sábado, junho 22, 2013

Homenagem a Joaquim Evónio



HOMENAGEM a JOAQUIM EVÓNIO
(Do afilhado Henrique Tigo)

Joaquim Evonio, meu Padrinho.

É tão difícil falar daqueles que mais amamos, sem parecermos lamechas… ficam tantas coisas por dizer… mesmo assim, vou tentar falar do meu Padrinho, do meu Evonio!!!
Tenho tantas histórias, tantas memórias… vou começar pelo fim, quando, naquele dia de verão, uns senhores o levaram para trás de um pano, onde o iam transformar em cinzas!!!
Até aquele momento, estava frio e distante, como uma rocha, sem verter uma lágrima, mas naquele momento vieram todas de uma só vez…
No dia anterior, fui o último a sair do seu velório, apaguei a luz olhando para o seu caixão e disse-lhe: “Padrinho vou ali fumar um cigarro e já volto…” 
Dias antes tinha estado no hospital; confesso que aguentei até ao fim para o ir visitar, pois na minha cabeça, aquele “monstro sagrado” estava bem e ia sair a qualquer momento; depois tive a noticia que afinal não era assim, que ele só ia sair de lá numa caixa de pinho…
Disseram-me que ele estava farto de perguntar por mim, pelo seu afilhado…
Sai do trabalho e subi a rua; foram os mais difíceis 300 metros da minha vida, passou-me tudo pela cabeça, tive medo do que ia encontrar; entrei no hospital, havia militares por todo o lado, cheguei à senhora da recepção e disse-lhe: “Quero visitar o Sr. Joaquim Evonio de Vasconcelos” e ela respondeu-me: “ O Sr. Coronel está no 7 andar, quarto tal…” Lá fui a medo, parei à porta do seu quarto, respirei fundo e entrei.
Lá estava o meu padrinho, deitado com uma mascara na cara; mas, de resto, igual a si mesmo, com as suas barbas brancas, o seu cabelo todo.
Cheguei-me ao pé dele, dei-lhe aquele beijo que sempre lhe dei, e disse-lhe: “Então padrinho, como é??? Um dia tão bonito e você aqui deitado…” Tirou a mascara e disse-me: “ Então oh desgraçado!!!… onde tens andado?” e vi nos seus olhos uma lágrima de emoção por eu estar ali.
Ali ficamos os dois, mais de uma hora, falei…falei, notava-se que ele estava com dificuldade em respirar, mas ainda me disse para eu ir buscar o computador dele, para vermos as novidades na Varanda das Estrelícias, mas como ele estava muito cansado, lá lhe disse que faríamos isso noutro dia…
Agarrei na sua mão e ficamos ali uns 10 minutos, de mãos dadas; depois disse-lhe que tinha de ir, mas que voltava no dia seguinte.
Confesso que saí de lá, com esperança que ele se recuperaria; liguei a minha madrinha, a contar-lhe o que se tinha passado e a transmitir a minha mensagem de esperança.
No dia seguinte (quinta-feira) voltei, não me queriam deixar entrar, pois já lá estava muita gente: a minha madrinha, a minha prima Pakika, o meu Pai e o Manuel Antunes, mas eu lá entrei na mesma, dei-lhe um beijo, fiz uma festa na mão e saí…
Na sexta-feira não fui lá, só foi o meu Pai, que foi das últimas pessoas a vê-lo com vida…
No Sábado estava na auto-estrada quando o meu telemóvel tocou: era a minha mãe a dar-me a noticia, com muito medo da minha reacção… Confesso que foi um misto de sensações: raiva, descrédito, tristeza, etc, etc.
Aquele “monstro sagrado” tinha-me deixado, tinha feito comissões na Guerra do Ultramar, 17 operações com anestesia geral, tinha lutado contra tudo e contra todos e agora desaparecia assim…tinha-me deixado…
Olhando para traz - na minha vida - ele, tinha lá estado, nos momentos mais importantes.
Sem barba, com barba, nas minhas exposições, na defesa da minha tese de licenciatura, na mesa de honra dos lançamentos dos meus três últimos livros... fez a revisão dos meus textos, dos meus livros, das minhas teses; dizia que eu tinha boas ideias, mas que escrevia mal, devia-me dedicar só a pintura e deixar a escrita, mas eu sei que - no fundo - ele tinha orgulho de mim e do que eu escrevia…
Lembro-me de ele dizer cheio de orgulho: “Este é Dr.!!! Eu estive lá… e vi a defesa da sua tese!!!
Eu e o meu pai fizemos a exposição oficial dos 500 anos do Funchal, e, quando dei por mim, o Padrinho estava lá; tinha-se metido num avião e tinha ido à Madeira, para estar connosco e para a inauguração da exposição.
Durante anos todas as sextas-feiras jantamos juntos. Estávamos juntos a jantar quando o meu Pai teve o ataque cardíaco, e ele fez tudo para salvar a vida do meu pai…
Esteve no meu casamento, ao meu lado no altar, foi o último a sair do meu casamento, levou livros e deu-os a todos: quando dei por mim estava toda a gente à volta dele, enquanto ele declamava e dava autógrafos!
Ainda hoje, quando entro na sua casa, estou sempre a espera que ele saia do escritório a gritar: “Estás cá oh desgraçado!!!”.
Passados uns dias do seu desaparecimento físico, a minha madrinha chamou-me lá a casa e disse-me: “ O teu padrinho, queria que tu ficasses com o carro dele…” e assim todos os dias estou mais perto dele… ele mora no meu coração, na minha alma!!!
Por isso tenho orgulho em dizer: O Evonio é o meu amigo, é o meu padrinho, e tudo farei para não deixar apagar a sua memória.
Este “monstro sagrado” deixou a Ilha da Madeira, para vir para a Capital do Império, para ser militar; por Portugal perdeu a ponta de um dedo, um pé, fez 17 operações, criou a Protecção Civil, e deu voz aos “artistas” desde mundo através da Varanda.
E hoje esteja ele onde estiver, tenho a certeza que - entre um copo e um cigarro - continua a plantar a semente da palavra.


