sexta-feira, abril 11, 2008

34 anos depois do 25 de Abril

34 Anos de Abril.

Continuando a cumprir um tradição pessoal de dar a conhecer a opinião de um jovem que nasceu no pós-Abril, depois de ter escrito dezenas de textos, artigos e até uma peça de teatro sobre o 25 de Abril de 1974, hoje que faz 34 anos após o dito Abril, trago até vós um texto introspectivo.
Toda a minha vida vivi no meio de democratas, claro que uns mais que outros, mas também vivi com pessoas ligadas ao antigo regime, e não têm as melhores impressões uns dos outros…
Mas o que é um democrata? Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa do texto editores – Tomo I de 2006 – Democrata é uma pessoa partidária da democracia ou que promove a democracia como um principio fundamental ao sistema politico ou ainda no 2. gén. Popular; Pessoa tolerante.
Mas a verdade é que passados 34 anos de Abril, voltamos a ver nas paragens dos autocarros postares gigantes do Prof. Oliveira Salazar, existem muitos mais livros hoje a enaltecer o estadista do que na sua época, ao comprarmos o Jornal oferecem-nos um livro sobre ele. Até foi eleito o Maior Português de sempre.
Quando falo com pessoas da minha geração, ninguém sabe do que estou a falar, ninguém sabe o que foi o estado novo, nem o Salazar.
Há uns dias fui convidado, por uma pessoa que viveu em prisões politicas e até num campo de concentração, pelas sua ideias politicas, para ser membro do “Movimento Não Apaguem a Memoria” e tendo eu esta paixão pela história, aceitei sem pensar duas vezes. Dias depois, estava a falar com outra antiga “vítima do fascismo” em Portugal e contei sobre o dito esse convite e, qual não é o meu espanto, quando ela me diz que achava mal, pois esse movimento deveria ser só para quem viveu nessa época. Pensei “que coisa, se não querem os jovem, para que querem o movimento? Os jovens da minha idade e mais novos pouco sabem sobre este assunto e se não os querem, como é que não se vai apagar a memória?”
Não temos um museu das vítimas do “fascismo” em Portugal, a António Maria Cardoso, foi transformada num condomínio de luxo, a escola prática de Sete Rios, foi destruída, e a única coisa que temos em Lisboa é a Biblioteca Museu da República e da Resistência, que até tem dois espaços um perto do Hospital Santa Maria e outro no Espaço Grandella, que muito pouca informação têm sobre o estado novo e muito menos sobre os “lutadores anti-fascistas”, e estão quase sempre as “moscas”, claro que não esquecemos a Fundação Mário Soares mas essa é “privada” ou semi, contudo estão a pensar em fazer um museu ao Prof. Oliveira Salazar, não digo que seja mal feito, acho só que devia haver também um museu para quem lutou pela democracia.
Por tudo aquilo que estudei no estado novo, o governo mentia e omitia ao povo, existe até uma frase famosa do Prof. Marcelo Caetano no seu programa televisivo “ Conversas em Família” “Aquilo que verdadeiramente interessa ao povo, não deixa de lhe ser dito” hoje e 34 anos passados o governo vem nos dizer que não existem Licenciados no desemprego, eu pessoalmente conheço milhares (não será isto mentir ao Povo). No estado novo, para só podíamos usar isqueiro debaixo de telha ou tínhamos uma licença ou éramos multados, hoje não podemos fumar debaixo de telha, senão somos multados.
Nos anos 60 morrem dezenas ou milhares de pessoas numas inundações em Odivelas, Santarém etc. não sabemos ao certo o número de vítima porque o estado nunca as assumiu, mas o estado novo pouco ou nada fez por essa vítimas, curiosamente quarenta anos depois dessas cheias, voltamos a ter cheias, não morrem tantas pessoas, mas a verdade é que o estado actual também nada fez pelas vítimas, mas houve um grande peditório para vítimas de inundações em Africa, esquecendo mais uma vez mas nossa vítimas internas.
Findo o estado novo, foram abolidas as gravatas, os fatos, as pessoas usavam cabelos compridos e barbas, hoje para irmos a uma entrevista de emprego, temos novamente de irmos de fato e gravata, usar cabelo “curtinho” e a sem barba.
34 Anos, depois voltamos a ser tratados conforme os nossos títulos e as nossas qualificações e mais uma vez o nosso actual estado cada vez fala mais em qualificações, especializações e formações, mas contudo somos o 3º país da Europa com mais qualificados no desemprego, no estado novo, os qualificados desde que fossem do regime tinham emprego.
Após Abril, voltamos a ver ministros do estado novo a serem ministros novamente.
Outra faceta do estado novo era a censura, censura essa que aos poucos tem vindo a voltar, claro que de uma maneira mais democrata e camuflada, mas que existe, existe…
Finalmente, temos a PIDE, dizia-se que existia pelo menos um PIDE em cada família Portuguesa, eu pessoalmente acho isso, um exagero, (em 1974 exista um total de funcionários da PIDE/DGS, no continente, ilhas e colónias era de 2626, enquanto em 1972, havia 3472), pois não podemos confundir um PIDE com um “bufo” (acredita-se que existiam em 1974, 5247 “bufos” da PIDE, uns com ordenados e outros gratuitos) e “bufos” é o que hoje temos mais...
A PIDE correspondia, afinal a uma certa força “oculta” mas sempre presente no regime de Salazar, representava o que de pior existia com o regime, pois ela informava, dissuadia, prevenia, vigiava, reprimia, destruía e representava uma sociedade que durante quase quatro décadas, a aceitou, a utilizou e encorajo-a, mas que acabou por enfrenta-la e destruí-la, claro que podemos destruir as instituições mas não podemos destruir as pessoas e o pensamento, e muitos PIDES que mataram, torturavam, etc foram reutilizados, perdoados e agraciados (claro que também, devia haver boas pessoas na PIDE, mas desses não reja a história…)
O último Director da PIDE/DGS Major Fernando Silva País, antes de ser director da mesma, tinha chefiado o serviço de fiscalização da Intendência-Geral de Abastecimento, ou seja a ASAE da altura.
Hoje com trinta anos a minha visão de Abril é muito diferente de quando tinha quinze anos, pois quanto mais, “estudo” o estado novo e o 25 de Abril, mais confuso fico…
Já nada me consegue responder à curiosidade de quem não viveu aquela época e são me dados a conhecer alguns aspectos tão variados, tão surpreendentes, que cada vez estou mais confuso.
Quando tinha quinze anos, vivia o 25 de Abril, cheio de esperança e sonhos, com um cravo na lapela, acordava no dia 25 e metia a Grândola aos berros para acordar todos, relembrado que Abril tinha chegado, olhava para livros antigos e aqueles homens eram os meus heróis (aos poucos e poucos, fui conhecendo pessoalmente alguns desse meus heróis e mudei de opinião em relação a alguns…), mas com o passar dos anos o 25 de Abril foi perdendo a “força” os valores do 25 e 26 de Abril foram esquecidos, não só para mim, mas para a sociedade em geral …
As taxas de juro não param de aumentar, assim como a gasolina, pão e o leite e mesmo que o governo negue todos os dia cresce o desemprego o descontentamento aumenta e as pessoas estão cada vez mais cinzentas, Portugueses cinzentos que se deslocam sem sentido, mas assim tudo está normal em Portugal, talvez tenhamos ter retrocedido 34 anos, ou também nunca tenhamos querido mudar…
Só fico com a tristeza de que aquele sonho bom que Abril trouxe se tenha apagado, tenho igualmente tristeza por todos aqueles que perderam anos atrás das grades ou até morreram para termos a dita democracia, e tenham de ver a democracia em que vivemos…
Mas para o ano teremos outro Abril, e para mim a esperança é a última a morrer além que ainda guardo um cravo para mim…

