é como uma das variedades de bebidas alcoólicas produzidas pela fermentação de matéria com amido, derivada de cereais ou de outras fontes vegetais. As fábricas de cerveja e de algumas outras bebidas alcoólicas são geralmente chamadas de cervejarias.
Em termos históricos, a cerveja era já conhecida pelos Sumérios, Egípcios e Mesopotâmios, desde pelo menos 4 000 a.C.
Nas antigas civilizações da Babilónia e do Egipto, onde existem testemunhos de uma indústria cervejeira florescente, a cerveja era oferecida aos deuses e era consumida por reis em festas importantes. Os egípcios atribuíam-lhe efeitos terapêuticos e as mulheres das classes altas utilizavam-na para fins cosméticos – para tornar a pele mais fresca e suave e tratar problemas de pele.
Foi também por volta desta altura que foi criado, na Babilónia, o primeiro código que disciplina a venda de cerveja: o Código de Hammurabi, um dos textos mais antigos da Humanidade, que regulava uma ração diária de cerveja para os trabalhadores.
Foi também no Egipto que foi descoberta por arqueólogos a cervejaria mais antiga.
A partir de 1000 d.C. a cerveja começa a generalizar-se, sendo bebida pelos povos Celtas, Germanos e Escandinavos. Durante a Idade Média, a produção de cerveja em maior escala começa a ser difundida na Europa por mosteiros da Suíça e da Alemanha, apresentando-se agora com novas características, resultantes da adição de ervas amargas e aromáticas, raízes, flores e frutas silvestres. Por volta de 1070 d.C. acrescenta-se ainda lúpulo.
O Código de Hammurabi, rei da Babilónia entre os anos de 1792 e 1750 a.C, incluía várias leis de comercialização, fabricação e consumo da cerveja, relacionando direitos e deveres dos clientes das Tabernas.
A cerveja teve alguma importância na vida dos primeiros romanos, mas durante a 1ª República Romana, o vinho destronou a cerveja como a bebida alcoólica preferida, passando esta a ser considerada uma bebida própria de Bárbaros.
Inicialmente de produção doméstica, a cerveja passa a ser produzida por artesãos especializados no século VII, o que se manteria até ao século XII, quando se dá a expansão da produção de cerveja na Europa, com o aparecimento de pequenas fábricas de cerveja, surgindo então as primeiras Confrarias da Cerveja.
A maior parte das cervejas, até tempos relativamente recentes, eram do tipo que agora chamamos de ales. As lagers foram descobertas por acidente no sec. XVI, quando a cerveja era estocada em frias cavernas por longos períodos; desde então elas ultrapassaram largamente as cervejas tipo ale em volume também neste Guilherme IV da Baviera decreta a Lei da Pureza, a qual determinou os ingredientes que podiam ser utilizados na produção de cerveja: cevada, lúpulo, malte e água
O uso de lúpulo para dar o gosto amargo e preservar é uma invenção medieval. O lúpulo é cultivado na França desde o sec. IX. O mais antigo escrito remanescente a registrar o uso do lúpulo na cerveja data de 1067 pela Abadessa HIldegarda:
"Se alguém pretender fazer cerveja da aveia, deve prepará-la com lúpulo."
No Sec. XV, na Inglaterra, a fermentação sem lúpulo podia dar origem a uma bebida tipo ale - o uso do lúpulo torná-la-ia uma cerveja. A cerveja com lúpulo era importada para a Inglaterra (a partir dos Países Baixos) desde cerca de 1400, em Winchester.
O lúpulo passou a ser cultivado na ilha a partir de 1428. A Companhia dos Fabricantes de Cerveja de Londres foi tão longe que especificou "nenhum lúpulo, ervas, ou outra coisa semelhante será colocada dentro de nenhuma ale ou bebida alcoólica enquanto a ale estiver sendo feita - mas somente um licor (água), malte e uma levedura".
Contudo, por volta do sec. XVI, "ale" veio a referir-se a qualquer cerveja forte, e todas as ales e cervejas continham lúpulo.
A partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, a produção começa a fazer-se em grande escala e o consumo expande-se. Um século mais tarde, as descobertas de Louis Pasteur permitem aperfeiçoar o processo de produção de cerveja – o uso da pasteurização permite dar à cerveja maior durabilidade, tornando possível o transporte a grande distância. Com a descoberta do processo de fermentação baixa, no século XIX, a cerveja tornou-se mais clara, suave e duradoura.
Foi neste século que o fabrico de cerveja recebeu um maior impulso, em parte graças ao trabalho do Professor Emil Hansen, do Laboratório da Carlsberg, que conseguiu resolver o problema do isolamento das leveduras responsáveis pela fermentação, a que juntaria mais tarde o contributo dos aparelhos frigoríficos, que permitiram manter os tanques de fermentação e as caves de guarda a temperaturas baixas durante todo o ano.
Com a evolução da tecnologia observou-se uma modernização das técnicas e procedimentos, sendo que o cervejeiro moderno é um engenheiro que conta com todos os recursos técnicos e sanitários para a elaboração de um produto perfeito.
E agora com a chegada o Verão, das esplanadas, da praia, dos caracóis etc, aumenta o consumo desta bebida, mas atenção a cerveja é uma bebida alcoólica por isso deve ser bebida com moderação e lembre-se se conduzir não beba.

Henrique Tigo
Geógrafo


quarta-feira, maio 02, 2007

Eu não nasci


Eu não nasci…




Eu considero-me um “produto” do pós 25 de Abril, pois nasci depois desse marco importante da Sociedade Portuguesa.
Nós somos um pouco, daquilo onde estamos inseridos e onde crescemos, assim, eu sou artista porque toda a minha vida vivi, entre artistas, Convivi com cenários e personagens que me deixaram uma memória tão rica (e motivadora), na companhia do meu pai cresci por redacções de jornais já extintos, o conservatório nacional (local de trabalho dos meus pais durante vários anos), os bares e casas de fado, bailarinas e arlequins...
Conheci a “fina flôr “ das artes e da cultura, na Brasileira do Chiado ou no Coche Real e nas suas tertúlias. O meu imaginário infantil está repleto de personalidades públicas que conheci nesse tempo dois quais destaco:
O Dr. Gustavo Soromenho, Dr. Raul Rego, João Mota, Abílio Belo Marques, Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira, Maluda, Baptista-Bastos, Beatriz Costa, Jesus Ferreira, Agostinho da Silva, Maestro Vitorino de Almeida, Avó Brito Anarquista entre dezenas de outros, que todos os dias tomavam café com o meu Pai e que eu acompanhava desde bebé.
Como dá para ver eram pessoas de esquerda, logo anti-fascistas, anti-estado novo, cresci a ouvir histórias de lutas anti-fascistas, de prisões pela PIDE, entre outras…
Enquanto ia crescendo, a minha casa estava cheia, de livros sobre a luta e a resistência ao estado novo, que eu lia como se não houvesse amanhã quando li todos esses livros comecei eu a comprar mais e mais, hoje sobre o Estado Novo e a luta anti esse mesmo estado tenho mais de 500 livros… Ouvia todas as musicas revolucionarias do Zeca do Adriano, Paulo de Carvalho e tantos, tantos outros…
Também tive a oportunidade de conhecer os do “outro lado”, na minha primeira exposição individual havia resistentes ao estado novo e antigos Pides e eles conheciam-se bem, uns tinham prendido os outros e vice-versa.
Quando finalmente tive idade, inscrevi-me numa juventude partidária, na JS e os meus “padrinhos” de Partido foram o Dr. Raul Rego e o Eng. António Guterres, e assinaram a minha inscrição e assim entrei para a política, mas isso é outro “filme”…
Aos 15 anos escrevi uma peça de teatro sobre o 25 de Abril, peça essa que já foi levada a cena pelo Grupo de Teatro Passagem de Nível, e editado pelo jornal Coisas da Pontinha.
Durante anos e anos na noite de 24 de Abril, eu metia o Depois do Adeus aos berros e no dia 25 de Abril, quando acordava, dava musica ao prédio todo com a Grândola Vila Morena.
Quando tinha, 20 anos tornei-me sócio da Associação 25 de Abril, onde tive a oportunidade de conhecer mais alguns dos homens da liberdade.
Já escrevi dezenas artigos para jornais, organizei vários debates e exposições sobre o 25 de Abril, é um tema que me é querido e com o qual me sinto a vontade.
Como é meu habito, ouvi com atenção a sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da Republica, e fiquei admirado com aquilo que o Sr. Presidente da Republica disse, pois pela primeira vez estou quase de acordo com ele, concordo que se tem chamar mais os Jovens para os ideais de Abril, mas acho que é muito importante haver as sessões na Assembleia da Republica, mas acho que além dos normais convidados deviam ser convidados Jovens, delegações de Escolas e Universidades.
Há anos que me dizem, mas tu não viveste aqueles tempos, pois não eu não vivi…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo artigo e programas a serem censurados…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo que o estado novo e o 25 de Abril, passaram pelo lápis azul, pois os livros de história, não falam disso…
Eu não vivi no tempo de um Partido, nasci em Liberdade, mas vi o Prof. Salazar a ser eleito democrática, como o maior Português de sempre, com 41%....
Eu não vivi no tempo da PIDE, nasci em Liberdade, mas vi a criação do SIS…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo o povo sem respeito pelos seus idosos…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo políticos e dirigentes e pessoas importantes a tentarem calar os jornalista e o Povo…
Eu não vivi no tempo da PIDE, nasci em Liberdade, mas vi cargas policiais em cima dos estudantes e de manifestações…
Eu não vivi no tempo da Guerra Colonial, nasci em Liberdade, mas vejo os Portugueses a continuarem a morrer em Guerras “parvas” porque temos acordos com os Americanos…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias os sem abrigo, os políticos cheio de guarda-costas e afastados do Povo, vejo todos um pais onde quem tem gravata é Dr. e quem não a usa a ser maltratado, vejo todos os dias a privatização de tudo e dezenas de desempregados, vejo todos os dias milhares de licenciados sem emprego.
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo a igreja a ter cada vez mais força e a meter-se em assuntos que não devia…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias, que os jovens da minha idade e mais novos, não fazem ideia do que foi o 25 de Abril….
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas não vejo ninguém homenagear os nossos heróis… ninguém fala do Salgueiro Maia, do Edmundo Pedro, de tantos, tantos outros…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias hospitais a fecharem …
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo que são sempre os mesmos no poder, agora são ministro, depois presidentes desta ou daquela empresa…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas não vejo o sonho de Abril " Ensino Universal, Obrigatório e Gratuito! ", conquista essa que nunca se realizou. Cada vez mais, para estudarmos, temos de pagar…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias que os sonhos de Abril, ainda não se realizaram, que o 25 de Abril aos poucos e poucos, tem sido um sonho bom que acabou…
Acho bem Sr. Presidente da Republica, queira mudar, as comemorações de Abril, mas acho que também devia, meter o cravo ao peito e lutar contra tudo isto … e já agora não se esquecer que sem o 25 de Abril, ele não estaria onde está hoje.
25 de Abril SEMPRE!!!!

