O Fado Fez-se Futuro em Alcabideche com Homenagem a
Camané.
O Auditório São Vicente, em Alcabideche, transformou-se no
passado domingo, 25 de outubro, no epicentro da envolvência comunitária e da
salvaguarda do património musical português. Pelas 16h00, as portas abriram-se
para receber um público vasto, composto por residentes e representantes de
entidades municipais, que preencheu o espaço para assistir a uma tarde onde a
tradição e o talento intergeracional coexistiram de forma natural.
Este evento da VII Gala de Fado aconteceu no âmbito da
celebração do 9° Aniversário da Escola de Fado da Sociedade Musical de Cascais.
Tendo tido o seu ponto alto e mais aguardado da tarde foi a
justa homenagem prestada a Camané. Reconhecido de forma consensual como uma das
referências incontornáveis do fado contemporâneo, a presença e o tributo ao
fadista conferiram ao evento um selo de maturidade e solenidade, lembrando a
importância de celebrar as grandes vozes que moldam a identidade cultural do
país.
Mais do que uma sucessão de atuações, o espetáculo funcionou
como uma montra viva do trabalho de formação que se desenvolve na região e na
capital. O palco serviu de plataforma artística para os jovens alunos da Escola
de Fado da Sociedade Musical de Cascais, que partilharam o alinhamento com a
convidada Escola de Fado de São Vicente, vinda de Lisboa. A frescura
interpretativa dos mais novos ganhou uma moldura de solidez com a prestação
especial do grupo de fado Alma de Cascais, demonstrando o vigor contínuo deste
género musical.
A identidade lusa foi também explorada através de outros
domínios artísticos. O Grupo de Dança da Sociedade Musical de Cascais subiu ao
palco para injetar cor e dinamismo visual ao evento, apresentando coreografias
desenhadas especificamente sobre as cadências do fado, numa fusão estilística
que prendeu a atenção da plateia.
A condução da gala esteve a cargo da apresentadora
Diamantina, que pautou o ritmo da tarde com elegância. No suporte instrumental,
a precisão e a sensibilidade estiveram garantidas pelos músicos Hugo Afonso na
guitarra portuguesa, Nelson Aleixo e João Filipe na viola de fado, e Hugo Serra
na viola baixo, que asseguraram o acompanhamento técnico e emocional
indispensável a cada interpretação, são os 3, professores da Escola de Fado da
Sociedade Musical de Cascais.
O João Filipe é professor na Escola de Fado de São Vicente,
que foi a escola de Fado convidada.
A verdadeira "cereja no topo do bolo" do evento
foi a atuação do fadista Camané, um momento que arrebatou e comoveu todo o
público presente.
O evento, que teve entrada livre, encerrou num ambiente de
clara proximidade e partilha cultural, deixando evidente a capacidade da
comunidade local em erguer iniciativas de relevo e com forte impacto na
preservação das artes tradicionais.
Henrique Tigo
O espectador misterioso









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