Henrique Tigo

sábado, março 15, 2008

Regicidio

O Regicídio


Agora que se assina-la o 100 anos do Regicídio, no qual foram assassinados El Rei D. Carlos e o Príncipe herdeiro D. Luíz Filipe.
El Rei D. Carlos e a família real regressaram a Lisboa no comboio, atravessaram o Rio Tejo no vapor da carreira e tomaram o landeau real que os devia conduzir ao Paço.
Pouca gente os esperava, quando a carruagem passava cm frente dos actuais correios, antes da esqui¬na para a Rua do Arsenal, ouviram-se deto¬nações.
Um homem correu para o landeau real, saltou para as traseiras e fulminou o Rei com dois tiros à queima-roupa, então o Prín¬cipe herdeiro D. Luís Filipe pôs-se de pé, e viu-se um atirador, encostado às arcadas, apontar-lhe uma cara¬bina e abatê-lo.
O Infante D. Manuel rece¬beu um ferimento de bala num braço, sem gravidade. Os poucos polícias que estavam na Praça correram sobre os regicidas e abateram-nos.
Disse-se depois que o grupo de¬signado para a morte do Rei era formado por cinco pessoas, mas no pânico que se es¬tabeleceu os outros conseguiram fugir.
Os regicidas foram mais tarde identificados, como Alfredo Costa, jovem de 23 anos que viera para Lisboa co¬rno caixeiro, mas sentia-se escritor, fundara o jornal "O Caixeiro" de que era director, e editava livros em fascículos, que vendia de porta em porta juntamente com propagan¬da republicana. Era um conspirador muito activo, organizador de grupos revolucioná¬rios civis que deviam intervir na preparada revolta, e mantinha relações com oficiais e dirigentes republicanos.
Foi ele quem sal¬tou sobre a carruagem e assassinou o Rei. O atirador que escondia a carabina sob um gabardo de Aveiro era Manuel Buiça, trans¬montano, antigo sargento de cavalaria, professor de ensino particular. Eram, ambos, pessoas de certa autoridade nos meios re¬volucionários e dentro do seio da Carbonária.
O processo de investigação criminal desa¬pareceu, logo após a proclamação da Repú¬blica, em 1910, e não se conhecem inteira¬mente as responsabilidades dês do regicídio de 1908. É certo que a ideia de abater o Rei tinha sido mais de unia vez encarada pelos conspi¬radores da Carbonária.
Desde do Regicídio que tem havia uma grande discussão pública, foi a Carbonária ou a Maçonaria que organizou o atentado com El Rei, exista quem diga que as duas organizações são a mesma, eu pessoalmente não concordo.
Pois o que é a Maçonaria afinal?
Antes de dar uma definição real da Maçonaria, come¬ço por explicar o significado do seu nome. Mas... de que nome?
Porque existe um total de quinze vocábulos para designar os seus membros: franco-mações, franc-masones, frarnassoni, franc-ma-çons, freemaxon, free-macsons, frey-metzelers, frimureríet, liberi muratori, libres muradores, mu-radores, pedreiros livres, vrye metzelears. De todos eles, o mais utilizado é o nome de mações ou franco- -macões.
Estas expressões provêm das palavras inglesas free (livres) e massons (pedreiros) ou das fran¬cesas franc e maçon, que significam o mesmo. Segundo alguns livros, a Maçonaria, é a arte de edificar.
Mas a arte de edificar é própria daqueles que praticam a ciência da Arquitectura, e não dos que fazem parte da Maçona¬ria; por isso, muitos tentam en¬contrar uma verdadeira explica¬ção do que significa essa socieda¬de. Expõem-se seguidamente al¬gumas definições mais representa¬tivas, que lutam por ser as verda¬deiras:
a) O Dicionário da Real Acade¬mia Espanhola da Língua define a Maçonaria como «uma associação secreta em que se usam vários símbolos retirados da arte dos pedreiros; como esquadros, níveis, etc».
b) Segundo o Dicionário Enci¬clopédico da Maçonaria, a Maçonaria é «união associação universal, filantrópica, filosófica e progressiva», procura inculcar nos seus adeptos o amor pela ver¬dade, pelo estudo da moral uni¬versal, pelas ciências e artes, de¬senvolver no coração humano os sentimentos de abnegação e cari¬dade, a tolerância religiosa, os de¬veres da família; tende a extinguir os ódios raciais, os antagonismos de nacionalidade, de opiniões e de interesses, unindo todos os homens por laços de solidariedade e liberdade confundindo-os num terno afecto de mútua correspondência.
Pro¬cura, enfim, melhorar a situação social do homem por todos os meios lícitos e especialmente pela instrução, o trabalho e a beneficência. Tem por divisa «liberda¬de, igualdade e fraternidade».
c) Se aceitarmos a definição de Fay, chegamos à conclusão de que «a Franco-Maconaria não é um partido, não é uma seita, não é uma corporação, não é uma academia, embora seja isso tudo ao mesmo tempo.
Então e o que é a Carbonária?
A Carbonária Portuguesa era uma ligação sem ligações orgânicas à maçonaria portuguesa ou de obediência e foi fundada em 1896, Luz de Almeida, o grande impulsionador e dirigente daquela organização, descreveu com algum pormenor os trabalhos de fundação da mesma e sua metamorfose na Carbonária Portuguesa.
“…Tudo começou numa reunião ocorrida em casa de Adolfo Bordalo, aluno da Escola de Agronomia e Veterinária e na qual participaram numerosos estudantes, entre os quais diversos subscritores do Manifesto Republicano Académico: Francisco Cristino da Silva, José Cordeiro, Henrique Caldeira Queirós, João Gonçalves, Carlos Amaro, José Soares, Carlos Marques, José Barroso e Emílio Costa…”
A Carbonária estruturava-se em quatro lojas, cada qual com um Venerável eleito, tinha um Conselho Director constituído por um presidente — Luz de Almeida — e pelos quatro Veneráveis das Lojas que eram Caldeira Queirós, José Cordeiro, Carlos da Silva Pestana e Ivo Salgueiro. Durante o ano de 1897, toda a actividade na Academia de Lisboa foi orientada por este grupo de estudantes através das diversas organizações, legais ou ilegais. No centro de tudo estava a Carbonária, que não se tratava já de um simples grupo revolucionário, de carácter secreto, mas duma sociedade secreta, com direcção, estatutos, quotização, etc.
A Carbonária: tinha então as seguintes Lojas: Independência, Justiça, Pátria e Futuro, passavam a Choças, sendo os seus membros divididos em grupos de vinte. Cada um desses grupos, ou choças, adoptou um título da sua livre escolha.
Foram vinte as choças que se criaram. Os presidentes dessas choças formaram a Alta-Venda - provisória, que era uma espécie de Parlamento Carbonário que, ao inaugurar os seus trabalhos, elegeu um Bom Primo a quem conferiu plenos poderes para, secretamente, escolher, entre os membros daquela entidade, quatro Bons Primos que, juntamente com ele, constituíram a Suprema Alta-Venda.
Numa das primeiras sessões de Alta-Venda, efectuada num 1.° andar desabitado do Largo de Silva e Albuquerque, que o republicano Silva Fernandes tinha posto à disposição, foi apresentada uma proposta para serem admitidos elementos populares na Carbonária Portuguesa. A discussão dessa proposta foi bastante agitada, originando a sua aprovação a saída de vários académicos. José Maria Furtado de Mendonça, absolutamente contrário à admissão de populares, abriu a dissidência, arrastando consigo Francisco Cristino da Silva, Manuel Marques, José Viale e outros estudantes pertencentes à Alta-Venda.
Os populares iniciados foram distribuídos pelas Choças que tinham ficado incompletas com a saída de bastantes académicos. Das Choças mistas passou-se às populares. Os primeiros populares - operários, quase todos - foram iniciados na antiga Rua de S. Roque, 107, último andar - sede provisória da Carbonária Portuguesa. A primeira Choça popular foi registada com o título de República. A seguir, fundaram-se as Choças «Marselhesa», «Companheiros da Independência», «Mocidade Operária», -Amigos da Verdade», da qual era presidente António Francisco Gonçalves, -Sentinela dos Bosques», presidida por Ferreira Manso, «Defensores da Pátria, por Silva Línis, -Progresso», por Carlos Pinto Furtado da Luz, -Termídor», por Vicente de Almeida Freire, etc. A Alta-Venda foi dissolvida. A Suprema Alta-Venda desapareceu da organização, passando os seus membros para a nova Alta-Venda, que ficou sendo o Corpo dirigente da Carbonária Portuguesa.
Fizeram parte desta Venda Superior quatro académicos: Luz de Almeida, presidente, José Maria Cordeiro, Ivo Salgueiro, José Soares e o popular Silva Fernandes. As diferentes secções da Carbonária tinham as seguintes denominações: Choças. Barracas, Vendas e Alta-Venda. Os Bons Primos, que pertenciam às Choças, possuíam os graus primeiro e segundo - Rachadores e Carvoeiros - e eram presididos por um carbonário decorado com grau terceiro - Mestre. Às Barracas e Vendas só pertenciam os Mestres, presidentes de um certo número de Choças ou Barracas.
Sobre a actividade da Carbonária após o 5 de Outubro de 1910, ou seja após o fim da Monarquia e implantação da República também não abundam informações.
Só sabemos que teve um papel importante na mobilização contra as incursões monárquicas de 1911 e 1912, mas as dissenções que dilaceravam o Partido Republicano Português e que levaram a sua fragmentação irão pôr um ponto final nessa organização que tanto fez cm prol da proclamação da República. Continuaram, certamente, a existir grupos de cariz carbonário, mas a velha carbonária, unitária, essa desapareceu para sempre. Em boa verdade, o seu objectivo fundamental tinha siclo alcançado... a implantação da República.
Os conspiradores que assaninaram El Rei e o Príncipe eram membros da Carbonária e não da Maçonaria, penso que este artigo possa esclarecer algumas dúvidas entre a Maçonaria e a Carbonária no Regicídio de 1908.


Henrique Tigo


Fontes:
CIDADE, Hernâni, História de Portugal, Implantação do Regime Liberal – Da Revolução de 1820 à Queda da Monarquia, VOL. VII, QN, Edição e Conteúdos S. A 2003, pp113- 115,
SARAIVA, José Hermano, História de Portugal, Vol 5, Publicações Alfa, Lisboa 1984
MATTOSO José, História de Portugal, sexto volume – Segunda Fundação, Edições Circulo dos Leitores, 1998, Lisboa.
CHAPUIS, F, Abreviaturas Maçónicas, 1937
FISCH, JCA – Iniciação à Filosofia da Franco-maçonaria, 1863
ALMEIDA, Luís, A obra revolucionaria de propaganda das sociedades secretas, Lisboa, 1932, Vol.II.
História do Regime Republicano em Portugal, Dir de Luís Montalvor, Lisboa 1933, Vol II pp 202-256.
VENTURA, António, A Carbonária em Portugal, CML, Lisboa 1999

segunda-feira, março 03, 2008

Xilogravura

XILOGRAVURA de Cordel



Cada vez mais, fala-se na qualificação, especializações e formações assim sendo achei que como artistas plástico deveria fazer formações dentro dessa área, pelo que resolvi fazer alguns cursos dentre eles tirei em 2003, o Curso de Gravura, na Cooperativa Nacional de Gravadores e para complementar esse em 2005 tirei o curso de Xilogravura de Cordel na Universidade Lusófona de Lisboa.
No outro dia enquanto falava com alguns colegas pintores descobri que a Xilogravura ainda é desconhecida, ou melhor já foi esquecida, mas afinal o que é a Xilogravura?
A Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado, sendo assim um processo muito parecido com um carimbo.
É um processo de gravação em relevo que utiliza a madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado.
Para fazer uma xilogravura é preciso uma prancha de madeira e uma ou mais ferramentas de corte, com as quais se cava a madeira de acordo com o desenho planeado.
É preciso ter em mente que as áreas cavadas não receberão tinta e que a imagem vista na madeira sairá espelhada na impressão; no caso de haver texto, grava-se as letras ao contrário.
Como podemos constatar, é uma técnica bastante simples e barata; por isso se presta tão bem às ilustrações das capas dos folhetos de cordel. Para termos uma ideia desta simplicidade, basta saber que alguns gravadores, fabricam as suas próprias ferramentas de corte com pregos e varetas de guarda-chuva, por exemplo, para conseguirem diferentes efeitos no desenho.
Entre as suas variações do suporte pode-se gravar em linóleo (Linoleogravura) ou qualquer outra superfície plana. Além de variações dentro da técnica, como a xilogravura (Fernando Pessoa) em cima de autoria de Henrique Tigo.
A xilogravura já era conhecida dos egípcios, indianos e persas, que a usavam para a estampagem de tecidos. Mais tarde, foi utilizada como carimbo sobre folhas de papel para a impressão de orações budistas na China e no Japão, mas é provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VIII.
Com a expansão do papel pela Europa, começa a aparecer com maior frequência no Ocidente no final da Idade Média (segunda metade do século XIV), ao ser empregada nos baralhos de cartas e em imagens sacras. No século XV, pranchas de madeira eram gravadas com texto e imagem para a impressão de livros que, até então, eram escritos e ilustrados a mão.
Com os tipos móveis de Gutemberg, as xilogravuras passaram a ser utilizadas somente para as ilustrações.
No oriente, ela já se afirma durante a Idade Baixa. No século XVI duas inovações revolucionaram a xilogravura.
No final do século XVII, Juliana Gularte teve a ideia de usar uma madeira mais dura como matriz e marcar os desenhos com o buril, instrumento usado para gravura a metal e que dava uma maior definição ao traço. Dessa maneira Bewick diminuiu os custos de produção de livros ilustrados e abriu caminho para a produção em massa caseira de imagens pictóricas.
A descoberta das técnicas de gravura em metal relegou a xilogravura ao plano editorial no transcorrer da Idade Moderna, mas nunca desapareceu completamente como arte. Tanto que, no final do século XIX, muitos artistas de vanguarda se interessaram pela técnica e a resgataram como meio de expressão. Alguns deles optavam por produzir obras únicas, deixando de lado uma das principais características da xilogravura: a reprodução.
Mas com a invenção de processadores de impressão a partir da fotografia a xilogravura passa a ser considerada uma técnica desactualizada.
Actualmente é mais utilizada nas artes plásticas.

Henrique Tigo

Geopolítica de Portugal

Situação Geopolítica de Portugal.