Henrique Tigo
(afilhado)
Ilustração H. Mourato

quarta-feira, março 20, 2013

Entrevista ao Grão-mestre


Confraria dos Enchidos faz 6 meses
Entrevista com o seu Grão-mestre.

Quando se ouve falar em Confraria Gastronómicas, pensamos logo em algumas regiões de Portugal, mas no passado dia 31 de Outubro de 2012, nasceu uma nova confraria em Lisboa.

Um grupo de amigos juntou-se e criaram a confraria de que se fala no momento, uma vez que a mesma faz meio ano de existência resolvi realizar esta entrevista com o confrade fundador e Grão-mestre Henrique Tigo para melhor conhecermos esta confraria.

O.F: Como tiveram a ideia de criar a Confraria dos Enchidos?
H.T: Nós já andávamos com a ideia de criar uma confraria, e como todas as sextas feiras, almoçamos juntos e já nós entoávamos “a confraria”, e as nossas entradas são sempre uma travessa de enchidos, achamos que poderíamos ser a Confraria dos Enchidos.

O.F: E que passos deram para criar a confraria?
H.T: Fomos nos informar se já havia alguma confraria dos enchidos, vimos que não… então, entramos em contacto com a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG), tivemos todas as informações e indicações de como criar uma confraria, e a Dr.ª Madalena Garrido, presidente da FPCG, deu-nos toda a ajuda necessária para tornar esse sonho numa realidade.

O.F: Porque dizem que a confraria nasceu no dia 31 de Outubro de 2012?
H.T. Foi no dia em que nos reunimos todos, numa assembleia-geral, e onde criamos os nossos estatutos e elegemos os órgãos sociais, ficando assim a data oficial “do nascimento da confraria”.

O.F: Que passos deram a seguir?
H.T: Tivemos de criar um logótipo e um traje, pelo que  falei com o artista plástico Ricardo Passos que criou este lindíssimo logótipo e eu desenhei o traje, criamos um facebook e uma página na net, ambos criados pelo nosso confrade Pedro Boléo. Site que aconselho uma visita em www.confrariadosenchidos.com

O.F: Sabemos que já houve uma polémica com o vosso logótipo que andou em vários jornais regionais e nacionais. O que se passou afinal?
H.T: Fomos questionados por outras confrarias se estávamos a promover/apadrinhar a Feira dos Enchidos de Monchique, pois o nosso logótipo estava nos cartazes daquele evento quando analisamos, o logótipo usado pela autarquia  para promover o certame era "praticamente igual" ao da nossa confraria.
Assim entramos em contacto com os responsáveis da Câmara Municipal, que negaram a semelhança entre as imagens e afirmaram que agora nada poderiam fazer, uma vez que o material publicitário já tinha sido distribuído e que mesmo que fossemos para tribunal, até a situação ser resolvida o certame já tinha acabado.
Mesmo assim demos à Câmara uma hipótese de chegar a um consenso até hoje, mas ainda não obtivemos resposta, e não houve qualquer pedido de desculpas ou tentativa de se dissociarem da imagem da confraria.
Aliás os responsáveis da Câmara além de nada terem feito ainda disseram em publico que esta polémica ainda fez que o certame tivesse mais visitantes, pois “demos-lhe publicidade grátis e da boa”.
Quero salientar que a C.G.E não tem nada contra este tipo de certames pois um dos objectivos da nossa confraria é ajudar os produtores e artesãs/ artesãos dos enchidos, assim como aos apreciadores de enchidos, promover o contacto com o que de melhor se faz em Portugal.

