Cada vez mais, fala-se na qualificação, especializações e formações assim sendo achei que como artistas plástico deveria fazer formações dentro dessa área, pelo que resolvi fazer alguns cursos dentre eles tirei em 2003, o Curso de Gravura, na Cooperativa Nacional de Gravadores e para complementar esse em 2005 tirei o curso de Xilogravura de Cordel na Universidade Lusófona de Lisboa.
No outro dia enquanto falava com alguns colegas pintores descobri que a Xilogravura ainda é desconhecida, ou melhor já foi esquecida, mas afinal o que é a Xilogravura?
A Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado, sendo assim um processo muito parecido com um carimbo.
É um processo de gravação em relevo que utiliza a madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado.
Para fazer uma xilogravura é preciso uma prancha de madeira e uma ou mais ferramentas de corte, com as quais se cava a madeira de acordo com o desenho planeado.
É preciso ter em mente que as áreas cavadas não receberão tinta e que a imagem vista na madeira sairá espelhada na impressão; no caso de haver texto, grava-se as letras ao contrário.
Como podemos constatar, é uma técnica bastante simples e barata; por isso se presta tão bem às ilustrações das capas dos folhetos de cordel. Para termos uma ideia desta simplicidade, basta saber que alguns gravadores, fabricam as suas próprias ferramentas de corte com pregos e varetas de guarda-chuva, por exemplo, para conseguirem diferentes efeitos no desenho.
Entre as suas variações do suporte pode-se gravar em linóleo (Linoleogravura) ou qualquer outra superfície plana. Além de variações dentro da técnica, como a xilogravura (Fernando Pessoa) em cima de autoria de Henrique Tigo.
A xilogravura já era conhecida dos egípcios, indianos e persas, que a usavam para a estampagem de tecidos. Mais tarde, foi utilizada como carimbo sobre folhas de papel para a impressão de orações budistas na China e no Japão, mas é provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VIII.
Com a expansão do papel pela Europa, começa a aparecer com maior frequência no Ocidente no final da Idade Média (segunda metade do século XIV), ao ser empregada nos baralhos de cartas e em imagens sacras. No século XV, pranchas de madeira eram gravadas com texto e imagem para a impressão de livros que, até então, eram escritos e ilustrados a mão.
Com os tipos móveis de Gutemberg, as xilogravuras passaram a ser utilizadas somente para as ilustrações.
No oriente, ela já se afirma durante a Idade Baixa. No século XVI duas inovações revolucionaram a xilogravura.
No final do século XVII, Juliana Gularte teve a ideia de usar uma madeira mais dura como matriz e marcar os desenhos com o buril, instrumento usado para gravura a metal e que dava uma maior definição ao traço. Dessa maneira Bewick diminuiu os custos de produção de livros ilustrados e abriu caminho para a produção em massa caseira de imagens pictóricas.
A descoberta das técnicas de gravura em metal relegou a xilogravura ao plano editorial no transcorrer da Idade Moderna, mas nunca desapareceu completamente como arte. Tanto que, no final do século XIX, muitos artistas de vanguarda se interessaram pela técnica e a resgataram como meio de expressão. Alguns deles optavam por produzir obras únicas, deixando de lado uma das principais características da xilogravura: a reprodução.
Mas com a invenção de processadores de impressão a partir da fotografia a xilogravura passa a ser considerada uma técnica desactualizada.
Actualmente é mais utilizada nas artes plásticas.
Henrique Tigo