O nosso País é um dos países da Europa, o seu território é composto por uma faixa continental no ocidente da Península Ibérica e pelas Regiões Autónomas dos Açores (composto por sete ilhas) e da Madeira (composto por duas ilhas) com a área de 92 151,8 Km2.
Sendo as suas coordenadas: 42º - 37º lat. N; 9º - 6º long.W
O território de Portugal Continental, tem uma faixa que se estende de norte para sul por pouco mais de 500 Km, e de leste para oeste por cerca de 150 Km, mesmo assim e como um território tão pequeno a sua superfície têm intensos fenómenos orogenéticos e deram origem a uma fascinante variedade morfológica.
A capital é Lisboa, sendo as outras cidades principais Porto, Setúbal, Coimbra, Braga, Faro, Ponta Delgada (Região Autónoma dos Açores) e Funchal (Região Autónoma da Madeira).
Há uma bipolarizacão da rede urbana nos grandes Centros de Lisboa e Porto, com cerca de 2,5 e 1,3 milhões de habitantes respectivamente tendo Lisboa 25,7% e o Porto 12,1%) que se traduz numa maior densidade de povoamento no litoral em relação ao interior e do norte em relação ao sul.
A sua população é de 10 356 117 habitantes e a densidade populacional é de 113,0 habitantes por Km2: 111,5 no Continente, 102,8 nos Açores e 308,4 na Madeira, e a sua esperança de vida é de 74 anos (H) e de 81 anos (M).
Existem comunidades de emigrantes portugueses por todo o mundo, radicadas principalmente no Brasil, França, África do Sul, Estados Unidos da América, Venezuela, Alemanha, Canadá, Luxemburgo e Suiça.
Nos anos setenta dizia-se que Paris em França, era a terceira maior cidade de Portugal, pois tinha tantos habitantes (Portugueses) como o Porto.
A partir dos anos 80, têm aumentado as correntes migratórias, registando-se já uma considerável comunidade de imigrantes, sobretudo de nacionais dos países africanos de língua oficial portuguesa, bem como de brasileiros, já que as afinidades culturais e linguísticas constituem um factor de atracção. Mais recentemente, tem vindo também a verificar-se um afluxo crescente de cidadãos do teste europeu.
Organizado em República desde 1910. Portugal conseguiu a democracia nos anos setenta, quando o golpe pacífico da "revolução dos cravos" a 25 de Abril de 1974 pôs fim ao Estado – Novo que teve como presidentes do Conselho Prof. Oliveira Salazar e o Prof. Marcelo Caetano.
Com essa revolução o Conselho da Revolução transferiu os poderes para o vencedor das primeiras eleições livres em 1976, a Constituição de 2 de Abril de 1976 foi modificada em 1982 (com a eliminação da tutela dos militares e a redução dos poderes presidenciais), em 1989.
Actualmente a República Portuguesa rege-se pela Constituição aprovada em 2 de Abril de 1976 e cuja última revisão data de 12 de Dezembro de 2001 (Lei Constitucional n.º 1/2001).
O sistema de governo consagrado é semi-presidencial, havendo equivalência de poderes entre a Assembleia da República e o Presidente da República.
Os órgãos de soberania são:

- O Presidente da República, eleito por sufrágio universal, directo e secreto por um período de cinco anos;
- A Assembleia da República, eleita por sufrágio universal, directo e secreto, por um período de quatro anos;
- O Governo, cujo Primeiro-Ministro é nomeado pelo. Presidente da República, ouvidos os partidos políticos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais;
- Os Tribunais.
Entre os direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição contam-se a liberdade de consciência, religião e culto.
A Igreja Católica e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização, no exercício das suas funções e do seu culto, embora a população portuguesa é, por tradição, maioritariamente de religião católica (92.2%).
Portugal tem actualmente relações diplomáticas com quase todos os países do mundo.
Portugal ainda é membro:
- da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) (1949);
- da Organização das Nações Unidas (ONU) (1955);
- da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econó¬mico (OCDE) (1962);
- do Conselho da Europa (1976);
- da União Europeia (UE) (1986).
Assim se faz uma pequena analise Geopolítica do nosso Portugal.

PIDE

A História da PIDE -



Normalmente não faço critica literária, mas este Natal (2007), recebi alguns livros de entre os quais, recebi um (especial, pois fala de um tema que me é querido) é sobre ele que vos vou fala agora.
“A História da PIDE” de Irene Flunser Pimentel, este livro falamos da polícia política do Estado Novo e do Marcelismo, entre 1945 e 1974, com o objectivo mais amplo de caracterizar a repressão politica exercida pelo regime do Prof. António de Oliveira Salazar e do Prof. Marcelo Caetano.
A polícia política do Estado Novo independente do nome tinha como principal função combater os ditos «crimes políticos», considerados contra a segurança externa e interna do Estado Português.
Sou um produto do pós 25 de Abril de 74, ao longo do meu crescimento conheci pessoas dos dois lados da barricada, conheci “PIDES” e conheci “presos políticos” e como é normal cada um acha que a razão está do seu lado.
Mas como sempre achei, que no meio é que está a virtude, ao longo dos anos tenho vindo a estudar este capítulo da nossa história, tenho varias centenas de livros sobre o Estado Novo e sobre a PIDE.
Mas acho que este é sem dúvida a melhor obra que se escreveu sobre esta polícia política, pois aborda todos os lados da questão desde os seus poderes, funções e poderes, passando pelos seus principais adversários, os informadores e a informação a vigilância e à investigação, as prisões, os julgamentos e a defesa dos presos políticos e até a PIDE/DGS e as Forças Armadas e finalmente o MFA.
A autora falamos, nos diversos perigos epistemológicos de fazer uma obra estas e conta-nos que para fazer esta obra, optou por recorrer sobretudo à documentação escrita do arquivo da própria PIDE/DGS, arquivos esse que após vários anos finalmente em 1994, ficaram disponíveis para serem consultados, mas claro com algumas restrições.
A PIDE - Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) foi criada em 1945 a 22 de Outubro, a partir da PVDE Policia de Vigilância e Defesa do Estado criada em 1933.
Nos termos do preâmbulo deste diploma, a PIDE é concebida como "organismo autónomo da Polícia Judiciária", invocando-se para o efeito o modelo da Scotland Yard.
Colocada na dependência do Ministério do Interior, a PIDE dispunha de competência para proceder à instrução preparatória dos processos respeitantes a crimes contra a segurança do Estado (entre outros), para sugerir a aplicação das medidas de segurança e para a definição do regime de prisão preventiva e liberdade provisória dos arguidos.
A PIDE tinha essencialmente duas funções: a função administrativa em que se encarregava-se dos serviços de emigração e passaportes, de passagem de fronteiras terrestres e marítimas e, enfim, de permanência e trânsito de estrangeiros em Portugal.
E a função de repressão e de prevenção criminal a qual lhe competia a instrução preparatória dos processos respeitantes aos crimes de estrangeiros relacionados com a sua entrada ou com o regime legal da sua permanência em território nacional; às infracções relativas ao regime da passagem nas fronteiras terrestres e marítimas; aos crimes de emigração clandestina e aliciamento ilícito de emigrantes e aos crimes contra a segurança exterior e interior do Estado.
O ano de 1945 – ano da criação da PIDE – é marcado por uma viragem qualitativa da repressão política, apoiada nas seguintes medidas como a criação do Tribunal Plenário Criminal, com abandono do modelo de justiça castrense especial; no domínio da actividade policial, reorganização da polícia judiciária e atribuição às polícias de competência legal para proceder, em detrimento do poder judicial, à instrução dos processos, com uma autonomia quase plena na determinação da prisão preventiva; extensão progressiva das medidas de segurança ao campo da "delinquência política"
Em 1949 foi criado o Conselho de Segurança Pública, destinado à coordenação dos diferentes órgãos de segurança pública. Mais tarde, em 1954, a PIDE foi reorganizada. Criou-se o quadro para as ilhas adjacentes e o ultramar e determinou-se que seria a única entidade responsável pela troca de informações com serviços estrangeiros.
A actividade de recolha de informações, concentrada na PIDE, contou com diversos instrumentos: uma rede policial diversificada; a acção vigilante das autoridades administrativas, da Legião Portuguesa e de cidadãos anónimos; diversas prisões e campos penais privativos: o presídio de Angra do Heroísmo, nos anos 30, o campo do Tarrafal, a Cadeia do Aljube, em Lisboa, o Reduto Norte do Forte de Caxias e o Forte de Peniche; colaboração de uma parcela significativa da magistratura, designadamente ao nível dos "tribunais plenários"; cooperação com outras entidades ligadas à recolha de informações, como o Gabinete dos Negócios Políticos (Ministério do Ultramar), a Direcção-Geral dos Negócios Políticos e a 2ª Repartição do Secretariado-Geral da Defesa Nacional e o uso da tortura e da pressão psicológica, que foram uma constante ao longo do Estado Novo: milhares de cidadãos foram presos ou "internados", muitos detidos morreram na prisão, outros saíram dela com graves perturbações psíquicas ou em estado de saúde muito debilitado.
A Guerra de África levou ao reforço dos serviços de informações militares e da actividade da PIDE nas colónias portuguesas.
O general Venâncio Deslandes, Governador-Geral de Angola, decidiu criar um Serviço de Centralização e Coordenação de Informações. Este serviço foi dirigido em Angola pelo major Silva e Sousa. Em Moçambique e na Guiné foram organizados serviços semelhantes.
Em 1969, o governo de Marcello Caetano extinguiu a PIDE e criou, em sua substituição, a Direcção-Geral de Segurança (DGS), regulamentada a 30 de Setembro, a DGS teve como último director o major Silva Pais.
Na sequência da revisão constitucional de 1971, o Código Penal foi revisto em 1972. Da autoria do Professor Cavaleiro de Ferreira, esse diploma, para além do mais, limitou a prorrogação das medidas de segurança. No mesmo ano, foi aprovado o Decreto-Lei nº 450/72, de 14 de Novembro, que aboliu a medida de segurança de internamento para delinquentes políticos e, em articulação com a revisão do Código Penal, aligeirou as penas aplicáveis à criminalidade política.
Com o golpe de Estado do MFA, “Revolução dos Cravos” levada a cabo a 25 de Abril de 1974, a DGS foi imediatamente extinta, mas só na metrópole, pois o diploma que a extinta especifica que no Ultramar seria reorganizada em PIM – Policia de Informação Militar, mas só nas províncias em que havia operações militareis.
Só a 24 de Junho de 1974, foi criado a Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e da Legião Portuguesa, este serviço existiu até a sua dissolução em 1982.
Assim levanto um pouco do véu, deste livro que para todos como eu, são amantes da história e que acham que ainda não foi tudo dito sobre o “braço armado” do Estado Novo, encontram nesta obra uma fonte de informação e esclarecimento de muitas dúvidas… sem dúvida, uma obra a não perder.

Alcochete versus Tratado de Lisboa.

Alcochete versus Tratado de Lisboa.