A breve História de Portugal


História de Portugal em datas




Começo em 136 a.c, claro que já havia populações em Portugal, antes desta data mas nesta data, Portugal torna-se uma província Romana (Lusitânia).
Século VI d.c, dá-se a invasão dos Visigodos.
Século VII, d.c, acontece o domínio Árabe mesmo que parcial.
Em 1095, o Condado Portucalense é entregue pelo Rei de Castela D. Afonso VI ao Conde Henrique de Borgonha, como prenda de casamento.
1139 D. Afonso Henriques, filho do Conde Henrique de Borgonha e Teresa Honraca, vence a batalha de Ourique e é proclamado como o primeiro Rei de Portugal, pelo seu próprio exército, nascendo assim Portugal.
1383 É extinguida a dinastia de Borgonha, Portugal é invadido pelos castelhanos, em 1385, D. João I de Avis liberta Portugal do domínio de Castela e dá origem a uma nova dinastia, a dinastia de Avis.
O infante D. Henrique, o Navegador (1394-1460) impulsiona as viagens de exploração e a conquista de territórios coloniais além-mar.
Em 1415, os Portugueses ocupam o porto marroquino de Ceuta, inúmeras ilhas do Oceano Atlântico, conhecidas desde então como Madeira, Açores, Cabo Verde e ainda a zona do Rio Congo.
1495, D. Manuel I instaura o domínio português na Africa Ocidental (Angola) e Oriental (Moçambique), nas Índias e o Brasil em 1500, pelo Pedro Alvares Cabral. Em 1578, desaparece em Alcácer Quibir El ‘Rei D. Sebastião o desejado, o qual se diz que irá voltar numa manhã de nevoeiro, este foi o último rei da dinastia de Avis, havendo um problema se sucessão uma vez que D. Sebastião era muito novo e não tinha filhos, sobe ao poder o seu Tio D. Henrique O Capelo, em só está no poder até 1580 quando Portugal é ocupado pelas tropas de Filipe II de Espanha, tornando-se assim Filipe II de Espanha e Filipe I de Portugal, começando assim a uma nova dinastia Filipina.
Em 1640 acontece uma revolta com a dinastia Filipina, apoiada por França que leva ao trono o duque D. João VI de Bragança. A guerra que se segue conclui-se, em 1668, com o reconhecimento da independência de Portugal, com D. Afonso VI subindo ao trono de Portugal.
1703 é assinado o tratado de Methuen, uma aliança entre Portugal e a Inglaterra, segundo passa haver uma constante aliança entre os dois países.
Entre 1807 e 1811 e Durante a invasão Napoleónica, o Rei do João VI e a sua corte refugia-se no Brasil, em 1821 regressa a Portugal, chamado pela revolta liberal e anti-inglesa. Nesse ano é ainda aprovada a Constituição.
No Brasil o filho de D. João VI, D. Pedro é proclamado Imperador do Brasil, após o chamado grito do Ipiranga, passando o Brasil a ter a independência total de Portugal. 1834 D. Miguel I, filho do Rei d. João VI, depõe a sua sobrinha D. Maria II e instaura um regime despótico. A ordem é restabelecida com o regresso de D. Pedro do Brasil.
5 de Outubro de 1910 após um período tormentoso de lutas internas e revoltas populares, Portugal torna-se numa república, entre 1914 e 1918 acontece a 1ª Guerra Mundial na qual Portugal participa morrendo vários milhares de Portugueses, na fase do pós 1ª Grande Guerra acentua-se a instabilidade politica, permitindo que a 28 de Maio de 1926 houve-se um golpe de estado militar que institui um regime militar sob a presidência do General António Carmona.
Em 1932 um jovem economista nascido em Santa Comba Dão, seminarista, homem da acção católica torna-se Chefe do Governo, chamava-se António de Oliveira Salazar, que em 1933 consolida a sua ditadura fazendo aprovar uma nova Constituição com base corporativa e confessional e dissolvendo os partidos políticos, nascendo assim o Estado Novo.
Entre 1939 e 1945 Portugal não entra na II Guerra Mundial, Salazar, simpatizante de Mussolini e de Hitler, quando começa a ver que as suas derrotas estão perto alia-se ao Americanos cedendo algumas bases nos Açores as forças aliadas, e em 1949, Portugal assina o pacto de adesão do pacto do Atlântico.
Em 1961 inicia seu curso uma mudança liberalizadora das colónias para com o Império. Salazar, não querendo perder as Colónias, manda para lá as tropas portuguesas, nascendo assim a guerra colonial, onde acabaram por morrer milhares e outros milhares, ficando muitos mutilados e alguns com feridas psicológicas que ainda hoje os afectam bastante. Esta guerra irá durar 13 anos acabando com o 25 de Abril.
Em 1968 Salazar cai da cadeira e fica bastante doente, Operado a 4 de Setembro de 1968 ao hematoma cerebral causado pela famosa queda da cadeira, Salazar piora, e os médicos declaram a sua incapacidade física e psicológica para permanecer no exercício das suas funções.
O Presidente da República Américo Tomás demite Oliveira Salazar, facto que Salazar, o nosso velho ditador, ignorará até ao fim, sendo montado a sua volta um teatro para este pensar que ainda estão nas suas mãos os destinos de Portugal.
Após ouvir cerca de 40 personalidades das elites políticas, militares, assim como figuras financeiras do regime, o Presidente Américo Tomás faz algo que é designar para o lugar de Salazar O Prof. Marcelo Caetano, que tomará posse a 23 de Setembro de 1968.
Sucedendo-lhe o Prof. Marcelo Caetano.
A 25 de Abril de 1974 dá-se o golpe dos militares progressistas, que pretendem acabar com a guerra colonial, com a falta de liberdade, censura e da PIDE, alias policia que faz as únicas vitimas desta revolução, a porta da sede da PIDE é cuspido do macabro edifício da Rua António Maria Cardoso, quando os agentes da repressão vomitam os últimos cartuchos, matando assim 5 civis que se encontravam frente ao edifício. Mesmo no fim, a odiosa e odiada corporação se mostra sanguinária. Se estes homens não tivessem sido carrascos até à ultima hora, a vitoriosa Revolução ter-se-ia realizado sem derramamento de sangue.
Por tudo isto e por todos os anos de repressão e tortura, o povo não arredava pé e continuava clamando por vingança e ansiando pela rendição. O povo não estava sozinho, estava acompanhado pelas Forças do Regimento de Infantaria 1 e da Polícia Militar, coadjuvadas por três pelotões e um destacamento de Fuzileiros navais, que ocupavam posições estratégicas em volta do labiríntico edifício, onde vieram a passar uma noite de vigilância. Por esta altura, a PIDE, em desespero, tenta a fuga. Outros iam-se rendendo ou sendo interceptados pelos militares.
E assim se fez o 25 de Abril, a revolução dos cravos da liberdade. Seguindo a onda de liberdade em 1975 dá-se a independência de Angola e Moçambique a nacionalização de bancos e das industrias, a 25 de Novembro de 1975 existe uma tentativa de contra-revolução de Spínola, substituído pelo General Costa Gomes e por um conselho da Revolução, órgão militar criado para garantir o correcto funcionamento das novas instituições democráticas.
A 25 de Abril de 1976 realizam-se as primeiras eleições livres e democráticas que levam Mário Soares a chefe do Governo e Ramalho Eanes a presidente da república, em 1979 A AD (aliança Democrática) chefiada por Sá Carneiro, vence as eleições e dá origem a um Governo Centrista de Direita, no ano seguinte Ramalho Eanes é novamente reeleito para Presidente da República e Sá Carneiro morre num acidente de viação que ainda hoje faz correr muita tinta.
Em 1986 Portugal entra para a CEE e Mário Soares é eleito Presidente da República, 1987 Uma erigida politica liberal de privatização invade o país devido ao governo do PSD chefiado por Aníbal Cavaco Silva. Após uma década e governo PSD em 1995 o PS vence as eleições, passado a ser António Guterres a ser o novo chefe de Estado. E em 1996 Jorge Sampaio é eleito Presidente da República, sendo reeleito em 2001.
1998 Decorre em Portugal a Expo98 uma exposição Mundial e Portugal adere a União Monetária Europeia.
2001 O Socialista António Guterres demite-se de primeiro-ministro após uma derrota socialista nas eleições autárquicas.
A 1 de Janeiro de 2002, o euro, a moeda europeia, entra oficialmente em circulação acabando com o escudo. No mesmo ano é eleito Durão Barroso do PSD, para primeiro-ministro numa coligação com o Partido Popular liderado por Paulo Portas.
Em 2004 após a nomeação de Durão Barroco para presidente da Comissão Europeia, este abandona o Governo, promovendo uma pequena crise, o chefe de Estado nomeia Pedro Santana Lopes para primeiro-ministro, lugar que ocupa somente durante 3 meses. Jorge Sampaio recorrendo a um direito que a constituição lhe confere, demite Santana Lopes e provoca eleições antecipadas em 2005 vencendo essas eleições José Sócrates.
Finalmente a 9 de Março de 2006, Aníbal Cavaco Silva o antigo primeiro-ministro do PSD é eleito presidente da república.
Estou certo que muitas outras datas, são igualmente importantes senão mais, mas também não queria fazer um textos muito extenso e “chato”, ficam quanto a mim alguns dos factos mais importantes da nossa história.

