quarta-feira, maio 07, 2014

As Portas de Abril - Casa da Cultura dos Olivais



O livro será apresentado por:




Fernando Pereira - Senhor das 1000 Vozes, e a última vítima da PIDE;

Francisco Pina Queiroz – Diretor da Casa da Cultura dos Olivais

Edmundo Pedro - histórico da resistência antifascista em Portugal;



Sobre este livro entre outros escreveram:


“Tem o leitor entre mãos o trabalho do Henrique Tigo, um artista historiador, que, naturalmente enxerga a história com a sensibilidade própria da estética e da poesia da vida”

                                                     
                                                     José Verdasca – Presidente da Ordem Nacional de Escritores.



“Com esta pequena peça teatral pretende Henrique Tigo dar a conhecer aos mais jovens os tempos tenebrosos que se viveram antes do 25 de Abril e os importantes passos que se deram no desenvolvimento do nosso Portugal.”



Henrique Mendonça - Militar de Abril



Escrevi “As portas de Abril” quando tinha apenas 15 anos, achei que escola transmitia pouco aos alunos sobre o que tinha sido o 25 de Abril de 1974, sendo eu um produto do pós-Abril, rapidamente apercebi-me, que senão fizesse alguma coisa para ajudar a minha geração e as gerações futuras o 25 de Abril, poderia entrar no esquecimento, ou ser uma festa só para alguns na Assembleia da República.

Para mim o 25 de Abril de 1974, foi o dia mais bonito que Portugal viveu, havia Liberdade, Igualdade e Fraternidade no Ar, o povo esteve unido como nunca antes nem como nunca depois… Fomos o único país no mundo onde houve um golpe militar e das armas dos militares, só saíram cravos!

Não falo, nem pretendo falar sobre o dia 26 de Abril, quero sim manter a “chama” do dia 25 de Abril de 1974, onde todos os Portugueses, por momentos foram Irmãos!

Este livro que é uma peça de teatro já foi levado a cena duas vezes pelo Teatro Passagem de Nível uma vez de 1996 e outra 1998.

Agora que se comemoram os 40 anos de Abril a mesma vai pela primeira vez ser editada pela editora Calçada das Letras e lançada no próximo dia 30 de Abril no Centro Cultural Malaposta.



Henrique Tigo – Autor das Portas de Abril






domingo, abril 13, 2014

Morreu o Roque Santeiro



Morreu o Roque Santeiro
José Wilker


Portugal tinha apenas dois canais de televisão e as novelas eram a grande moda, todos viam as novelas, e Roque Santeiro foi o grande sucesso do fim dos anos 80, e José Wilker, tornou-se um dos meus heróis, era um puto e usava um chapéu igual ao dele assim como os óculos escuros, tenho fotos da minha festa de anos (dessa altura) e lá estou eu com o chapéu e os óculos.
Passados mais de 20 anos quase 30, morreu um dos meus heróis, José Wilker o Roque Santeiro, infelizmente não tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente de dar-lhe um Tríplice Abraço Fraterno, como ele merecia.
José Wilker que era um herói e acima de tudo um irmão, que passou para o Oriente Eterno, onde de certeza o GADU o recebeu e onde estão a falar sobre o Roque Santeiro.
Eu já vi a novela Roque Santeiro, três vezes, uma enquanto criança, depois em adolescente quando voltou a dar na GNT, e a pouco tempo na net e quanto mais a vejo mais eu gosto dela.
O enredo é sobre um Santo que não é Santo, pois nem nunca morreu, o Capitalista (Coroné) que manda nos políticos e em todos só porque é mais rico, e um povo que quer a força acreditar em milagres e num Santo, acho que ainda hoje está actual, já viram ou imaginaram como seria se, se prova-se por exemplo que Fátima, era uma farsa?
O que seria de Ourém? Dos Comerciantes? E dos fieis, que necessitam de acreditar em algo? O que seria dos políticos, dos governantes, dos padres?
Mas voltando a novela, o enredo as personagens e a banda sonora, são ainda hoje das coisas mais bonitas que vi, uma novela que nos faz pensar e nos faz rir e pensar, nos milagres e nos seus santos.
Quem não se lembra o Senhorzinho Malta (Estou certou, ou estou errado?) O Sr. que manda e que se acha acima da lei e do estado.
As beatas retratadas pela Dona Pombinha, quantas beatas iguais conhecemos?
A luta entre as “miúdas” do Cabaré e “puritanas” que são iguais ou bem piores…
Já para não falar no lobisomem, figura que mítica que invade o imaginário coletivo a seculos.
Uma novela que tem de tudo e para todos.
Roque Santeiro acaba por deixar a cidade e não desfazer o mito para bem do povo que necessita de mitos para viver.
Um elenco famoso, esta novela esteve até a pouco tempo no record do guiness como a novela mais vista de sempre, mas ainda tem o record e ter tido 100% de audiência no Brasil e em Portugal.
Mas quero deixar aqui aquele abraço fraterno ao Roque Santeiro (José Wilker) de obrigado e dizer-lhe que quando eu passar ao Oriente Eterno vou a tua procura para de dar o TAF que não te dei em vida.