Como técnico de geografia e Português, tenho acompanhado com bastante interessado, o caso Novo Aeroporto de Lisboa, OTA, Alcochete ou Portela +1.
Já nos meus tempos de faculdade, dos docentes nos falavam sobre este caso, que virou “telenovela” com este governo.
No outro dia vi a repetição do "Expresso da Meia-Noite" na SIC Notícias, e foi com enorme prazer “intelectual” que ouvi três importantes personalidades da nossa Engenharia os Prof. Eng. Leite Pinto, Nunes da Silva e José Manuel Viegas, que dissertaram sobre as razões da escolha do Campo de Tiro de Alcochete para instalação do Novo Aeroporto de Lisboa.
Fizeram-no de forma exemplar e distinta, baseados na sua enorme competência técnica e experiência empresarial que, por alguma razão, os tornou dos expoentes máximos no meio.
Numa mesa redonda em que os três jornalistas presentes o convidado José Manuel Mestre e os apresentadores Ricardo Costa e Nicolau Santos - reduziram ao mínimo as suas intervenções, o que só valorizou o seu desempenho como excelentes profissionais, que o são.
Confesso que estava um programa extremamente bem feito e fiquei quase convencido, com a escolha do Campo de Tiro para o novo Aeroporto de Lisboa, não tivesse as minhas próprias convicções, mas não é isso que interessa agora.
Mas o que é que isto tem a ver com o chamado "Tratado de Lisboa"?
Já repararam com é que o nosso digníssimo Primeiro-ministro Eng. Sócrates de uma só cajadada, matou dois coelhos, senão reparem apesar de já saber há mais de um mês as conclusões do estudo do LNEC, só agora o divulgou para quebrar as possíveis “talvez” naturais, mas as evidentes ondas de choque que a decisão sobre o Tratado de Lisboa estava a provocar.
Assim e com a divulgação de uma decisão importante, como é a mudança de opinião do Governo sobre a localização do Aeroporto, que é um assunto de âmbito meramente nacional calou-se, por falta de espaço disponível nos “media", todos aqueles que quisessem manifestar a sua repulsa por terem sido impedidos de manifestarem, em referendo, a sua opinião sobre um papel que, a curto prazo vai retirar a todos nós os Portugueses, numa importante fatia da pouca soberania que nos resta.
É que para mim, o que consta do texto do Tratado de Lisboa é que aos poucos e poucos vão retirar-nos o nosso orgulho e a nossa identidade Lusa.
Sou Português, não sou nacionalista, mas não me sinto a 100% europeu, aliás como alguns milhões de Portugueses, sou um produto do pós 25 de Abril e nasci em Portugal e não na CEE ou UE.
É que aos poucos e poucos tenho visto, desaparecer o Portugal que onde nasci, desapareceram os escudos e nasceram os Euros, que sinceramente não gosto e que preferia não ter…Tenho visto nascerem regras e normas que a comunidade europeia, nos obriga a cumprir, como esta nova parvoíce da Lei do Tabaco…
Estou cansado que nos atirem areia, para os olhos, afinal de contas o aeroporto fica aonde? E quando vamos ter o referendo que nos foi prometo?.
Quando era jovem, sempre me disseram, uma pessoa sem educação não temos futuro, uma pessoa sem curso não tem trabalho… depois ouvi os sucessivos governos, disseram que não temos quadros superiores suficientes, que os Portugueses têm de se especializar, mas o que vejo eu… os recém licenciados, estão desempregados ou a fazerem outras coisas que não a exercerem o curso que tiraram, vejo que cada vez existem mais desempregados em Portugal, mas que têm aumentado as correntes imigratórias quer dos países africanos de língua oficial portuguesa e de brasileiros, quer mais recentemente de cidadãos dos leste da Europa.
Os cidadãos estrangeiros a viver em Portugal, com a sua situação regularizada, são cerca de 435 000, e um sem número de estrangeiros ilegais, e todos os dias estes números aumentam, assim como o número do desemprego.
Temos uma população envelhecida, e então o que é que o governo faz, aumenta os anos de trabalho e congela os empregos, levando a que os recém-licenciados, a se virarem para fora a procura de trabalho, e após de anos e anos de emigração, e quando os números estavam a acalmar, o número de emigrantes está novamente a aumentar, só em 2002 houve 27 358 portugueses, tiveram de emigrar e o que é mais curioso, é que grande parte deste emigrantes foram recém-licenciados que não encontraram colocação para seus cursos em Portugal.
Mas em vez de estarmos preocupados com estes factos e com estes números, estamos preocupados com aeroportos, tratados e vamos vivendo na terra dos sonhos…

segunda-feira, dezembro 10, 2007

PAI NATAL


Pai Natal

Muitos estudiosos afiançam que a figura do bom velhinho Pai Natal é um homem bonacheirão e gorducho de faces rosadas e barba branca, vestido de fato vermelho, a conduzir um trenó, pelos céus, puxado a oito renas.
Segundo reza a história, desce pela chaminé e deixa presentes na árvore de Natal, no sapatinho e nas peúgas de todas as crianças bem comportadas, foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.
O bispo Nicolau, foi transformado em Santo após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele, entre eles estão o salvamento de três oficiais condenados injustamente, interveio para preservar a honra de três donzelas, salvou barcos a afundarem-se, ressuscitou crianças, etc...
São Nicolau viajava montado num burro, por este motivo, em algumas regiões de França, as crianças colocam debaixo do pinheiro de Natal, um copo de vinho para o Pai Natal e uma cenoura para o burro.
Quando era criança na minha casa, ainda no Bairro Alto, onde vivi 11 anos, todos os Natais o Pai Natal ia-nos fazer uma visita e o meu Pai deixava-lhe uma cálice de vinho do Porto, como agradecimento, pelas prendas que ele me deixava, e posso dizer que era uma criança que tinha mesmo muitas prendas.
Um dos Pais do actual Pai Natal foi o professor de literatura grega da Universidade de Nova Iorque Clemente Clark Moore, que em 1822 escreveu um poema com o título "Uma visita de São Nicolau", nesse poema, ele divulgava a versão de que o Pai Natal ele viajava num trenó puxado por varias renas.
Tendo sido este escritor que popularizou outras características do nosso querido Pai Natal, como o fato vermelho entrar pelas nossas chaminés.
Ao longo dos anos a imagem do Pai Natal tem sofrido algumas alterações, mas o visual que todos conhecemos devesse ao designer Thomas Nast, que 1886 na Edição de Natal da sua revista a Harper’s Weekly, desenhou o primeiro Pai Natal com um gorro Vermelho e um fato vermelho e branco.
Mas a imagem que hoje melhor conhecemos do Pai Natal essa foi criada pela Coca-Cola, para a sua campanha publicitaria de Natal de 1931, sendo a que persiste desde então.
Como se chama então o Pai Natal por todo o Mundo[1]
Portugal: Pai Natal, Brasil: Papai Noel, Alemanha: Nikolaus (ou Weihnachtsmann - literalmente, "homem do Natal"), Chile: Viejito Pascuero; Colômbia: Papá Noel ou Santa Claus, Dinamarca: Julemanden, Espanha, Argentina, Paraguai, Peru e Uruguai: Papá Noel, Estados Unidos: Santa Claus Finlândia: Joulupukki, França: Père Noël, Inglaterra: Father Christmas, Países Baixos: Sinterklaas, Itália: Babbo Natale, México: Santa Claus, República Dominicana: Santa Claus Pronunciado como Santa Clo o às vezes Santi Clo, Porto Rico: Santa Claus (Pronunciado en Puerto Rico, "SantaClo'" devido ao spanglish) e na Rússia: Ded Moroz.
Eu pessoalmente sou um grande fã do Pai Natal, quando chega o Natal tenho a casa cheia de Pais Natais, e no dia 24 de Dezembro, à noite, irei deixar a janela aberta (pois não tenho chaminé) com uma cálice de vinho do Porto a sua espera…

[1] http://pt.wikipedia.org

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Árvore de Natal


Árvore de Natal




Esta semana estive a fazer a minha árvore de Natal com a minha mulher. Para mim a árvore é um símbolo da vida e de tradição natalícia, sendo esta muito mais antiga do que o Cristianismo e não é um costume exclusivo de nenhuma religião em particular.
Muito antes da tradição de comemorar o Natal, os egípcios já levavam galhos de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano, em Dezembro, simbolizando, o triunfo da vida sobre a morte.
Era normalmente um pinheiro ou abeto, hoje em dia é de plástico, que na altura do Natal, normalmente entre 15 dias a 1 mês antes é enfeitado e iluminado, especialmente nas casas particulares, mas também temos árvores gigantes nos Centros Comerciais e em Portugal até temos a maior árvore de Natal da Europa com 76 metros de altura, que este ano está na Avenida dos Aliados no Porto.
Mas voltando as tradições da dita árvore, já os romanos embelezavam árvores em honra de Saturno, o seu Deus da agricultura, mais ou menos na mesma época em que hoje preparamos a Árvore de Natal, ainda nas culturas célticas, os druidas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maças douradas para festividades também celebradas na mesma época do ano.
Segundo a tradição de São Bonifácio, no século VII, era um pregador na Turíngia (uma região da Alemanha) e que usava o perfil triangular dos abetos com símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, o carvalho, até então considerado como símbolo divino, foi substituído pelo triangular abeto.
Finalmente na Europa Central, no final do século XII, penduravam-se árvores com o ápice para baixo em resultado da mesma simbologia triangular da Santíssima Trindade.
Mas a 1ª referência a uma “Árvore de Natal”, diz-se que surgiu no século XVI e que foi nessa altura que ela se vulgarizou pela Europa Central em 1510.
Foi então Lutero o “pai” da reforma protestante, que depois de um passeio, pela floresta em pleno Inverno, numa noite de céu limpo e de estrelas brilhantes trouxe essa imagem à família sob a forma de uma “Árvore de Natal” com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas, isto porque para ele o céu devia ter estado no dia do nascimento do Menino Jesus.
Então o costume enraizou-se pela Alemanha, nas famílias, ricas e pobres, decoravam as suas árvores com frutos secos, além de doces e flores de papel, isto possibilitou que surgisse uma indústria de decorações de Natal, em que a Turíngia se especializou, devido a sua antiga tradição.
Desde o início do século XVII, a Grã-Bretanha começou a introduzir da Alemanha esta tradição, pelas mãos dos monarcas de Hannover. Contudo a tradição só se consolidou na Grã-Bretanha após a publicação pela “Illustrated London News”, de uma imagem da Rainha Vitória e do Príncipe Alberto com os seus filhos, junto à Árvore de Natal no castelo de Windsor, no Natal de 1846.
Esta tradição estendeu-se, então, por toda a Europa e chegou até aos EUA na altura da guerra da independência pelas mãos dos soldados alemães. A tradição só se consolidou uniformemente dada a divergência de povos e culturas.
Até que em 1856, o 28° Presidente dos EUA, Woodrow Wilson, introduziu na Casa Branca uma árvore de Natal e a tradição mantém-se desde então.
A árvore de Natal tem uma origem pagã, esta predomina nos países nórdicos e no mundo anglo-saxónico. Assim nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi despertando pouco a pouco ao lado dos já tradicionais presépios, e são a grande tradição nacional deste tempos idos, pois a aceitação da Árvore de Natal é relativamente recente quando comparada com os restantes países.
O Estado Novo e o Prof. Salazar não viam com bons olhos a dita Árvore, só a partir dos anos 50, este símbolo começa a ser visto nas cidades, mas nos campos era simplesmente ignorada. Ninguém sabe quem a introduziu nos nossos costumes e tradições, sabemos somente que foram os ricos que as levaram da cidade para os campos, mas a verdade é que hoje em dia, a Árvore de Natal já faz parte da tradição natalícia portuguesa e já todos se renderam a ela, eu pessoalmente já não sei o que seria o Natal sem a minha Árvore e todas a s decorações inerentes a ela.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Bolo-Rei