Universidades

Universidades em Portugal




Hoje em dia é o grande tema de discussão e debate, as Universidades em Portugal, quer sejam em jornais, quer sejam em debates na TV, quer sejam em debates de mesas de café.
Uma universidade é uma instituição de educação superior, pesquisa e extensão, com concessão de graus académicos e em Portugal eles são:
Bacharelato, Licenciatura, Mestrado e Doutoramento.
As Universidade tem uma história muito rica e muito antiga, dentro da definição moderna, as primeiras universidades surgiram na Europa medieval, durante o Renascimento do Século XII.
Numa definição mais abrangente, a Academia, foi fundada em 387 a.C pelo filósofo grego Platão no bosque de Academos próximo a Atenas, pode ser entendida como a primeira universidade. Nela os estudantes aprendiam filosofia, matemática e ginástica.
As primeiras universidades na Europa foram fundadas na Itália e na França para o estudo do direito, medicina e teologia. Antes disso, instituições semelhantes existiam no mundo islâmico, sendo a mais famosa a do Cairo. Na Ásia, a instituição de ensino superior mais importante era a de Nalanda, em Bihar, Índia, onde viveu no século II o filosofo Budista Nagarjuna.
Na Europa rapazes encaminhavam-se à universidade após completar o estudo do trivium: as artes preparatórias da gramática, retórica e lógica; e do quadrivium : aritmética, geometria, música e astronomia.
No caso Português a primeira instituição portuguesa foi criado por El’Rei D. Diniz em Lisboa na Rua das Escolas Gerais em Alfama, edifício que ainda hoje existe. Contudo e devido ao barulho causado pelos Estudantes nas ruas de Alfama, El’Rei vê-se obrigado a mudar a Universidade para Coimbra, ficando assim conhecida pela mais antiga fundada no século XIII inicio do século XIV, sendo ainda uma das 10 mais antigas da Europa em funcionamento continuo.
Universidades são normalmente instituídas por um estatuto ou carta. No Reino Unido, uma universidade é definida por uma carta real e apenas instituições com tal documento podem oferecer diplomas de quaisquer tipos.
Nas últimas décadas do século XX, um certo número de universidades com mais de 100.000 estudantes foi criado, ensinando através de técnicas de aprendizado à distância.
Temos ainda o caso das universidades para trabalhadores que pretendem continuar os seus estudos, mas que infelizmente não podem estar presentes nas aulas, como é o caso da famosa Universidade Aberta que é instituição de e ensino a distância, complementarmente, a Universidade Aberta procura ainda corresponder às expectativas de quantos, tendo eventualmente obtido formação superior, desejam reconvertê-la ou actualizá-la; o que significa que, por vocação, procuramos captar um público adulto, com experiência de vida e normalmente já empenhado no exercício de uma profissão.
Criada em 1988, a Universidade Aberta resultou do labor de reflexão doutrinária e de formação técnica levado a cabo durante alguns anos pelo Instituto Português de Ensino a Distância.
A partir da sua criação, a Universidade Aberta tratou de aprofundar o trabalho anteriormente iniciado, formando docentes e técnicos, concebendo, lançando e leccionando cursos, de acordo com uma filosofia de prestação de serviço público. A nossa dimensão actual resulta deste trajecto: temos cerca de 9 mil estudantes (em Portugal, nos países africanos de língua oficial portuguesa e em muitas outras partes do mundo), tendo ainda delegações em Coimbra e no Porto e centros de apoio em todas as capitais de distrito.
Finalmente nos anos 80, nascem em Portugal as chamadas Universidade Privadas, que aparecem para combater a falta de vagas nas universidades públicas e ainda, correspondente à velha e bela norma e conquista democrática do pós-25 de Abril " Ensino Universal, Obrigatório e Gratuito! ", conquista essa que nunca se realizou.
Sejamos realistas com a era da globalização e da tecnologia as Universidades Privadas, acabam por estarem mais actualizadas com aquilo que se passa a sua volta. Tendo um diálogo mais ecuménico com todos os alunos.
Hoje temos Universidades Privadas com um ensino superior de qualidade com um grande e insubstituível motor de modernização e desenvolvimento da Sociedade, no quadro interdisciplinar e interdepartamental das "Novas Humanidades" e das "Novas Tecnologias", não ficando em nada atrás das Universidades Públicas.
Ao contrário do que acontece noutros países da Europa, as Universidades Privadas ainda são olhadas com desconfiança… Primeiro porque se desconfia dos docentes, acontece quem em grande parte das vezes dos docentes, que dão aulas nas Universidades Privadas, também são professores nas públicas, assim sendo como é que numa lado são betas e ou outro são bestiais?
Fala-se das cadeiras que são leccionadas nas universidades privadas, mas se as mesmas são assim tão más, como que é que sempre que um aluno de uma universidade privada pede transferência para uma pública, tem muitas equivalências?
Fala-se ainda que os alunos que saem das universidades privadas, estão mal preparados para a vida profissional, que isso fosse verdade, não existiriam tantos ex-alunos em lugares de destaque na vida activa.
Curiosamente só não se fala que os alunos das Universidade privadas, pagam duas vezes a sua educação, primeiro pelos impostos que pagam e depois pelas mensalidades astronómicas dentro das universidades privadas…
Ao longo destas décadas tem havido poucas ajudas estatais as chamadas Universidades Privadas, constitua-se a gastar o dinheiro dos contribuintes em estádios de futebol, em projectos de Aeroportos que não levam a lado nenhum, gasta-se milhões em coisas “parvas” mas no ensino superior muito pouco, ninguém fala em Universidades ou Escolas Superiores publicas, que gastam milhares dos euros dos contribuintes, e tem poucas dezenas de alunos e onde os docentes, não tem mestrados e em alguns casos nem licenciaturas, mas desses ninguém fala…
Na minha opinião, já chega de se dizer tão mal do ensino privado, em Portugal e apostar mais na formação, de um povo que ainda está muito atrás da média europeia.