sábado, janeiro 25, 2014

Eu praxante me confesso



Eu praxante me confesso

















Fui praxante e membro da COPA (Comissão Organizadora da Praxe Académica) da Universidade Lusófona de 2003 a 2006 e tenho muito orgulho nisso.
Talvez por a minha família materna ser de Coimbra, concelho de Góis, o pai da minha madrinha ser o actor Alberto Ribeiro, que fez o filme Capas Negras, o meu sonho toda a vida foi usar o traje académico.
Quando finalmente entrei para a Universidade a minha querida Avó, ofereceu-me o traje. Fui comprá-lo a Coimbra numa loja com grande tradição. Lembro-me que foi em Agosto e estavam mais de 40 Graus, mas não importava eu tinha finalmente o meu traje!
Mas voltando às praxes, o meu curso tinha acabado de abrir na Universidade Lusófona, logo não tinham ainda Veteranos para me praxarem. Então fui à Associação de Estudantes pedir ajuda pois queria ser praxado. Lá indicaram-me com quem tinha de falar e finalmente fui praxado. Fiz tudo o que me pediram para fazer e nunca me agrediram, nem fisicamente nem verbalmente.
No meu tempo era assim: No 1º ano éramos praxados por sermos caloiros; Na 2ª matrícula éramos Doutor de Merda – neste ano já podíamos ver e já podíamos dar palpites, mas não podíamos praxar; na 3ª matrícula Merda de Doutor -, aqui já nós podíamos praxar e finalmente no 4º ano éramos Veteranos, a partir da 5ª matrícula já nos podíamos candidatar a Dux. Quantas mais matrículas mais hipóteses tínhamos de ser "aprovado" como Dux.
Uma vez que me tinha destacado como caloiro e como o meu curso não tinha ainda nenhum representante na COPA, fui convidado para membro dessa organização dessa elite para onde poucos tinham a honra de ser convidados. Uma vez que havia poucos alunos, foi me dada a função de fiscal das praxes, (cumprir e fazer cumprir o código das praxes), cargo que ocupei com muito orgulho. Nunca vi abusos nem faltas ao código das praxes. Tive dezenas de afilhados e afilhadas, de vários cursos, desde Geografia a Economia e de quem ainda hoje sou amigo.
Ultimamente é "moda" falarem mal da praxe! E isso mexe comigo, pois não há melhor experiência académica que ser praxado e praxar.
Fui Presidente da Associação de Estudantes do Núcleo de Geografia, vice-presidente da AL, membro do ENDA e do FAIRE, mas para mim ter sido membro da COPA bate todas essas, foram os melhores tempos da minha vida académica! A praxe foi um trampolim para a integração na Universidade, principalmente na Universidade Lusófona pois na altura só havia pouco mais de 15.000 estudantes e se não fossem as praxes não teria conhecido ninguém para além dos colegas do meu curso que nem 30 alunos eram.
O director do meu Curso era Croata e como estrangeiro não conhecia a nossa cultura, história e tradições e não gostava de praxes, nem de nos ver trajados, mas mesmo assim eu levei a minha avante. Lutei pelas praxes e pelo uso do traje académico e venci, nunca pensei que mais de 10 anos depois teria de continuar a defender uma tradição portuguesa com mais de 300 anos, tradição que nem o Salazar proíbiu.
As praxes só servem como meio de integração, não de humilhação nem para magoarmos ou matarmos alguém. Sempre que fazíamos uma praxe, dizíamos o que íamos fazer e perguntávamos aos caloiros se a queriam fazer. Aquele que não quisesse não fazia e nada de mal, lhe aconteceria. A culpa dos exageros não é das praxes, é das pessoas! E dessas há em todo o lado, é raro o jogo de futebol (principalmente entre os Grandes) onde não exista violência física e verbal. Já morreram adeptos de todos os clubes e não vi ninguém a querer acabar com os Jogos…
As praxes são muito menos “violentas”. Para mim só é contra quem não foi estudante ou quem nunca trajou. Se são ou estão frustrados por não terem entrado na universidade ou nunca terem sido convidados para nenhuma praxe, não a culpem!
Eu, praxante me confesso, hoje passados 10 anos. Voltava para lá a correr e ainda hoje fico triste quando passo por um grupo de trajados ou praxantes, por não estar no meio deles…
Outra coisinha, eu fiz tudo o que referi e nunca chumbei. Fiz a minha Licenciatura nos 4 anos dela. Essa que os “gajos” das praxes andam lá e não estudam, comigo também não pega! Dura praxis, Sed praxis!!!