Bolo-Rei




Qual será a mesa Portuguesa, que não tem o Bolo-Rei nas suas mesas na altura das festas?
O Bolo-Rei mantém-se como o doce tradicional do Natal, sendo o bolo mais vendido na altura natalícia, mas curiosamente este bolo não teve a sua origem no nosso País, mas sim em França e apenas chegou a Portugal no século XIX tendo chegado primeiro em Lisboa e só depois no Porto, o Bolo-Rei foi trazido por dois pasteleiros franceses.
Não deixa de ser curioso que Portugal, tendo uma tradição doceira tão boa, variada e tão rica tenha adoptado um bolo Francês, como bolo oficial do nosso Natal.
Ninguém sabe bem porque motivo de chamou Bolo-Rei a este bolo, pois ele esta associado aos Reis Magos, contudo dos três Reis Belchior, Baltazar e Gaspar que foram a Belém para saudar o Deus-Menino, levar Incenso, Mirra e Ouro, e não um bolo, mas tudo bem, pode ser uma simples homenagem...
Na minha modesta opinião o Bolo-Rei não é assim grande coisa, poderíamos ter escolhido para bolo oficial do Natal, algo bem nacional tal como o pão-de-ló, bolo real, bolo príncipe, bem mas lá foi eleito o Bolo-Rei.
Em Portugal, foi comercializado pela primeira vez em 1869 na Confeitaria Nacional pelo senhor Baltazar Rodrigues Castanheiro Júnior que tinha herdade a Confeitaria do seu pai Baltazar Sénior, tendo sido o mestre confeiteiro Gregório Santos o primeiro pasteleiro português a fazer Bolo-Rei.
A moda do Bolo-Rei só chega ao Porto em 1890, na Confeiteira Cascais, sendo feito a partir de uma receita do proprietário Francisco Cascais, que tinha ido buscar pessoalmente a Paris, e só fazia estes bolos na véspera do Dia de Reis, mas devido a sua enorme procura a partir de 1920 a Confeiteira Cascais começou a produzir o Bolo-Rei diáriamente, pois a procura começou a aumentar.
Hoje em dia é normal ver as senhoras da alta sociedade de Lisboa, após a missa da tarde é normal vê-las num qualquer café de Lisboa a comer uma fatia de Bolo-Rei com o seu chá.
O Bolo-Rei levou umas pequenas alterações com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, primeiro foi proibido o “brinde” porque era feito em chumbo e supostamente fazia mal a saúde, tendo sido substituído por outro material que também foi retirado desta vez porque as crianças podiam engoli-lo sem querer. Mas a fava continua, assim como a tradição que quem achar a fava terá de pagar o bolo.
O Bolo-Rei faz parte da nossa história e imaginário, por exemplo que não se lembra da imagem do nosso actual Presidente da República Prof. Aníbal Cavaco Silva em campanha a comer Bolo-Rei de boca aberta enquanto falava...
Mas passado mais de 100 anos, tornou-se num bolo quotidiano e com uma grande capacidade de adaptação aos nossos tempos, apesar da concorrência da nossa bolaria que continua a ser uma das mais ricas do mundo.

Henrique Tigo
Geógrafo

Fonte: Afonso Praça e Maria de Lourdes Modesto, no I Volume do livro ”Festas e Comeres do Povo Português” da Editorial Verbo, Lisboa, 1999.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Carro e o ministro

Os Carros do Ministro




Todos nós já ouvimos falar do regime político que governa Cuba, um país insular da América do sul, descoberto por Colombo em 1492. Cuba está localizado no norte do Mar do Caribe. Os territórios mais próximos são as Bahamas, a nordeste, o Haiti, a sudeste, os Estados Unidos da América, a norte, a sul, a Jamaica. A sua capital é Havana (em espanhol, La Habana), e do seu Governante Fidel Castro.
Fidel Castro é o secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista Cubano e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros (presidente da República) de Cuba, a qual governa desde 1959 como chefe de governo e a partir de 1976 também como chefe de estado.
Para seus defensores, Castro representa o herói da revolução social e a garantia de repartição equitável da riqueza no país, devido a sua política Socialista. Para seus adversários, internos e externos, no entanto, Castro é um líder de regime ditatorial baseado numa política de partido único. É um líder bastante contestado e também admirado internacionalmente, principalmente pela sua ideológica e forte resistência às influências comerciais e sociológicas dos Estados Unidos da América.
Não sou adepto do seu regime nem da sua politica, contudo há uns anos tive um amigo que tinha lá ido realizar uma exposição de pintura, com ele trouxe os normais “requerdos” dezenas de fotografias e um sem fim de histórias, mas de todas as histórias que ele contou, houve uma que me tocou, não por ser bonita, mas por ser aquilo a que normalmente chamamos “Justiça Poética”.
Um dos Ministros de Fidel Castro, já não me lembro bem, mas acho que era o do Turismo, fez uma encomenda de cinco carros Mercedes-Benz de luxo, para o Turismo de luxo de Havana, mas em vez de entregar os cinco carros, só entregou quatro o quinto fico para ele para carro de serviço, pois acreditava que os Ministros deviam ter bons carros. Durante algum tempo, andou para cima e para baixo com o seu Mercedes novinho em folha.
Até que os outros ministros de Fidel Castro, acharam que se aquele ministro tinha um carro daqueles de serviço, eles também deveria ter. Foram então ter com Fidel Castro e pediram-lhe também um carro daqueles. Fidel ficou muito admirado pois não sabia de nada e não tinha dado autorização para nenhuma compra de nenhum carro.
Chamou então até ele, o dito ministro do Mercedes, e perguntou-lhe se era verdade que ele tinha um Mercedes de serviço, ao que o ministro disse que sim, Fidel perguntou-lhe estão se era um bom carro, se era confortável e se ele estava satisfeito com o carro, ao que o ministro disse que sim a tudo, então Fidel, olhou para ele e disse-lhe:
- “Então Camarada Ministro, já que gosta tanto desse carro, não o irei privar dele… O Camarada a partir de agora deixa de ser Ministro e passa a ser taxista desse carro…”
Pelo que sei, e pelo que me foi confirmado por outras pessoas, quando confirmei a veracidade desta história, o Ministro Taxista como é conhecido, ainda hoje anda com o seu Mercedes-Benz nas mãos, como taxista…
Podemos não ser simpatizantes de Fidel Castro, nem do seu regime, mas temos de lhe tirar o chapéu com esta atitude, e só é pena que se certos países democráticos, os chefes do governo não façam isto aos seus Ministros, que querem fazer vista com o dinheiro dos seus contribuintes.

terça-feira, novembro 13, 2007

Passadeira

Passadeiras




As passagens para peões devem ser dos sítios mais perigosos que existem, visto que, hoje em dia ninguém atravessa nelas, todos os dias são atropeladas dezasseis pessoas em Portugal Continental.
Os números não deixam dúvidas, só nos primeiros oito meses deste ano, registaram-se 4000 atropelamentos dos quais 74 pessoas morreram e mais de 300 ficaram em estado crítico. Os dados referem que mais de 13% das vítimas mortais eram peões e que 60% são colhidos nas principais cidades do país.
Mesmo assim há uma grande falta de civismo por parte dos peões portugueses, já fui a alguns países do mundo, e quem atravessa fora da passagem de peões é multado e bem multado, em Portugal também existem coimas para quem atravessa fora da passadeira, mas desde que essa lei entrou em vigor somente, 28 pessoas foram multadas.
Se nós condutores deixar-mos o carro em cima do passeio, durante 5 minutos, para irmos ao Banco, Correios ou mesmo ao Centro de Saúde, quando voltamos temos o carro “multado” ou até mesmo bloqueado.
Mas todos os dias as pessoas passeiam-se livremente pelas estradas, conversam e fazem reuniões na via pública e nada lhes acontece, contudo todos os dias têm-se sucedido notícias de pessoas atropeladas quando se encontravam a atravessar ruas ou estradas e isto é um facto verdadeiramente preocupante, todos os dias vemos pais a não ensinarem aos seus filhos, qual o significado dos semáforos e das suas cores e que o sítio correcto para atravessar uma via é a passadeira.
Com cenários como estes ficamos sem saber muito bem como agir ou o que dizer… todos os dias ao virar a esquina sem qualquer visibilidade, lá esta um peão a correr, mesmo nas passadeiras as pessoas atravessam sem olhar, porque a passadeira é legalmente o local adequado para atravessar e aí têm prioridade, mas há que ter bom senso!
Há ainda quem atravesse na passadeira calmamente com o sinal vermelho para os peões, só porque estão numa passadeira.
Sinceramente, é muito triste que os condutores, além de terem de ter cuidado com a sua própria condução, com a dos outros automobilistas, terem ainda de ter redobrada atenção aos peões, quer na passadeira, quer fora da passadeira… Gostava sinceramente que os agentes da autoridade passasse a aplicar mais a lei e multar todos aqueles que não cumprem e passam fora da passadeira, pois não podem ser só os condutores a serem responsabilizados pelos actos dos peões que cada vez estão mais irresponsáveis.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Andorinhas

Andorinhas, que futuro?




Uma das grandes recordações que tenho das minhas férias de Verão, em Vila Nova do Ceira, são as Andorinhas. Sempre fui um rapaz da cidade, onde não existem Andorinhas e ficava encantado com elas.
Lembro-me que uma vez na Sandinha, em Setembro, havia tantas, tantas era um espectáculo lindo, pois têm entre 17 e 19 cm de comprimento e 32 a 34,5 cm de envergadura. À semelhança das outras aves desta família, possui bico curto e escuro, corpo esbelto e asas compridas. A cabeça, dorso, cauda e asas (com excepção das penas de voo que são pretas) são azuladas; as faces e garganta são avermelhadas e o peito e a barriga são brancos. Tem um voo leve e hábil, tipicamente com rápidas mudanças de direcção, seguindo os movimentos dos insectos que persegue. E ali estavam elas, todas alinhadas a espera do sinal para partirem.
Sendo aves migratórias, as Andorinhas simbolizam o regresso da Primavera e o início do Outono. Passam o Inverno em África e depois fazem a longa viagem de regresso à Europa, o que exige uma extraordinária capacidade de orientação, não sendo totalmente isenta de perigos, muitas morrem pelo caminho, quer por causas naturais quer abatidas desnecessariamente pelo homem.
As Andorinhas revelam uma excelente sensibilidade e de capacidade de memória pois voltam para ninho do qual partiram no Outono anterior. Mas muitas vezes quando regressam o Homem já destruiu os ninhos, por questões estéticas ou por simples maldade, esquecendo-se das questões ambientais, tendo em conta que elas se alimentam quase exclusivamente de insectos voadores, (moscas, mosquitos, melgas) na sua maioria dipteros, perseguindo-os com um voo extremamente hábil e eficaz. Capturam também, embora esporadicamente, insectos não voadores, principalmente em épocas do ano em que estes existem em grande abundância, se destruirmos os seus ninhos e as matarmos, teremos um Verão com muitos mais insectos.
Matar as andorinhas ou destruir-lhes os ninhos é uma atitude irresponsável que lesa o nosso património natural e o nosso bem-estar, além de ser crime (todas as andorinhas estão protegidas legalmente pela Conversão de Berna, ratificação pelo Governo Português através do Decreto-Lei n.º 95/81 de 23 de Julho e ainda por uma directiva do Conselho das Comunidades Europeias, que além de proteger as aves, protege os seus ninhos e ovos).
Se é verdade que estas aves, lindas e inteligentes, podem sujar as nossas casas e a nossa roupa, é igualmente verdade que as vantagens que nos trazem são superiores e a destruição dos ninhos das Andorinhas, só agravam a situação de declínio em que se encontra quase toda a nossa fauna selvagem.
Já basta que as alterações, nas práticas agrícolas, que levaram à intensificação da agricultura e à consequente perda do habitat, estarão certamente na base do registado declínio populacional desta espécie. A drenagem de áreas húmidas e o uso de herbicidas e pesticidas resultam na diminuição da disponibilidade de alimento e de áreas propícias à alimentação. As andorinhas são ainda extremamente susceptíveis às alterações do clima. O mau tempo é responsável por uma redução no número de insectos, afectando o sucesso reprodutor e, especialmente durante a migração, aumentando a mortalidade destas aves.
Por isso apelo, não destruam os ninhos, não matem as Andorinhas em Vila Nova do Ceira, para que os jovens, que vivem nas cidades, tenham hipóteses de contemplarem estas aves maravilhosas.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Adriano Correia de Oliveira

Homenagem a Adriano Correia de Oliveira.