Tabaco

Tabaco
Os “fumadores” novos criminosos do século XXI



Como disse o grande poeta, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…
Durante décadas e principalmente a partir de meados do século XX, com ajuda de técnicas avançadas de publicidade e marketing, que se desenvolveram nesta época.
As pessoas eram “empurradas” para te tornarem fumadores, até os próprios médicos aconselhavam os seus pacientes a fumarem, dizendo-lhes que ajudava, quem sofria de asma e tinha problemas respiratórios.
Os apresentadores de TV, apareciam a fumar as estrelas de Cinema, todos fumavam e faziam campanhas de tabagismo, era considerado chique e fino fumar.
Só a partir da década 60, surgiram os primeiros relatórios científicos que relacionaram o cigarro ao adoecimento do fumante, mas eram negados por governos do mundo inteiro, e no na década de 90 e que começam a aparecer casos confirmados de problemas graves de saúde causados, pelo tabaco.
Mas o que é o tabaco afinal?
O tabaco vem da planta Nicotiana Tabacum e é uma substância estimulante. Pode ser encontrado em forma de charuto, cigarro (com ou sem filtro), cachimbo, rapé e tabaco de mascar. O tabaco é principalmente fumado, mas pode também ser inalado ou mastigado. Tem uma acção estimulante.
A combustão do tabaco produz inúmeras substâncias como gases e vapores, que passam para os pulmões através do fumo, sendo algumas absorvidas pela corrente sanguínea. Essas substâncias são:
Nicotina: A nicotina é o alcalóide da planta do tabaco. Quando chega ao Sistema Nervoso Central, actua como um agonista do receptor nicotínico da acetilcolina. Possui propriedades de reforço positivo e viciantes devido à activação da via dopaminérgica mesolímbica. Aumenta também as concentrações da adrenalina, noradrenalina, vasopresina, beta endorfinas, ACTH e cortisol, que parecem influir nos seus efeitos estimulantes.
Substâncias irritantes (como a acroleína, os fenóis, o peróxido de nitrogénio, o ácido cianídrico, o amoníaco, etc): provocam a contracção bronquial, a estimulação das glândulas secretoras da mucosa e da tosse e a alteração dos mecanismos de defesa do pulmão.
Alcatrão e outros agentes cancerígenos (como o alfabenzopireno): contribuem para as neoplasias associadas ao tabaco.
Monóxido de carbono: provocam a diminuição da capacidade de transporte de oxigénio por parte dos glóbulos vermelhos.
O tabaco tem a sua origem na planta Nicotina tabacum deve o seu nome ao médico Jean Nicot que popularizou o seu uso na Europa. Esta planta, juntamente com cerca de mais de cinquenta outras espécies, faz parte do grupo nicotínico.
É originária da América onde era usada, antes da descoberta deste continente, pelos seus efeitos alucinogéneos. É difundida na Europa, após a viagem de Colombo, em parte devido à crença no seu valor terapêutico. A procura do tabaco fez com que a coroa espanhola se apropriasse do monopólio do seu comércio. Mais tarde, os franceses e ingleses juntam-se aos espanhóis, contribuindo para a expansão desta substância, o que origina fortes repressões por muitas autoridades. A título de exemplo, refira-se que Fedorovich dava ordens de tortura a qualquer consumidor até que este confessasse quem tinha sido o seu fornecedor, para depois mandar cortar o nariz a ambos. Também o sultão Murad IV castigava com decapitação, desmembramento ou mutilação quem encontrasse a fumar.
A partir do século XVIII, o levantamento das proibições permite um crescimento gradual do consumo de tabaco. Este consumo era principalmente feito por aspiração nasal, apresentando-se o produto em forma de pó fino ou resíduos (neste último caso, era-lhe atribuído o nome de rapé). O tabaco era também enrolado ou recheado de triturado. Crê-se que o cigarro surgiu das navegações transatlânticas, durante as quais eram apanhados os restos de tabaco, que estavam a ser transportados para a Europa, e enrolados em papel (dado que as folhas inteiras da planta pertenciam à coroa).
Começando por ser um consumo de marinheiros, pensa-se que em 1800 já se tinha alargado a outros estratos sociais na Península Ibérica e no Meditarrâneo. Para a sua expansão pelo resto da Europa, em muito contribuíram as guerras napoleónicas.
Na segunda metade do século XIX, o monopólio da fabricação dos cigarros passa a ser dos anglo-saxões. A partir desta altura, o tabagismo passa a afectar quase metade da população mundial.
Hoje em dia esta mais que provado que o consumo pode provocar hipotonia muscular, diminuição dos reflexos tendinosos, aumento do ritmo cardíaco, da frequência respiratória e da tensão arterial, aumento do tónus do organismo, irritação das vias respiratórias, aumento da mucosidade e dificuldade em eliminá-la, inflamação dos brônquios (bronquite crónica), obstrução crónica do pulmão e graves complicações (enfisema pulmonar), arteriosclerose, transtornos vasculares (exemplo: trombose e enfarte do miocárdio).
Em fumadores crónicos podem surgir úlceras digestivas, faringite e laringite, afonia e alterações do olfacto, pigmentação da língua e dos dentes, disfunção das papilas gustativas, problemas cardíacos, má circulação (que pode levar à amputação) e cancro do pulmão, de estômago e da cavidade oral.
O tabagismo materno influi no crescimento do feto, especialmente no peso do recém-nascido, aumento dos índices de aborto espontâneo, complicações na gravidez e no parto e nascimentos prematuros.
A vitamina C é destruída pelo tabaco, daí que se aconselhe os fumadores a tomar doses extra de antioxidantes (vitaminas A, C e E), para ajudar a prevenir certos tipos de cancro.
Está igualmente provado que o tabaco provoca, dependência a nicotina do tabaco sendo esta uma das drogas que mais dependência provoca.
Assim sendo os fumadores no século XXI são tratados quase como criminosos e os governos criam leis anti- tabaco e Portugal, não poderia ficar atrás e também criou a sua lei anti-tabaco e ela diz:
A lei vai impor a proibição de fumar nos locais de trabalho. Ressalva no entanto a possibilidade das empresas criarem locais específicos para se poder fumar sem afectar os colegas de trabalho. Mas esses locais têm que ter ventilação separada do resto do edifício.
Nos restaurantes, bares e discotecas a regra também muda. Vale agora a proibição total de fumar nestes locais.
Os lares de idosos e locais frequentados por menores de 16 anos ficam também vedados ao fumo. A nova lei anti fumo do tabaco quer proteger os fumadores passivos mas também quem nunca fumou na vida. Assim avança a proibição da venda de cigarros a menores de 16 anos. Essa proibição aplica-se também às máquinas de venda automática de tabaco.
A forma de controlar o acesso à compra directa nessas máquinas ainda não está decidida, mas pode ser seguido o exemplo de outros países através de um cartão de acesso.
A lei, logo que esteja aprovada, contempla ainda uma revisão em alta das multas aplicadas a quem não a cumprir. Multas que se multiplicam por 50 em relação às que estão em vigor. Quem fumar num local proibido pode ser multado de 50 a 2500 euros.
A nova lei proíbe toda a publicidade ou promoção ao consumo de tabaco com multas até so 30 mil euros para as empresas.
Há mais um dado: as tabaqueiras ficam proibidas de lançar ou patrocinar campanhas de prevenção contra os cigarros. Quem não cumprir pode ter que pagar 30 a 45 mil euros de coima.
Eu sou fumador, convicto e praticante há mais de 15 anos e quando começo a imaginar esse clima de fundamentalistas a apoiarem uma lei que me obrigue a ser revistado à entrada de um café para confirmar se tenho tabaco, começam-me a dar dores de cabeça pela falta de nicotina. Durante mais de uma década que mais de metade do que pago pelos meus cigarros vão directamente para os cofres do estado, esse mesmo estado trata-me como um criminoso, é permitido dar um “chuto” com droga na via pública em frente a crianças, porque coitadinhos dos “drogados” são dependentes, mas nós os fumadores não, temos de estar escondidos.
Eu sou o primeiro a concordar, que as outras pessoas não são obrigadas a respirarem o meu fumo. No entanto, penso que terão de permitir a existência de espaços públicos (cafés; restaurantes; bares) devidamente sinalizados, para aqueles que querem fumar e para aqueles que não se sentem muito incomodados.
Como também acho que o fumos dos autocarros e de outras viaturas também deviam ser mais vigiados, pois ainda fazem pior que o fumo de um cigarro… Também esta provado que os cabos de alta tensão fazem mal a saúde e as câmara municipais continuam a os meter junto das habitações
O futuro revela-se negro para muitos fumadores que vão ter de deixar de fumar onde querem e onde não querem…
Além disse o nosso governo, apoia pouco quem quer deixar de fumar, pois os medicamentos para deixar de fumar continuam a não ser comparticipados pelo estado.
Volto a dizer que sou a favor de zonas de não fumadores desde que existam zonas de fumadores… Pois todos temos direito a vida…

Henrique Tigo

sábado, abril 28, 2007

Vinhos de Lisboa


Os Vinhos de Lisboa.