In: revista Sábado 2013

Henrique Tigo
Ex-membro da COPA da Universidade Lusófona de 2003 a 2006

Entrevista sobre a Praxe Academica

A pedido de várias famílias, aqui vai a minha entrevista na RTP no programa Sexta as 9.
A minha participação começa aos 19m21s.
Reafirmo que sou a favor das praxes, nada do que fiz me envergonha, nem fiz nada para envergonhar aqueles que praxei.
Tenho muito orgulho em ter sido da COPA da Universidade Lusófona.
As melhores recordações que tenho desse meu passado, são das praxes.
Viva a tradição académica, viva as praxes...

http://www.rtp.pt/play/p1047/e141785/sexta-as-9-ii

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Carta Aberta a minha Professora



Carta Aberta para Margarida Santos Carvalho.



 













Minha Querida Margarida Santos Carvalho, ainda não acredito, as lagrimas ainda não cessaram!!...
A saudade já começou a apertar...!!...
Lembras-te quando te conheci com apenas 10 anos, como me ensinaste que havia mais no ensino do que estar somente sentado entre quatro paredes. Havia um mundo lá fora e a escola era um espaço de cultura e de vida e que as aulas tinham de ser vividas…
Lembras-te de quando me apresentaste o Prof. Agostinho da Silva, de quando fomos à aula magna representar Fernão Lopes, de quando fomos ao Cais do Sodré recriar Lisboa no seculo XVI, dos nossos Clubes, como acreditavas que havia outra maneira de ensinar?
Ainda te lembras de como chorei na nossa última aula, na Fernão Lopes? E de como sorri quando foste à Dona Maria a minha procura… Do quanto fiquei feliz quando voltaste de Macau!.
Lembras-te das minhas exposições de pintura (estiveste em quase todas…) Ainda te lembras do meu auto-retrato com o meu avental Maçónico que tens no teu escritório
Ainda te lembras das conversas que tivemos sobre o teu jogo? Das conversas sobre Timor, do quanto estavas contente quando me falaste da carta que o Xanana escreveu sobre a nossa Fernão Lopes?
Lembras-te da peça de teatro que escrevi e levei a cena no “Teatro Passagem de Nível” na Amadora, inspirada no que me ensinaste sobre a revolução dos cravos e onde estiveste na primeira fila, no dia da estreia?
Ainda te lembras de teres estado na defesa da minha tese e de me teres dado aquela enciclopédia sobre geografia? Lembra-te de teres apresentado o meu terceiro livro, na Apelação?
Lembras-te das nossas conversas, dos nossos cigarros fumados à volta de grandes conversas e ensinamentos…
Ainda te lembras que nos últimos 26 anos da minha vida estiveste sempre ao meu lado…
Lembras-te da última vez que estivemos juntos, já estavas muito doente e fraca e continuavas preocupada comigo, com o meu trabalho ou falta dele… chamaste-me o “teu menino”. Os teus olhos sorriram e a tua cara ficou iluminada e mais uma vez falamos do teu jogo da vida…Foi tão bom!
Talvez soubesses que 15 dias depois me irias deixar fisicamente para sempre!
Eu sei que sabes que mudaste a minha vida para sempre. Hoje gosto de ensinar porque me ensinaste a amar o ensino, ensinaste-me a ser mais fraterno, a amar a liberdade e o 25 de Abril…
Sinceramente só gostaria de um dia tocar/moldar um aluno como tu me tocaste. A minha vida hoje ficou mais triste porque me deixaste, mas os teus ensinamentos esses sinceramente nunca me irão deixar.

O teu aluno de sempre e para sempre!

Lisboa, 30 de Dezembro de 2013