Existem pessoas que nunca, deviam Morrer e Adriano Correia de Oliveira é uma delas… Morreu fisicamente mas não a sua memória, que ficará, para sempre gravada, mas mentes dos seus amigos e nos corações dos seus admiradores.
Vivi a minha infância e grande parte da adolescência nesta zona típica de Lisboa de ruas estreitas e empedradas adjacentes às zonas do Carmo e do Chiado, conhecido como Bairro Alto, outrora conhecido como Vila Nova dos Andrades.
Convivi com cenários e personagens que me deixaram uma memória tão rica (e motivadora), na companhia do meu pai cresci por redacções de jornais já extintos, o conservatório nacional (local de trabalho dos meus pais durante vários anos), os bares e casas de fado, bailarinas e arlequins...
Conheci a “fina flôr “ das artes e da cultura, na Brasileira do Chiado ou no Coche Real e nas suas tertúlias. O meu imaginário infantil está repleto de personalidades públicas que conheci nesse tempo dois quais destaco:
O Dr. Gustavo Soromenho, João Mota, Abílio Belo Marques, Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira, Maluda, Baptista-Bastos, Beatriz Costa, Jesus Ferreira, Agostinho da Silva, Maestro Vitorino de Almeida entre dezenas de outros, que todos os dias tomavam café com o meu Pai e que eu acompanhava desde bebé.
Lembro-me vagamente daquele “amigo” do meu pai, e de quem o meu pai me dizia que tinha uma voz maravilhosa…
Dele guardo alguns discos de vinil e dois CD’S, e tenho ainda um Cd do Orfeon Académico de Coimbra, no qual ele canta e que foi gravado quando foi solista do mesmo. Adriano Em 1959 rumou a Coimbra, onde estudou Direito, tendo sido repúblico na Real República Ras-Teparta, e fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica.
Em 1963 saiu o primeiro disco "Fados de Coimbra" que continha a sua musica mais conhecida, e quanto a mim a mais actual, Trova ao Vento que Passa, com poema de um colega chamado Manuel Alegre, era uma música que reflectia a sua resistência ao Estado Novo, tornando-se assim o hino do movimento estudantil, lutou e gravou dezenas de musicas anti-fascistas.
Já em liberdade e em democracia, fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último álbum, "Cantigas Portuguesas", em 1980, no ano seguinte, numa altura em que a sua saúde já se encontrava degradada rompeu com a direcção da Cantabril e ingressou na Cooperativa Era Nova. Em 1982, com quarenta anos, num sábado, dia 16 de Outubro, morreu em Avintes, terra que o viu nascer a 9 de Abril de 1942, nos braços da mãe, vitimado por uma hemorragia esofágica.
Mas para sempre ficará entre nós e para ele o meu sentido obrigado, por ter tentado transformar Portugal num pais melhor.


Texto e Desenho de Henrique Tigo

Água em Góis

A Água em Góis – Entre o Barro e as Doenças

Foi com grande alegria/tristeza que li no Jornal “O Varzeense”, o artigo de opinião, de Rodrigues Neto intitulado “A Água em Vila Nova do Ceira”.
Com alegria porque vejo, que ainda existem pessoas com coragem no Concelho de Góis, para escrevem sobre os males de uma das mais belas regiões do nosso Portugal.
Como escreveu o poeta Manuel Alegre e o Adriano Correia de Oliveira cantava:

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Com tristeza porque em pleno século XXI e todos nós sabendo aquilo que está na “Carta Europeia da Água”, de 1968, não há vida sem água; a água é um bem precioso indispensável a todas as actividades humanas; a água é um património de todos e todos devemos reconhecer o seu valor; cada um de nós tem o dever de a economizar e de a utilizar com cuidado; alterar a qualidade da água é prejudicar a vida do homem e dos outros seres vivos.
Existem municípios que não tratam das suas águas com o respeito que deviam ter. Ainda mais no caso do Concelho de Góis que tem pontos de água com boas condições de acesso, onde só tem de se realizar a transformação química para poder ser descontaminada, sendo este o campo onde a Câmara Municipal tem desempenhar um papel importante ao nível da inventariação e manutenção, o que não está a acontecer, como é tão bem relatado pelo Rodrigues Neto.
Eu estive em Góis após a concentração motard e a água estava realmente “barilenta” para não dizer pior, como diz o artigo: …”A água sai castanha, até da máquina de lavar; canalizações antigas rebentam devido ao excesso de pressão da rede (9 quilogramas na zona do Adro); electrodomésticos e esquentadores avariam por causa da alta pressão; e aquando das festas das motos, devido ao elevado número de visitantes…”
A autarquia Goiense já devia saber, que em Agosto e devido a concentração que já vai no 14ª ano e o número de habitantes/turismo que dispara, deviam ter mais atenção e não permitir que essa situação aconteça. Mas realmente este ano foi um pouco demais.
A água que é hidróxido de hidrogénio ou monóxido de di-hidrogénio ou ainda protóxido de hidrogénio é conhecida por ser uma substância líquida que incolor (não tem cor) ao olho humano, inodora (não tem cheiro) e insípida (não tem sabor) além de extremamente essencial a todas as formas de vida, composta por hidrogénio e oxigénio sendo a sua formula química H2O.
No Concelho de Góis, no mês de Agosto, a única coisa que a água tinha daquilo que acabei de dizer era a sua fórmula química.
Nas águas contaminadas, podemos encontrar, bactérias, fungos, toxinas podemos ainda encontrar metais pesados dissolvidos na água, como cromo, chumbo ou mercúrio, que podem provocar diversos tipos de doenças… E de quem é a culpa desses tipos de doenças?
Falando em água e não estando directamente ligado, aproveito para falar sobre a taxa de esgotos cobrada pela C.M. Góis, mesmo às pessoas que não usufruem desse serviço, e para que nos devolvam o nosso dinheiro, temos de nos deslocar lá, apresentar uma reclamação. Daqui só posso depreender que alguém não está a fazer o seu serviço, ou então é uma nova uma forma de extorquir dinheiro dos contribuintes.

terça-feira, outubro 16, 2007

Análise Demográfica de Góis


GÓIS - HENRIQUE TIGO LANÇOU LIVRO



“Análise Demográfica do Concelho de Góis”, da autoria de Dr. Henrique Tigo, foi lançado no sábado, dia 25, na Casa do Artista.
O tema foi pela primeira vez explorado por Tigo através de uma disciplina na Faculdade e o
trabalho incidiu precisamente em Góis, por ser o concelho onde estão as raízes do escritor.
Um assunto que "estava pouco estudado" e sobre o qual escasseava informação. Da investigação feita para disciplina e consequentemente para o livro, concluiu que em 1864 o concelho tinha mais de 10 mil habitantes, nos anos 60 e 70, quase 13 mil, porém actualmente o número não vai além dos 4 mil, o que levou o geógrafo a perguntar "O que é que aconteceu em Góis?", "O que é que levou as pessoas a abandonarem Góis?", "O que é que nós podemos fazer para que Góis volte a ter um considerado número de habitantes?".
Segundo Henrique Tigo o livro não é uma obra exaustiva, mas um "pequeno estudo", para o qual o autor recolheu alguns dados e que na sua óptica pode contribuir para que outras pessoas
interessadas pela matéria, consigam desenvolver um trabalho de forma a responder às questões
que fez. "Como nós sabemos, Góis não tem fábricas, não tem postos de emprego, não tem nada",
disse, voltando a perguntar "O que é que nós goienses podemos fazer para desenvolver o concelho de Góis?". Apesar de não ter nascido no concelho, os avós são de Vila Nova do Ceira, pelo que desde muito novo visita a localidade. " A primeira vez que vim a este concelho tinha 19 dias de idade", afirmou, começando a explicar o carinho pela região. "Aqui aprendi a nadar, a andar de bicicleta, aqui fiz amigos, aqui cresci", expressou. Confessou que ia "falar do coração" e nesse sentido, das muitas histórias que disse poder contar, optou pela do médico. Doente com 40 graus de febre, foi encaminhado para o hospital de Góis, tinha 10 anos. "Estava lá um doutor muito simpático que brincou comigo e me salvou a vida", recordou, revelando, "era o doutor José Cabeças", figura que Tigo disse ter uma "profunda admiração" e que se encontrava presente no lançamento do livro, apoiado precisamente pela ADIBER, instituição a que o médico preside. A José Cabeças o geógrafo fez o seu «primeiro obrigado» da tarde e a quem atribuiu alguns dos acontecimentos positivos para Góis, como um maior interesse pelas artes, na época em que se disse se ter iniciado o Góis Arte e o GóisFashion, e a criação de infra-estruturas, nomeadamente para as praias fluviais. O «segundo obrigado» foi para José Matos Cruz, antigo responsável pelo jornal "O Varzeense", por ter sido o primeiro a publicar uma notícia sobre Tigo (quando nasceu), a sua exposição de pintura em 1993 um artigo seu no jornal, e o primeiro a ajudá-lo no trabalho sobre a Análise Demográfica na Faculdade, juntamente com Cila. "Grande parte da documentação devo a estas duas pessoas".
Livro com marca da ADIBER, o apoio da ADIBER no livro "Análise Demográfica do Concelho de Góis" insere-se no âmbito de um projecto "Beira-Serra, cultura viva", tendo como base, nessa área, o projecto Leader+, que ajuda financeiramente autores da região da Beira-Serra, caso de Henrique Tigo. "Um documento que é de facto muito importante, por isso ele é merecedor do nosso aplauso e da nossa consideração", salientou Dr. José Cabeças, lamentando contudo os números "nada favoráveis" referentes à população goiense. Ainda que considere que a desertificação não é um problema apenas do concelho, mas também em algumas regiões da Europa, José Cabeças foi peremptório. "Temos de tomar medidas concretas para parar esta desertificação humana".
Enaltecido pelas qualidades profissionais, Joaquim Santos falou, principalmente, do "fiel" amigo
Henrique, do "muito talento", da base educadora que o tornou numa pessoa de "valores vincados" e do "homem de causas".