Ao contrario do que muitos podem pensar também em Lisboa se fizeram bons vinhos. Pois nos anos quarenta e cinquenta do século XX, Lisboa era um cidade muito provinciana e muito perto do campo, campo esse que hoje já não existe dando origens a arranha – céus e a urbanizações gigantes.
Tínhamos então na nossa capital vendedores de quase tudo o que a terra dava, desde os vendedores de morangos de Sintra que na altura eram muito raros e igualmente caros, pois só em Sintra é que os havia e bons e mesmo assim só na época certa.
Circulavam igualmente pela cidade de Lisboa os Aguadeiros com bilhas de barro a “bela” e refrescante água de Caneças, ainda havia os leiteiros que nos levavam em enorme bilhas o leite fresco todas as manhãs a porta de nossas casas, e finalmente circulavam pela nossa urbe o vinho que nos chegava sobretudo em barris, trazidos essencialmente da Estremadura e do Ribatejo.
É nesta época e aqui bem as portas de Lisboa ainda existiam vinhas e se faziam as vindimas, que circulavam em carros de bois e havia ainda as lavadeiras que ficaram na memória colectiva no filme a “Aldeia da Roupa Branca”, com a carismática actriz Beatriz Costa. As lavadeiras traziam a roupa já pronta a ser usada pelos senhores da cidade, depois de terem sido lavadas em Caneças que na altura era muitíssimo longe do centro de Lisboa.
Como se pode comprovar Lisboa vivia um ambiente profundamente rural, comparado com outras grandes cidades da Europa com Londres ou Paris.
Eram poucas as marcas de vinho muito menos engarrafado e as que existiam eram produtos de luxo destinadas somente a burguesia da cidade, assim o consumo de vinho fazia-se sobretudo a garrafão. Mas mesmo assim existiam algumas que procuravam atingir exactamente um público urbano menos conhecedor mas disposto a consumir algo que não fosse tão banal como o vinho vendido a garrafão, com este intuito apareceu o vinho Camilo Alves e o Teobar, uma invenção de João Teodório Barbosa, igualmente criador das Caves Dom Teodório e o Teo vinha de Teodório e o Bar de Barbosa.
O seu negocio vinículo começou em 1930 com a distribuição de vinho a barril pelas tascas de Lisboa, já o vinho Teobar surge quando a sua empresa começa a crescer em 1950 onde se começa a interessar pelas colónias ultramarinas, igualmente nos anos cinquenta começa a comercializa os tintos e brancos de alta qualidade da empresa os Garrafeira Particular, termo utilizado até a poucos anos para designar vinhos de grande qualidade e de pequena produção.
Em 1945 é publicado “O Roteiro do Vinho Português” pela Secretária Nacional de Informação chefiada pelo ilustre António Ferro, que tinha uma especial atenção para o triângulo dos vinhos do termo de Lisboa – Colares (Sintra), Carcavelos e Bucelas (Caneças).
Este roteiro estava associado ao roteiro turístico que em Carcavelos aconselhava um passeio pelas Quintas de Alagoa e do Barão da Bela Vista, onde existia um vinho generoso de alta qualidade pois era: aveludado, aroma e sabor inconfundíveis.
Em Sintra bebia-se o Colares Tinto, de Ramisco que era produzido em chão de areia e que foi durante décadas o príncipe dos tintos, chegando mesmo a ser comparado com os melhores Bordéus pelo seu aroma e aveludado do seu corpo.
Finalmente tinhamos o Bucelas da zona saloia que era rico em vinho branco onde pontificava o Arinto de casta nobre que dava a alma aos vinhos brancos da zona de Lisboa. Hoje em dia só em Bucelas ainda existe produção de vinhos continuando a serem bem feitos e bem bons, basta provarmos os das Caves Velhas na Quinta da Romeira.
Mesmo assim e voltando aos anos 40 e 50 o consumo de vinhos de qualidade eram normalmente destinados a hotéis de topo como Avis, Ritz e o Mundial que faziam questão de ter boas garrafeiras e, aqui bem perto de Lisboa, no Estoril era local de colocação obrigatória do produto.
Devido a essa procura por parte dos hotéis nasceram os primeiros topos de gama das Caves S. João da Bairrada ou mesmo o Ribalta.
Com o crescimento das cidade e a construção maciça na zona de Sintra e Carcavelos levou ao desaparecimento dos bons vinhos de Lisboa, mas a nossa Capital já produziu vinhos e de boa qualidade.



Henrique Tigo
Geógrafo

Gestão de Resíduos Urbanos



Hoje em dia temos a “obrigação” mais que não seja moral de gerir o nosso comportamento Ambiental, pois o futuro das gerações futuras estás nas nossa mãos, devemos assim fomentar práticas de prevenção e de redução da poluição, em todas as nossas actividades. Ajudar a promover a recolha selectiva de resíduos; sensibilizar os nossos amigos, vizinhos e até familiares no sentido da protecção do ambiente e dos recursos naturais; cumprir as disposições ambientais legais assim como os regulamentos em vigor.
Promovendo a utilização de energias de fontes alternativas ou renoveis; conciliar os serviços com a salvaguarda dos valores da qualidade e da protecção do ambiente.
Aproveito para deixar algumas dicas que acredito serem importantes.
1ª - Em dias em que não é efectuada a recolha de lixo evite colocar o seu lixo no contentor, para que não transborde e assim o lixo não se espalhe.
2ª - Quando despejar o lixo em caixotes ou contentores próprios para esse efeito, prefira utilizar recipientes com tampa para reduzir as hipóteses do lixo se derramar e espalhar. O lixo espalhado atrai ratos, baratas, moscas e outros animais que podem funcionar coo vectores de diversas doenças, para além de poluir visualmente.
3ª - Espalme, sempre que possível as embalagens.
4ª - Se tiver um volume grande de papel ou cartão para depositar deve cortá-lo em pedaços antes de depositá-la no ECOPONTO.
5ª - Se encontrar o ECOPONTO cheio não deve deixar os seus resíduos fora do mesmo, pois vai contribuir para que outros procedam da mesma maneira, criando assim um problema já em cima referido.
6ª - Quando o ECOPONTO estiver quase cheio ou mesmo cheio volte outro dia ou descole-se até ao ECOPONTO mais próximo.
7ª - Não deposite no ECOPONTO embalagens de materiais diferentes umas dentro das outras ou dentro de sacos de plásticos fechados, pois dificulta a sua tiragem.
Aqui ficam alguns conselhos meus, vamos então valorizar o Ambiente, na melhoria continua da limpeza e higiene urbana, na recolha e tratamento dos resíduos e na elevação de padrões de qualidade de vida. Não depende só da colaboração dos outros, temos de Ter a colaboração de todos.
Por isso conto consigo.




Henrique Tigo
Geógrafo

Jogos de Portugal


Jogos Populares de Portugal


Ao longo dos anos tem-se vindo a atribuir aos jogos populares um sentido trivial à Malha, Chiquilho, Cabra-Cega, às Escondidas entre outros. Pensa-se que os jogos estão interligados a actividades que buscam o prazer, mas claro com regras muito simples e meios rudimentares, actividades ainda que proporcionem uma vitória e uma derrota, mas sem grande rigor e espírito competitivo em relação a outros jogos considerados mais “importantes”.
O jogo popular é uma manifestação cultural das mais significativas. Podemos ainda dizer que não se circunscreve às actividades físicas, mas abrange todas aquelas com um carácter mais ou menos mimético, em que o prazer específico de ser bem sucedido se associa a uma dificuldade de vencer.
Estes tipos de jogos são um todo, mais complexos do que à primeira vista parece e pelo menos os elementos psicológicos e antropológicos, aos quais também não deve ser reduzido, precisam de estar sempre no pensamento dos técnicos e estudiosos e até sociólogos.
Os jogos são acrescidos de uma interdisciplinaridade numa escola, pela dedicação dos próprios professores, proporcionando assim um maior empenho e aproveitamento dos alunos, pois mais tarde ou mais cedo, o jogo, que anima profundamente a vida, instituir-se-á como tema, do ensino-aprendizagem.
Ao contrário do que se possa pensar as Anedotas, também são um jogo, de dentre as práticas linguísticas a expressão lúdica mais evidente. Destinam-se a criar boa disposição, a fazer rir, logo nisso elas são jocus, vocábulo latino que significa gracejo e da palavra que proveio Jogo.
O seu objectivo é alcançado através do rumo imprevisto que a pequena história assume, rumo esse que frequentemente é sustentado pela polissemia de um signo nuclear, seja uma só palavra ou seja uma expressão.
As anedotas portuguesas já eram bem visíveis nas cantigas de escárnio e maldizer do tempo dos trovadores, Chirstopher Lund, que descobriu «Anedotas Portuguesas e Memórias Biográficas da Corte Quinhentista», manuscrito do século XVI ou XVII, diz-nos que a tradição do jogo das anedotas ainda não teve a devida atenção, estando ainda muito por estudar.
Outro jogo que todos nós já jogamos é a Adivinha, sendo uma das formas mais curiosas de jogar com as palavras e conceitos. O seu poder de atracção, comum a todos os enigmas, consiste em enredar elementos num desafio à imaginação e à argúcia que têm de os fazer convergir num ponto antecipadamente concebido por quem pergunta.
A Advinha recorre à linguagem obscura e ambígua, frequente metafórica, o que dificulta a decifração. As advinhas portuguesas são muito numerosas, apresentando algumas variantes e sendo outras comuns a diferentes países.
Um dos jogos mais antigos e mais desejados pelos solteiros era a Desfolhada, era uma tradição festiva que se tem vindo a perder gradualmente.
Juntavam-se as pessoas numa roda, num alpendre, enquanto desfolhavam as espigas de milho, iam cantando e dizendo, anedotas e advinhas e algumas graçolas. Em alguns lugares, o primeiro que “tocasse” uma espiga vermelha gritava:
- Milho-Rei!...
Ficando assim com o direito a beijar e a ser beijado pelas pessoas do sexo oposto a sua escolha.
Entrando agora noutro tipo de jogos, a Malha é um dos jogos favoritos dos Beirões. A Malha joga-se, habitualmente, entre duas equipas constituídas por dois jogadores. Também se realizam jogos mano a mano, ou seja, disputados entre dois jogadores apenas.
Entre duas equipas a Malha é como fito trasmontano, mas a distância entre os pinocos é maior (25metros); as malhas têm um diâmetro de 10,7 cm e um peso aproximado de 430 gramas; e os pinocos (pinos) são de madeira, pintados a vermelho nas extremidades e com uma altura de 20 cm e uma base de 5 cm.
No Alentejo é uma variante do jogo da Malha, onde se usam malhas grandes, de ferro, e o jogo termina aos vinte e quatro pontos.
O Carolo (derrube) vale dois pontos; a malha mais próxima do paulito (pino) vale quatro. Participam três equipas com um jogador de cada lado; a distância entre paulitos vaia entre 10 a 15 metros. As malhas são opadas (mais grossas ao meio) para dificultarem o ponto, uma vez que ao baterem no chão podem deslizar para direcção incerta.
O jogo da Malha joga-se um pouco por todo o país, tendo cada região as suas próprias regras.
Temos ainda o jogo da Argola na Garrafa, é um jogo muito jogado em feiras ou em romarias. Num balcão ou mesa estão alinhadas, de frente para o jogador, as garrafas de vinho ou de outro tipo de bebida.
O Jogador munido de argolas, vai-as lançando a uma distância de três ou quatro metros, de modo as enfiar numa qualquer das garrafas, ganhando entre estas as que forem objecto de proeza bem sucedida.
Este famoso jogo de feiras derivou do jogo rural das argolas de ferro.
Existem ainda dezenas de outros jogos, mas irei terminar com o jogo do Barril, este jogo joga-se da seguinte forma:
Os barris (sem tampo) serão todos iguais, com uma capacidade de trezentos litros, estarão todos suspensos do solo à mesma altura – meio metro, mais ou menos.
Os concorrentes, em número igual aos barris, partirão da meta ao mesmo tempo, terão de passar pelo interior dos respectivos barris deles sair totalmente com o corpo, voltar pelo mesmo caminho e cortar a meta.
A distância entre a meta e os barris é da responsabilidade do júri e ganha aquele que fizer o percurso em menos tempo.
Havendo muitos concorrentes o jogo constará de eliminatórias, ultimamente, usa-se um barril apenas e os concorrentes participam, um de cada vez.


Henrique Tigo
Geógrafo

segunda-feira, abril 02, 2007

Salazar, o fantasma do passado?


Salazar, fantasma do Passado

Através do programa da RTP os “100 Maiores Portugueses de Sempre”, voltou-se a falar sobre o Prof. Oliveira Salazar, aliás personalidade da História Portuguesa que acabou por vencer esse programa com 41% dá votação, pois que por exemplo há 20 anos era impensável.
Nascido após o 25 de Abril de 1974, toda a minha vida cresci perto de pessoas que viveram de perto os horrores do Estado Novo e com eles sofreram, mas nunca deixaram de lutar e acreditar num Portugal melhor.
Para muitos, pode parecer estranho que um jovem nascido após o 25 de Abril de 1974, escreva sobre aquilo que nunca viveu na pele.
De facto, contudo, eu identifico-me com todos os valores que presidiram à génese e ao desencadeamento esperançoso do 25 de Abril, cujos objectivos estratégicos e pragmáticos, todavia, ainda não foram totalmente cumpridos - é um processo contínuo e urgente para não defraudar todos quantos acreditaram num mundo, português e global, que ainda não foi possível construir. E como o Povo diz, o Natal é sempre que um homem quiser. Parafraseando a expressão, eu diria que o dia da Liberdade é sempre que nós quisermos, o que não dispensa que tenha de ser periodicamente lembrado.
Portugal viveu uma ditadura criada pelo Prof. Oliveira Salazar, na altura um jovem economista nascido em Santa Comba Dão.
Foi seminarista, homem da acção católica e que em vez de boca tinha uma cicatriz como costumava dizer a Actriz Beatriz Costa.
E Será que já temos o distanciamento necessário para se poder falar sobre ele quando ainda só passaram 37 anos da sua morte, e muitas das personalidades do seu círculo mais íntimo ainda estão vivos.
Mas afinal de contas quem foi o Prof. Oliveira Salazar?
António de Oliveira Salazar nasceu a 28 de Abril de 1889 no Vimieiro, Santa Comba Dão, Em 1900, após de completar os seus estudos na escola primária, com 11 anos de idade, António Salazar ingressou no Seminário de Viseu, onde permaneceu 8 anos. Em 19081, o seu último ano lectivo no Seminário, tomou finalmente contacto com toda a agitação que reinava em Viseu (e também em todo o País). Surgiam artigos que atacavam o Governo, o Rei e a Igreja Católica. Foi também neste ano que se deu o assassínio do Rei D. Carlos e do seu filho, o Príncipe D. Luís Filipe. Não ficando indiferente a estes acontecimentos, Salazar, um devoto católico, começou a insurgir-se contra os republicanos em defesa da Igreja, escrevendo por isso vários artigos nos jornais.
Após de completar os estudos, permaneceu em Viseu mais 2 anos. Porém, em 1910, mudou-se para Coimbra para estudar Direito. Em 1914 conclui o curso de direito com a alta classificação de 19 valores e em 1916 é assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em (1917) a convite do professor José Alberto dos Reis, praticando a actividade com grande qualidade e antes de se doutorar (1918).
Durante este período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no Centro Académico da Democracia Cristã onde faz amigos como Mário de Figueiredo, José Nosolini, os irmãos Dinis da Fonseca, Manuel Gonçalves Cerejeira e Bissaya Barreto entre outros. Alguns haveriam de colaborar nos seus governos. Combate o anti-clericalismo da 1ª República, através de artigos de opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e debates.
As suas opiniões e ligações ao Centro Académico da Democracia Cristã, levaram-no em 1921 a concorrer por Guimarães como deputado ao Parlamento. Sendo eleito e não encontrando aí qualquer motivação regressou à Universidade passado três dias. Aí se manteve até 1926.
Foi ministro das Finanças entre 1928 e 1932 e depois entre 1932 e 1968 foi o estadista que dirigiu os destinos de Portugal, com o cargo de Presidente do Concelho de Ministros mais ou menos o cargo de primeiro-ministro da actualidade.
Em 1928, após a eleição do Marechal Carmona e na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas públicas, reassumiu a pasta, mas exigindo o controlo sobre as despesas e receitas de todos ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um superavit, um "milagre" nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29.
- Sei muito bem o que quero e para onde vou! - Afirmara, denunciando o seu propósito na tomada de posse.
Na imprensa, que era controlada pela Censura, Salazar seria muitas vezes retratado como salvador da pátria. O prestígio ganho, a propaganda, a habilidade política na manipulação das correntes da direita republicana, dos monárquicos e dos católicos consolidavam o seu poder. A Ditadura dificilmente o podia dispensar e o Presidente da República consultava-o em cada remodelação ministerial. Enquanto a Oposição se desvanecia em sucessivas revoltas sem êxito, procurava-se dar rumo à Revolução Nacional imposta pela ditadura. Salazar, recusando o regresso ao parlamentarismo e à democracia.
Foi fundador e chefe da União Nacional (partido único durante o Estado Novo) a partir de 1931. Tendo sido também o fundador e principal mentor desse Regime (1933-1974), que termina com o Movimento dos Capitães a 25 de Abril de 1974.
Em 1932 era publicado o projecto de uma nova Constituição que seria aprovada em 1933.
Com esta constituição, Salazar cria o Estado Novo, uma ditadura anti-liberal, anti-comunista e anti-parlamentar que se orienta segundos os princípios da tradição conservadora: Deus, Pátria e Família.
Toda a vida económica e social do país estava organizada em Corporações - era também um Estado Corporativo.
Portugal com Salazar afirmava-se como "um Estado pluricontinental e multirracial" - assentava-se sobre os pilares de uma politica colonialista. Durante o Estado Novo, os Presidentes da República tinham funções meramente cerimoniais. O detentor real do poder era o Presidente do Conselho dos Ministros e era ele que dirigia os destinos da Nação.
Durante a Segunda Guerra Mundial o Presidente do Concelho Oliveira Salazar assumira a pasta dos negócios estrangeiros desde a Guerra Civil Espanhola. Com a II Guerra Mundial o imperativo do governo de Salazar é manter a neutralidade. Próximo ideologicamente do Eixo, o Regime Português escuda-se nisso e também na aliança com a Inglaterra para manter uma política de neutralidade. Esta assentava num esforço de não afrontamento a qualquer dos lados em beligerância.
Primeiramente, uma intensa actividade diplomática junto de Franco de Espanha tenta evitar que a Espanha se alie à Alemanha e à Itália (caso em que previsivelmente os países do Eixo com a Espanha olhariam a ocupação de Portugal como meio de controlar o Atlântico e fechar o Mediterrâneo, o que desviaria o teatro da guerra para a Península Ibérica).
Com a Espanha fora da guerra, a estratégia de neutralidade é um imperativo da diplomacia de forma a não provocar a hostilidade nos beligerantes e Salazar não tolerou desvios dos diplomatas que arriscassem a sua política externa. Quando o Cônsul português, Aristides de Sousa Mendes, em Bordeúes concedeu vistos em grande quantidade a judeus em fuga aos nazis, ignorando instruções de Salazar este foi implacável com ele e demitiu-o.
Quase desde o final da II Guerra Mundial que a comunidade internacional e a ONU vinham a defender a implementar uma política de descolonização em todo o mundo. O Estado português foi o único que se recusou a conceder a autodeterminação aos povos das regiões colonizadas. Salazar, praticando uma política de isolamento internacional sob o lema Orgulhosamente sós, levou Portugal a sofrer consequências extremamente negativas a nível cultural e económico.
Então em Março de 1961, no norte de Angola acaba por estalar uma sangrenta revolta, com o assassínio de colonos civis. A chacina merece de Salazar a resposta Para Angola rapidamente e em força. Defensor de uma política colonialista, Salazar alimenta as fileiras da guerra colonial, que se espalha à Guiné e a Moçambique, com o propósito de manter as chamadas províncias ultramarinas sob a bandeira portuguesa.
A Guerra Colonial teve como consequências milhares de vítimas entre os povos que acabariam por se tornar independentes e entre portugueses. Arruinou economicamente Portugal e abalou as suas estruturas políticas e sociais, tendo sido uma das causas da queda do regime.
Em Agosto de 1968 o Prof. Oliveira Salazar sofre um acidente e fica mentalmente diminuído e é afastado do Governo pelo Presidente da Republica Almirante Américo Tomás, a 27 de Setembro de 1968.
O Prof. Marcelo Caetano é chamado para substituir Oliveira Salazar.
Contudo e até morrer, em 1970, Salazar continuou a receber visitas como se fosse ainda Presidente do Conselho, nunca manifestando sequer a suspeita de que já o não era no que não era contrariado pelos que o rodeavam.