Por: jornal de arganil - Diana Duarte
Jornal de Arganil - Page 1/2

Portugal e as Migrações

Portugal e as Migrações
“Novos e Velhos Desafios”

Mais de 4 milhões de Portugueses nos anos 80 do século passado, residiam e trabalhavam fora de Portugal, e tínhamos um número bastante pequeno de estrangeiros, achávamos graça a um brasileiro ou um cidadão de Leste e ficávamos excitados por falarmos com eles e eles nós falarem dos seus países.
Éramos claramente um país de emigrantes e estávamos espalhados por tudo o mundo, mas como dizia o poeta “… Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…” desde os anos 90 e principalmente com o virar do século Portugal tinha 400 mil imigrantes em Portugal, mesmo assim somo um país de migrantes.
Com a era da globalização, o fenómeno das migrações, começou a acentuar-se e começamos a receber no nosso pais ondas de migrações vindas do Brasil e dos ex-Países de Leste ou seja, depois de se ter sentido como nunca, nas últimas décadas, uma entrada maciça de trabalhadores estrangeiros, a partir de 2001 ano em que se verificou o maior processo extraordinário de legalização de sempre.
Em 2005 parece ter ocorrido uma autêntica dispersão do país, que se prolongou durante o ano de 2006, assim é normal que, o número de estrangeiros residentes em Portugal atingiu, no ano de 2006, o valor mais baixo dos últimos cinco anos. De acordo com um relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), esta tendência de quebra, que terá sobretudo que ver com a falta de emprego, tornou-se mais evidente a partir de 2004.
No ano passado – ver Dados Oficiais do INE – entre autorizações de residência, autorizações de permanência e vistos de longa duração, contabilizavam-se 409.185 cidadãos estrangeiros a viver em Portugal, menos 5500 do que em 2005 e menos quase 40.000 do que em 2004. Pegando nessas autorizações de residência e cruzando-os com os dados reunidos pelo SEF – ver na pagina da internet www.sef.pt – pode-se concluir que foram precisamente os que entraram na regularização extraordinária de 2001 (e que só foi concluída em 2004) que optaram por sair do país nos últimos anos com particular destaque para os cidadãos da Europa de Leste.
Esta conclusão surge a partir do número de autorizações de permanência concedidas e revalidadas anualmente, uma vez que este título foi criado, especificamente, para o referido processo de legalização de 2001 – ver na página da internet www.mundopt.com.
Mesmo que grande parte destes títulos se transformaram em documentos de residência findo cinco anos, ou que adquiriram estatuto de residentes por outras razões, nota-se que das 174.500 autorizações de permanência concedidas e prorrogadas em 2002, só se mantiveram 32.661.
Numa classificação de estrangeiros legalizados por nacionalidade, percebe-se que esta tendência não afecta as comunidades imigrantes mais antigas estabelecidas em Portugal: Cabo Verde (sendo este o país com mais imigrantes em Portugal), Angola e Guiné-Bissau estão com os mesmos valores. Nem o Brasil, que é o país que mais pressão exerce sobre as fronteiras portuguesas e que beneficiou do chamado Acordo Lula em 2004.
Por outro lado os imigrantes que saíram em maior número foram, da Roménia, Ucrânia, da Moldávia, sendo os três países que mais usaram os recursos extraordinários de legalização previstos no processo de 2001.
A Ucrânia, que chegou mesmo a ultrapassar Cabo Verde em número de imigrantes, tinha 64.730 cidadãos registados com autorizações de permanência em 2004, mas em 2005 esse valor baixou para cerca de 33.500 e em 2006 voltou a baixar para 29.500.
O fenómeno das migrações, está ligado ao crescimento das desigualdades, ao mesmo tempo que está ligado a profundas transformações, mesmo assim é necessários analisar as migrações pelos seus méritos, visto que os países de destino dessas migrações, vêem os imigrantes como um contributo significativo para o crescimento económico, assim como uma resolução para os problemas do desequilíbrio dos problemas demográficos, que no caso Português está ligado ao envelhecimento das nossas populações.
Devemos então apoiar as migrações em Portugal? Acredito que temos aqui um tema para reflectir e construirmos um bom debate, que talvez vá ajudar no combate a desertificação do nosso interior.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Piropo

O Piropo



Todos nos associamos o Piropo, aquelas palavras vulgares gritadas dos andares dos edifícios em obras, como por exemplo:
“Tu és linda demais, só tens um problema: a tua boca está muito longe da minha!...”; “Qual é o caminho mais rápido para chegar ao teu coração?...” “Eu não acreditava no amor à primeira vista. Mas quando te vi mudei de ideias…” “Este lugar está vago”; “O que fazes da vida”; Não nos conhecemos de algum lado?”..
Todos já usamos uma destas formas de piropo, pelo menos uma vez na vida, mas o belo do piropo é mais que isso, é uma peça da nossa identidade da nossa cultura mediterrânea, só os países mediterrâneos tem a tradição do Piropo…
Mas o piropo é mais que isso, pode ser uma manifestação de amor, de carinho e quando menos esperamos que surge, aí está ele que nos faz sorrir... Um piropo pode ser como um abraço, um beijo… até pode ser um amigo que atira um piropo para o ar e nos faz erguer os olhos para o céu e ver que é azul... É assim que surge esta co-produção... piropos dedicados, qual rosas ofertadas com carinho, coleccionados com avidez e publicados com vontade... para partilhar com outros que neles possam colher inspiração...
O Piropo é uma coisa muito nossa, é tão antigo como o cozido a Portuguesa, ou as festas de Santo António, já muitos namoros/casamentos, nasceram após o piropo.
Os nossos avós e pais, já usavam o piropo para conhecerem aquele ser especial, e que muitas vezes não tinham coragem ou outra forma de o dizer, e utilizavam o piropo.
Claro que como tudo há quem passe dos limites, mas desta vez quem passou dos limites foi o Governo, agora é “crime” mandar um piropo, pode ir a simples coima a uma pena de prisão que pode ir até a 1 ano de prisão… Não sei bem como, há alguma tabela de preços, se eu disser isto é tanto se disser aquilo e tanto?. E como passa da coima para a prisão?.
Estou a acabar com a nossa identidade, já acabaram com a sandes de Couratos, já acabaram com o escudo, qualquer dia acabam com o pastel de Belém e com os ranchos folclóricos….
Nem no tempo do Salazar, a PIDE ou a própria Censura, fez uma coisa destas.
Sou a favor do piropo, feito com carinho e juizinho!

quarta-feira, julho 11, 2007

Buracos na estrada


Buracos com um bocadinho de estrada

Desde de que me conheço por gente que sei que Portugal é um país de buracos nas estradas. Mas tenho trinta anos, Portugal entrou para a Comunidade Europeia, eu cresci, conheci outros mundos outras realidades e deparei-me com os carros “estrangeiros” devem ser menos pesados, ou alguma razão estranha fazem menos buracos na estrada do que os nossos carros.
Até tenho o caso do Canadá, onde de manhã uma pessoa, sai de casa para ir trabalhar e encontra um buraco na estrada e quando volta depois de um dia de trabalho árduo, dito mesmo buraco já foi tapado. (mais isto é um Pais)
Também é verdade que por cá as coisas foram melhorando, embora o critério não seja uniforme.
As auto-estradas vão chegando, (já chegam ao Algarve, mas os desgraçados dos Alentejanos foram esquecidos para variar), embora com atraso, a quase todos os cantos do país. Mas a auto-estrada para o Norte, encontrasse a anos e anos em obras, e só temos duas faixas de rodagem, chegando, ao ridículo de só existir uma, mas nós pagamos como se estivesse tudo a funcionar normalmente, só podemos andar a 80 km/h numa via onde pagamos para irmos até os 120 km/h.
Hoje temos acidentes, atrás de acidentes, sendo dos países da Europa com mais acidente, e eu continuo sem perceber pois, temos cada vez mais GNR, nas estradas, temos inspecções aos automóveis, temos de usar pneus, assim e assados, os exames de código e condução estão cada vez mais difíceis, há mais fiscalização a todos os sentidos, temos uma frota automóvel mais nova, etc…
Mas continua a morrer gente nas estrada por causa dos buracos e nesses ninguém fala…
Vamos imaginar que um carro utilitário igual a milhares de carros que existem, caí num buraco, que nos surge à frente de uma forma inesperada, felizmente não ferimos ninguém, mas ficamos com um pneu furado e uma jante danificada, e como sabem um pneu furado implica a compra de dois… Assim o arranjo do Carro ficará em 500 euros, este é um episódio comum em muitas cidades e para muitos cidadãos.
E infelizmente na grande maioria dos casos termina aqui, as pessoas pagam o arranjo e pronto. Mas eu estou farto de pensar, se eu não cumprir as regras de condução tenho de pagar, tenho de pagar os meus impostos que vão para o arranjo das estradas, etc, então quem é o responsável pelos arranjos desta viatura?
Numa leitura atenta aos artigos 7.º, 8.º e 9.º do Código da Estrada (CE) permite perceber como é feita a divisão de responsabilidades em termos de "gestão", fiscalização" e "sinalização" das estradas públicas. A conclusão que se retira do artigo 7.º é que terão de ser as câmaras municipais ou o actual Instituto das Estradas de Portugal (IEP) a responder pelo que se passe "nas vias sob sua jurisdição".
Mais acrescenta a alínea do mesmo artigo que "nas auto-estradas e outras vias objecto de concessão de construção e exploração, a sinalização compete à entidade concessionária respectiva, devendo, no entanto, ser objecto de aprovação da Direcção-Geral de Viação (DGV).
E se o buraco, ou uma tampa de esgoto não identificada, se encontrasse na fronteira entre uma estrada camarária e outra nacional (pertencente ao IEP)? O artigo 9.º da CE esclarece: "Nos locais de intersecção das vias públicas sob gestão de entidades diferentes e na falta de acordo entre elas, o ordenamento do trânsito compete à DGV." Por outras palavras, em caso de dúvida, terá de ser a DGV a decidir a quem pertence o buraco...
Querendo apurar, por nós próprio, a entidade a quem pertence a estrada, deveremos consultar o Plano Rodoviário Nacional (PRN), com publicação no Diário da República, através do qual verá a quem serve o sapatinho da responsabilidade. Por outro lado, se o infortúnio ocorrer numa auto-estrada ou numa ponte, terá de procurar ver qual a empresa concessionária.
Ou seja é tudo tão complicado que as pessoas desistem a meio, pois o tempo que perdem, a energia e o dinheiro, não justificam, ou seja quando somos nós os culpados temos de pagar e “todos” sabem quem somos e onde moramos, mas os “buracos” não da terra de ninguém…
Mas as coisas não devem ser assim, a culpa não deve é morrer solteira, por isso aconselho com o apoio do site da Automotor, os seis passos que devemos dar, caso nos aconteça alguma coisa ao carro devido aos buracos da estrada, assim os seis passos indispensáveis para reclamar da sua justiça, são:
Se Danificar o automóvel. É o passo mais fácil. Dadas as condições de grande parte das estradas camarárias e nacionais, o mais provável é que todos nós, mortais automobilistas, nos confrontemos alguma vez na vida com uma situação destas. Não tem nada que saber.
1º Arranjar testemunhas. Não é a tarefa mais simples do problema, já que, por muito que os presentes no local gostem de opinar, poucos serão aqueles que aceitarão ser testemunhas e corroborar a sua versão. Insista, porém, porque se trata de um passo fundamental. Em último caso, chame a polícia para dar conta da ocorrência. Os agentes tudo farão para evitar comparecer – se não houver feridos. Mas se o exigir, estes não poderão evitá-lo. Não saia do local sem nenhuma testemunha.
2º Provas materiais. Arranje, se possível, algo de palpável que possa juntar posteriormente ao processo. É raro transportamos, diariamente, uma máquina fotográfica (a sorte é que já há telemóveis com maquinas fotográficas). Mas se tiver oportunidade, não deixe de guardar a recordação em papel, não só do estrago que o buraco, ou outro obstáculo, provocou em danos ao seu automóvel, como também do próprio protagonista da "agressão". Não falhe este passo, nem que tenha que se deslocar mais tarde ao local do "crime".
3º Pedir a conta. Que é como quem diz, pedir o orçamento. É fundamental quantificar os danos materiais provocados pelo buraco. Para isso, recorra ao seu mecânico habitual. E não faça caso se a entidade responsável lhe disser que apenas paga com base nos orçamentos de alguma oficina própria. Só tem de arranjar o seu automóvel no mecânico do costume. Já basta de prejuízos e incómodos.
4º Pedir indemnização. É endereçar a conta a quem de direito. Passar para escrito tudo o que se passou, juntar as provas, testemunhas e orçamentos, dando seguimento ao processo. Não é o passo mais fácil. É por aqui que muitos queixosos desistem. Não o faça. Apure os responsáveis: se for uma estrada camarária, acuse a câmara; se for secundária, reclame com o IEP; se for uma auto-estrada, exija o dinheiro à concessão (à Brisa ou à Auto-Estradas do Oeste); e, se for nas pontes, veja a quem pertence a concessão. Se tiver dúvidas de quem é a jurisdição, recorra ao DR para ver o PRN. Está tudo lá.
Saiba ainda que a indemnização não se limita aos danos visíveis da viatura, mas também aos morais, e outros, como os gastos derivados pela paralisação da viatura. Faça os cálculos.
Aqueles casos que forem para tribunal, e em que a pessoa em questão não tiver condições financeiras, poderá requerer sempre o apoio judiciário na segurança social. Já agora, não se esqueça de fazer a reclamação em carta registada e com aviso de recepção.
5º Falar com seguradora? Poderá parecer um passo descontextualizado, mas é uma questão que se colocará a quase todos os envolvidos num problema desta natureza.
Tenha presente que se tiver um seguro contra danos próprios - caso contrário a questão não se coloca, a entidade responsável terá de pagar a indemnização, caso perca, à sua seguradora, e não a si, uma vez que foi ela que arcou com as despesas inicialmente. No fundo, passará a ser um caso entre a sua companhia e a entidade detentora da via pública. Um caso a ponderar, individual e serenamente.
6º Não desespere. Parta do princípio de que os responsáveis tudo farão para que a reclamação morra por si mesma ou para que desista. Não lhes faça a vontade. Encha-se da paciência inabalável de “Jó” e espere o que for preciso.
Até ter uma resposta, ainda que seja negativa, da entidade acusada, deverá demorar, em média, cerca de três meses.
Há casos em que dura mais e outros em que demora menos. Mas retenha este período como o mais provável, se tudo estiver a correr a preceito. Mas, por mais que estes protelem a questão, em circunstância alguma deixe passar mais do que três anos até obter uma resposta, pois aí cairá no âmbito do direito cível, e perderá o caso, já que este prescreverá.
Cada vez menos devemos baixar os braços e devemos reclamar os nossos direitos, e saber onde estão a ser aplicados, os nossos impostos, pois infelizmente temos em Portugal, buracos com bocadinhos de estranha o que é uma vergonha nacional e internacional é esta a imagem que queremos passar aos estrangeiros, que nos visitam, tanta coisa com o ALLGARVE e depois as estradas para lá chegar é um buraco só!...