Biografia cronológica do Prof. Oliveira Salazar.

1889: Nasce em Vimieiro, Santa Comba Dão.
1914: Em Coimbra, conclui o curso de Direito.
1918: Professor de Ciência Económica.
1926: Após o golpe de 28 de Maio é convidado para Ministro das Finanças; ao fim de 13 dias renuncia ao cargo.
1928: É novamente convidado para Ministro das Finanças; nunca mais abandonará o poder.
1930: Nasce a União Nacional.
1932: Presidente do Conselho de Ministros.
1933: É plebiscitada uma nova constituição que dá início ao Estado Novo. Fim da ditadura militar.
1936: Na Guerra Civil de Espanha apoia Franco; cria a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa; abre as colónias penais do Tarrafal e de Peniche - 1937: Escapa a um atentado dos comunistas.
1939: Iniciada a Segunda Guerra Mundial, Salazar conseguirá manter a neutralidade do país.
1940: Exposição do Mundo Português.
1943: Cede aos Aliados uma base militar nos Açores.
1945: A PIDE substitui a PVDE.
1949: Contra Norton de Matos, Carmona é reeleito Presidente da República; Portugal é admitido como membro da NATO.
1951: Contra Quintão Meireles, Craveiro Lopes é eleito Presidente da República.
1958: Contra Humberto Delgado, Américo Tomás é eleito Presidente da República; o Bispo do Porto critica a política salazarista
1961: 22/01, assalto ao Sta. Maria; 04/02, assalto às prisões de Luanda; 11/03, tentativa de golpe de Botelho Moniz; 21/04, resolução da ONU condenando a política africana de Portugal; 19/12, a União Indiana invade Goa, Damão e Diu; 31/12/61 para 01/01/62, revolta de Beja.
1963: O PAIGC abre nova frente de batalha na Guiné.
1964: A FRELIMO inicia a luta pela independência, em Moçambique.
1965: Crise académica; a PIDE assassina Delgado.
1966: Salazar inaugura a ponte sobre o Tejo.
1968: Salazar sofre um acidente e fica mentalmente diminuído.
1970: Morte de Salazar.
1974: A Revolução do Cravos e fim do Estado Novo.
Ao longo destes anos já escrevi sobre a Censura sobre a polícia politica (PIDE) sobre os heróis de Portugal e até sobre o 25 de Abril.
Quero terminar este artigo, dizendo que não sou Salazarista e escrevi este artigo sobre o Prof. Oliveira Salazar, porque venceu o programa da RTP e pelo visto 41% dos Portugueses que votaram, acham que ele foi o maior Português de sempre e porque acredito que basta de meter a cabeça na areia e não se falar dos fantasmas do passado, pois talvez por causa disso o Prof. Oliveira Salazar tenha tido o resultado que teve.
Dr. Henrique Tigo
Geógrafo


Referências bibliográficas
CAETANO, Marcello. Minhas memórias de Salazar. Lisboa: Verbo, 1977
NOGUEIRA, Franco. Salazar. Porto: Livraria Civilização, 1985
MEDINA, João. Salazar, Hitler e Franco: Estudos sobre Salazar e a Ditadura. Lisboa: Livros Horizonte, 2000
LOUÇÃ, António. Hitler e Salazar. Comércio em tempos de guerra, 1940-1944. Lisboa: Terramar, 2000

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Joaquim Henriques Nogueira



Tributo a Joaquim Henriques Nogueira
(O Meu Avó)

É sempre difícil ver partir aqueles que nós são queridos mesmo quando estão muitíssimo doentes, mas é ainda mais difícil é quando se trata de um segundo Pai… pois era isso que o meu avô Joaquim Henriques Nogueira era para mim.
A Várzea Pequena viu-o nascer na manhã de 10 de Outono de 1924, foi colega de escola de muitos Varzeenses e andou na tropa com outros como o Sr. António Fernandes.
Foi o primeiro Varzeense a ter uma máquina fotográfica particular e a ser mal interpretado por isso, alias como são todos os pioneiros, mas a verdade é que graças a ele hoje tenho um arquivo fotográfico familiar que poucos Varzeenses se podem gabar de ter. Através dessas fotos conheci os meus antepassados e, consequentemente, conhecer melhor as minhas raízes e origens Varzeenses e a amar Vila Nova do Ceira.
Com tenra idade a Várzea de Góis, como era conhecida nessa a altura, viu-o partir em direcção a "Capital" Lisboa como aconteceu com centenas de jovens da sua idade, só voltando nas ferias.
Numa dessa ferias voltou casado com uma prima direita que também vivia em Lisboa, Antónia Emília Simões dos Santos filha do Casimiro "São Paulo" e mais tarde apareceu com uma linda filha, Maria Fernanda que muitos anos depois chegou com um jovem marido Henrique Mourato e algumas ferias depois apareci eu…
Não sei qual é a primeira memória que tenho dele pois ele foi e é uma constante da minha vida. Desde os primeiros passos que dei de mão dada com ele no Jardim Príncipe Real, até a esperar por ele todas as manhã para almoçar… Foi ele que me ensinou a jogar as cartas, dominó e as Damas. Pode não me ter ensinado, Latim, Física ou Química, mas ensinou-me a ser honesto e integro como ele sempre foi. Ensinou-me ainda a respeitar os mais idosos e a ser um verdadeiro ser humano, não uma pessoa de "plástico".
Ficou muito feliz que, mesmo doente e quase, quase a deixar-nos, eu tivesse realizado alguns dos sonhos que ele tinha para mim, como tirar a carta de condução, um sonho dele próprio que nunca teve oportunidade de realizar e ter um neto Dr. e a ele dedico a minha Licenciatura.
Vivi paredes-meias com ele durante mais de 10 anos, morava duas ruas a frente e todos os dias estávamos juntos, e posso garantir que acredito que existam poucos Avos que fossem mais carinhosos, meigos e até babados dos seus netos como ele era de mim… posteriormente tivemos de mudar para mais longe, mas todos os fins-de-semana estava com ele e as nossas "jogatanas"e conversas continuaram. Honestamente não me lembro de um momento importante quer positivo quer negativo da minha vida onde este grande homem não estivesse presente.
Há três anos tive contacto pela primeira vez com o "Anjo Negro" da morte quando este ceifou a vida a minha querida avó Emílinha e aos poucos e poucos vi o meu avô apagar-se, fazendo e dizendo coisas estranhas, que ao inicio não entendíamos e não queríamos acreditar, mas viemos mais tarde a saber que ele tinha a doença de Alzaimer há muitos anos, facto que nem ele sabia, pois os médicos sempre o esconderam, como esconderam o "Cancro" que lhe há mais de 10 anos lhe estava a minar o corpo todo… no espaço de dois anos deu entrada no hospital mais de trinta vezes sofrendo aquilo que ninguém pode imaginar… vi com os meus olhos o desaparecimento do Sr. Nogueira e o nascimento de uma cadáver com vida que mais parecia uma daquela vitimas do Holocausto Nazi, quando ele nos deixou pesava pouco mais de vinte quilos…
Lutou com todas as forças que tinha, muitas vezes vínhamos do hospital a pensar que seria a última vez que o tínhamos visto com vida, ele dava a volta e mandava o "Anjo Negro" embora… quero salientar ainda a força dos meus Pais que nunca o abandonaram e que todos os dias estiveram os seu lado, numa altura em que se fala de mau tratos aos idosos que aumentaram mais de 30% em Portugal, na minha casa vi o contrario, vi o que é o amor de uma filha pelo seu pai…
Eu casei no dia 2 de Dezembro de 2006 e nos últimos dias em que esteve consciente e lúcido, disse com uma voz muito sumida e trémula:
-Tenho de ir comprar um fato, para levar ao casamento do meu menino!
Infelizmente, esse foi o único desejo que não foi possível realizar e ele não foi, mas realizei-lhe mais uma vontade, quando a minha mãe nasceu em 1956, ele comprou uma garrafa de "Vinho do Porto" para ser bebido no casamento do primeiro neto e nós fizemos isso, levamos a garrafa e foi feito um brinde em homenagem a ele.
Um mês e meio depois no passado dia 16 de Janeiro de 2007, dias antes de fazer 3 anos que a minha avó e sua mulher nos deixou, após o almoço o Coração já muito fraquinho deixou de bater e ele partiu…Não tendo conseguido desta vez mandar o "Anjo Negro" embora…
Quero acabar por dizer que ele, o meu Avô o meu Jaquim, sempre foi uma pessoa muito humana e solidária, sempre que alguém estava doente ou no hospital ele era a primeira pessoa a correr para dar a sua solidariedade, mas como nem todos são como ele, quero agradecer aos poucos que se preocuparam com ele e o foram visitar quando ele mais necessitou de solidariedade, um pouco de carinho e de amor… para esses o meu muitíssimo obrigado em meu nome e em nome da minha família.
No dia 17 de Janeiro de 2007, voltou definitivamente para a sua muito amada terra, onde por coincidência ficou a dormir a sono eterno, na campa atrás da sua mãe Antónia Henriques Nogueira.
A ti meu avozinho querido, deixo um último beijo carregado com aquele amor tudo que sempre me deste…
Agora descansa, bem mereces…