Henrique Tigo
Geógrafo

Azeite


O Azeite (1ª Parte)


São necessárias de 1300 a 2000 mil azeitonas para produzir 250 mililitros de azeite. O azeite de oliva deve ser produzido somente a partir de azeitonas e não podem ser denominados desta forma óleos extraídos por solventes ou reesterificação, nem misturas com outros tipos de óleo.
Na actualidade, os métodos tradicionais de processamento da azeitona deram lugar a processos modernos de extracção, utilizando variação de pressão e temperatura. Com isso, o método tradicional de prensagem a frio quase não existe mais e classifica-se o azeite segundo seu processo de produção da seguinte forma:
Azeite de oliva refinado, produzido pela refinação do azeite virgem, que apresenta alta acidez e incidência de defeitos a serem eliminados na refinação. Pode ser misturado com o azeite virgem.
Azeite de oliveira virgem, obtido por processos mecânicos. Dependendo da acidez do produto obtido, este azeite pode ser classificado como sendo do tipo extra, virgem ou comum. O azeite virgem apresenta acidez máxima de 2%.
Azeite extra virgem. O azeite não pode passar de 0,8% de acidez (em acido oleico) e nem apresentar defeitos. O órgão que os regulamenta e define quais defeitos são catalogados é o Conselho Oléicula Internacional.
Azeite de oliva comum é obtido da mistura do azeite lampante, inadequado ao consumo, reciclado por meio de processos físico-químicos e sua mistura com azeite virgem e extra-virgem. O azeite de oliva comum não possui regulamentação.
Uso culinário do azeite por acidez

Tipo
Acidez
Utilização
Extra Virgem
<>3,0%
Frituras de imersão
Puro
>2,0%
Frituras, assados e marinados



Ao consumir o produto, é aconselhável que se verifique sua acidez e data de validade. Normalmente o azeite deve ser consumido em 12 meses. Antigamente era possível encontrar no comércio de azeites de primeira e de segunda prensagem mas actualmente o processo é único e o azeite é prensado uma única vez a frio ou pela variação de pressão e temperatura
Hoje em dia existem normas de Comercialização destinam-se ao Comércio a Retalho.
Comércio a Retalho - Venda, ao consumidor final, dos seguintes produtos:
a) Azeite Virgem Extra; b) Azeite Virgem; c) Azeite - Contém azeite refinado e azeite virgem; d) Óleo de Bagaço de Azeitona).

Os azeites e óleo de bagaço de azeitona não poderão ser comercializados em embalagens com capacidade superior a 5 litros. Estas embalagens devem estar munidas de um sistema de abertura que perca a sua integridade após a primeira utilização e devidamente rotuladas.
Não obstante, no caso de restaurantes, cantinas, hospitais e estabelecimentos similares, permite-se o uso de embalagens com capacidade máxima de 25 litros.
A rotulagem é normalizada obrigando cada denominação a incluir de modo bem visível a respectiva descrição:

Azeite extra-virgem:
“ Azeite de qualidade superior obtido exclusivamente a partir de azeitonas e unicamente por processos mecânicos.”
Azeite virgem:
“Azeite obtido exclusivamente a partir de azeitonas e unicamente por processos mecânicos.”
Azeite - Contém exclusivamente azeite refinado e azeite virgem
“Azeite que contém exclusivamente azeite que foi submetido a um tratamento de refinação e azeite extra-virgem ou virgem”
Óleo de bagaço de azeitona:
“Óleo que contém exclusivamente óleo extraído de produtos resultantes da obtenção de azeite, e que foram submetidos a um tratamento de refinação e azeite extra-virgem ou virgem”

A denominação de origem só pode constar dos rótulos dos azeites extra- virgem e virgem. Mas quais são as verdadeiras Definições e Denominações do Azeite. Azeites Virgens - São azeites obtidos a partir do fruto da oliveira unicamente por processos mecânicos, ou outros processos físicos- em condições que não alterem o azeite e que não tenham sofrido outros tratamentos além da lavagem, da decantação, da centrifugação e da filtração.
Os azeites virgens são produtos naturais, são sumo de azeitona sem aditivos nem conservantes.

Os azeites virgens dividem-se em:

Azeite virgem extra- É um azeite com uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 0,8 graus e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria;
Azeite virgem - É um azeite com uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 2 graus e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria;
Azeite lampante - É um azeite com uma acidez livre expressa em ácido oleico, superior a 2 g por 100g e/ou com as outras características conformes com as previstas para esta categoria;
Este azeite não pode ser consumido directamente, é aproveitado para a refinação (ver classificação de azeite).

Outras categorias de azeite:

Azeite refinado: É um azeite obtido por refinação de azeite lampante, em que se utilizam produtos químicos como meio de eliminar características indesejadas (ex: acidez elevada, cheiros ou sabores acentuados, cores anómalas, etc.) Possui uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 0,3 graus e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria. É quase desprovido de sabor, cheiro ou cor.

Azeite: Contém exclusivamente azeite refinado e azeite virgem
Azeite constituído por loteamento de azeite refinado e de azeite virgem , com exclusão do azeite lampante, com uma acidez livre expressa em ácido oleico, não superior a 1 grau e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria.
A menção "Contém exclusivamente azeite refinado e azeite virgem" é obrigatória e destina-se a esclarecer o consumidor.

Óleo de bagaço de azeitona que é um Óleo constituído por loteamento de óleo de bagaço de azeitona refinado e de azeite virgem com exclusão do azeite lampante, com uma acidez livre expressa em ácido oleico não superior a 1 g por 100g e com as outras características conformes com as previstas para esta categoria.

É muito mais comum encontrar os azeites extra-virgens engarrafados sendo aconselhável que se procure azeites engarrafados em embalagens mais escuras, já que a incidência de luz cataliza a oxidação do produto.
É igualmente aconselhável que se consuma o azeite o mais rápido possível após sua abertura, e portanto é melhor que se armazene-o em embalagens menores, que sejam consumidas tão logo sejam abertas.
Normalmente, os azeites mais leves e doces são mais próprios a serem usados em saladas, legumes e carnes brancas.
Os mais acentuados são melhores aproveitados se usados em carnes vermelhas e cozidos.

Henrique Tigo
Geógrafo


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O Azeite (2ª Parte)
O Azeite Português

Todos nós temos pelo menos uma oliveira, ou no pior dos casos, já vimos uma Oliveira, eu pessoalmente, tenho algumas, no meu terraço em Vila Nova do Ceira.
Não me lembro de alguma vez ter comido, azeite daquelas oliveiras, mas os meus antepassados sim.
O azeite foi um, pois embora exista uma velha discussão geográfica, Portugal embora tenha terrenos e clima mediterrânico não é uns pais mediterrânico, embora tenhamos bastantes oliveiras e tenha sido um dos primeiros produtos exportados.
Em Portugal, a referência à oliveira é muito antiga. O Código Visigótico, nas leis de protecção à agricultura, prescreve a multa de cinco soldos para quem arrancasse oliveira alheia, pagando por outra árvore apenas três soldos.
Alguns autores afirmam que o maior desenvolvimento desta cultura se verifica nas províncias onde a reconquista chegou mais tardiamente. Os forias dos Mouros forros de Lisboa e da margem sul, dados por El’Rei D. Afonso Henriques (1º Rei de Portugal), e mais tarde o dos mouros do Algarve em 1269 referem expressamente a esta cultura de oliveira.
Mas não só no Sul havia oliveiras e azeitonas, também na Beira Baixa há uma menção «a plantação recente de oliveira num chão tapado, dentro da vila de Covilhã em 1359». Das tabelas medievais de portagem (direitos), podemos concluir quais os principais géneros do comércio local: Sal, Azeite, pão e vinho, (tudo aquilo que o povo português aprecia mais).
Do século XIV há notícias de dois concelhos em que se cultivava a oliveira: Évora e Coimbra. No caso de Coimbra o rei concede os mesmos privilégios que a Lisboa, isto é, «podiam carregar o azeite no rio e foz do Mondego, assim para fora do Reino como para o interior».
No século XVIII Coimbra deixou de ser o principal centro produtor e o azeite de melhor qualidade passou a ser Santarém.
Na época dos Descobrimentos, o azeite e o vinho continuam a fazer parte da lista dos produtos exportados. Como no século XIV, Coimbra, Évora e seus termos eram as regiões de maior produção no século. Em 1555 o consumo do azeite sofreu grande aumento, pois começou a ser utilizado com frequência na iluminação.
Neste século vendia-se o produto dentro do reino e exportava-se com destino aos mercados do Norte da Europa e para o ultramar, em especial para a Índia. Na era Filipina o «mercado negro», o açambarcamento e especulação oneraram o produto; compreende-se assim a baixa na exportação.
Muitos séculos se passaram e no Estado Novo, a produção e consumo de azeite era muito bem vista pelo regime, voltando Portugal a produzir grandes quantidades de Azeite, produto alias muito apreciado por Salazar.
Com o 25 de Abril e com a abertura de Portugal, começou-se a consumir cada vez mais Óleo alimentar, em vez de azeite, só com fim do século XX e com as preocupações alimentares, se voltou a olhar para o azeite e a dizer aquilo que durante séculos se disse… que o azeite é a melhor gordura alimentar essencial a uma alimentação saudável e equilibrada e não só mais uma tradição.

Henrique Tigo
Geógrafo