Henrique Tigo

sexta-feira, novembro 17, 2006

Campo de Concentração do Tarrafal


70 Anos após a Inauguração do Campo de Concentração do Tarrafal.

A Vila do Tarrafal ficou tristemente célebre por albergar um o já famoso Campo de Concentração onde eram encerrados os inimigos políticos do regime ditatorial de Prof. Oliveira Salazar.
Mas Afinal o que é um Campo de Concentração?
Campo de concentração é um estabelecimento governamental utilizado para a detenção em tempos de guerra ou, com mesma missão dos presídios, de reeducar o elemento. No entanto, é comum haver, nestes locais, prisioneiros de Guerra e membros de grupos étnicos que promovem insurreições por motivos ideológicos, políticos e até militares.
O Campo do Tarrafal foi uma das mais sinistras criações do Estado Novo era um Campo de Trabalhos forçados … um campo de exploração de mão-de-obra escrava ou mesmo extermínio de presos políticos…
A 29 de Outubro de 1936. O Campo de Concentração do Tarrafal abre as portas e acolhe “amavelmente” os primeiros “hóspedes”. É o Decreto-Lei número 26: 539 de 23 de Abril de 1936, que surgiu no âmbito da reorganização dos serviços prisionais, que passa o certidão de nascimento à “Colónia Penal”. Não se trata de uma prisão qualquer.
É um verdadeiro Campo de Concentração, construído com o objectivo de (des)“amparar” os indivíduos sobre os quais recaem “penas especiais”, tendo em conta o teor do Decreto-Lei número 26:643 de 28 de Maio de 1936, que reorganiza os estabelecimentos Prisionais. Os parágrafos 1 e 2 do artigo 2 do Decreto-lei 26:539 de 23 de Abril de 1936 não nos enganam. Dizem-nos que a “Colónia da Morte” serve para receber os presos políticos e sociais, sobre quem recai o dever de cumprir o desterro, aqueles que internados em outros estabelecimentos prisionais se mostram refractários à disciplina e ainda os elementos perniciosos para outros reclusos. Também o documento abrange os condenados a pena maior por crimes praticados com fins políticos, os presos preventivos, e, por fim, os presos por crime de rebelião.
O campo era um rectângulo (cerca de 250m por 180) situado num dos sítios mais insalubres do arquipélago de Cabo Verde. Como alojamento existiam umas barracas de lona onde eram metidos cerca de 12 presos em cada uma. As casas de banho não existiam. Havia apenas uns sanitários – toscos muros de tijolo com uns buracos no chão e umas latas de gasolina para as necessidades.
Como cozinha existia um telheiro com uns muros por onde a poeira entrava. A alimentação era péssima – havia ocasiões em que era necessário pôr bolas de algodão no nariz pois o cheiro da comida impedia que ela entrasse no estômago.
Não havia água potável. Só existia água num poço a cerca de oitocentos metros do campo, água salobra que os presos transportavam em latas de gasolina. Mesmo assim era má e em pequena quantidade, não chegando para a higiene. Tomavam banho com um único litro de água despejada de uma lata onde eram feitos uns buracos para o efeito.
A par da falta de condições das instalações, existe também o castigo da Frigideira, uma pequena construção completamente fechada cujas paredes, chão e tecto são constituídos por cimento, que era a pior “dor de cabeça” para qualquer preso. A Frigideira é uma espécie de purgatório. É um antro de cimento onde as almas ‘pecaminosas’ são levadas a “purificar”. Só que muitas delas nunca mais voltam ao “paraíso terrestre de Salazar”.
Com as dimensões de 0.60m por 1.70m de altura, o portão de ferro da Frigideira parece com as portas dos navios.
As celas são separadas por portões de ferro semelhantes. O equipamento é construído a uma distância considerável de qualquer outro compartimento da “casa da morte”, para que a sombra não proteja os seus habitantes do calor infernal que lá se faz, ficando permanentemente exposto ao raio solar durante o período diurno. No seu interior, só há dois companheiros: a solidão e o silêncio.
Dias e noites a fios, os homens que lá estão apenas “falavam” que a chuva que cai, apreciando o som da água que corre da Ribeira Prata para ir alagar os terrenos de Colonato.
Em Cabo Verde, região de clima variável, calha chover bastante nestes anos. A lona das barracas apodrecia de tal maneira que lá dentro chovia como na rua e de manhã acordavam com uma cara negra da poeira que se pega à humidade que cai. As águas acumuladas formavam pântanos onde se desenvolvem mosquitos transmissores do paludismo. A saúde de todos os, presos, arruína-se
Por outro lado, o quotidiano dos reclusos no Tarrafal era pautado principalmente pelos trabalhos forçados, pelas provocações e castigos de diversa ordem. O contacto com o exterior é escasso, sendo-lhes proibida, frequentemente, a troca de correspondência com os amigos e os familiares.
É importante não confundir campos de concentração com campos de extermínio sendo os casos mais conhecidos os Campos Nazis.
Os CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO Nazis aparecem Imediatamente a seguir à sua ascensão de Hitler ao poder em 30 de Janeiro de 1933, os nazis estabeleceram campos de concentração para prender todos os inimigos do regime como por exemplo comunistas, socialistas, monárquicos, etc. No começo de 1938 os judeus eram alvos de internamento apenas se se opusessem ao regime nazi. Só a partir do início da guerra é que passaram a ser internados devido à sua raça. Os primeiros três campos de concentração estabilizados foram Dachau (Perto de Munique), Buchenwald (perto de Weimar) e Sachsenhausen (perto de Berlim) por outro lado os CAMPOS DE EXTERMÍNIO nazis são Campos que matavam em massa os judeus e outros (ciganos, russos, prisioneiros de guerra, prisioneiros doentes). Eram conhecidos como campos de morte Auschewitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Trebelinka. Todos estavam localizados na Polónia ocupada.
Infelizmente 70 anos após a inauguração do “Campo da Morte” Português ainda existem “pessoas” capazes de negar a existência deste campo ou ainda dizerem que este campo não era assim tão mau pois existem sobreviventes que mesmo depois de lá terem estado presos anos nestas condições desumanas conseguiram chegar até hoje com 80 e 90 anos.
Que este campo de concentração não era mais que uma Colónia de Ferias onde havia Jardins e Musica entre outros divertimentos.
Curiosamente também em Auschewitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Trebelinka, também havia musica, peças de teatro, mas mesmo assim não deixaram de ser assassinados milhões de seres humanos e curiosamente até aqui houve sobreviventes que chegaram até hoje…
Longe de mim a pretensão de saber tudo sobre história muito menos sobre a evolução de um estado totalitário que governou Portugal durante décadas e que felizmente teve a sua transmissão para a Democracia à 25 de Abril de 1974.
Contudo como presente e futuro de uma geração livre e democrática, gosto de saber o que se passou, não esquecer o passado… gosto ainda de permanecer fiel aos valores humanitários e fraternos que me foram transmitidos por alguns grandes homens Português que muito lutaram para vivermos no regime politico em que hoje nos encontramos.
Oxalá que as gerações futuras nunca esqueçam aquilo que a alguma da geração anterior a minha quer apagar e que a minha começa a não ter quem lhe ensine.