O.F: A quem diga que as confrarias são um grupo de amigos que se reúnem só para “almoçaradas”. O que diz sobre isso?
H.T: Os objectivos de todas as confrarias estão bem definidos por cada uma, mas todas tem como objectivo defender a gastronomia nacional que além de ser um património nacional, é também cultura, preservando assim as receitas dos nossos antepassados, ajudando as mesmas a passarem de geração em geração.
Assim as confrarias são como cavaleiros que se comprometem as zelar e divulgar a nossa identidade através do enorme património gastronómico que os nossos antepassados nos deixaram

O.F: E então que iniciativas fizeram até agora?
H.T. Realizamos no nosso I Capitulo de Entronização, e onde os nossos principais órgãos sociais foram entronizados pelas nossas confraria madrinhas, a Confraria da Chanfana e a Confraria da Marmelada de Odivelas.
Organizamos uma prova de degustação em Massamá, fomos o júri do melhor enchido da 24ª Feira do Enchido em Tábua, celebramos protocolos com algumas entidades para ajudar e difundir o enchido nacional, em Portugal e além fronteiras. Criamos uma newsletter, entre outras.

O.F: Quantos confrades têm a Confraria dos Enchidos?
H.T: Somos cerca de 50, e em Maio serão entronizados mais 20.

O.F: Nas confrarias existem sempre figuras publicas a confraria dos enchidos, tem algum “famoso”?
H.T: Sim, são nossos confrades o Paço Bandeira, Jorge Ganhão e serão entronizados em Maio o Carlos Alberto Moniz e o Arquitecto Tomás Taveira entre outros.
 
O.F: Como nós podemos tornar confrades?
H.T: Através de convite de algum dos confrades, ou então podem ir ao nosso site fazer uma candidatura espontânea.

O.F: Onde é a vossa sede?
H.T: A nossa sede é em Lisboa mas além de Lisboa temos uma delegação no Alentejo e outra em Leiria.

O.F: Quando vai haver entronizações de novos confrades?
H.T: Normalmente as confrarias só fazem um Capitulo de entronização por ano, mas a Confraria dos Enchidos, que não está limitada a uma zona, concelho ou distrito e não tem qualquer apoio, patrocínio ou ajuda de qualquer autarquia ou entidade pública ou privada, vai realizar só em 2013, mais 3 entronizações e elas são:
II Capitulo de Entronização – 11 de Maio em Góis, com o apoio da Câmara M. de Góis.
III Capitulo de Entronização – 31 de Agosto no Castelo de Ourém, Restaurante Medieval de Oureana, com o apoio do Real Confraria Enófila Gastronómica - Instituto D Afonso, IV Conde de Ourém.
IV Capitulo de Entronização – 31 de Dezembro de 2013/1 de Janeiro de 2014, passagem do Ano no Cruzeiro no Tejo.


O.F: Então e para finalizarmos, quais são os projectos futuros da Confraria dos Enchidos?
H.T: Apoiar a elaboração e divulgação de trabalhos sobre a gastronomia regional, e em especial dos enchidos e pratos e sopas que levem enchidos, designadamente sobre a sua história e antigas técnicas de produção;
Promover seminários, conferências, workshops e passeios culturais;
Divulgar por todos os meios adequados, as virtudes e tradições ligados à gastronomia regionais na realização e produção de enchidos;
Organizar concursos afim de eleger e premiar anualmente os melhores profissionais da gastronomia, quer no âmbito da cozinha quer serviço que a complemente, bem como as entidades individuais ou colectivas que tenham contribuído de forma relevante para promover a gastronomia dos enchidos em Portugal e além fronteiras;
Estabelecer relações com outras confrarias existentes, portuguesas ou estrangeiras, privilegiando as que se ocupem da gastronomia Portuguesa;
Colaborar com os órgãos locais, regionais, nacionais ou internacionais de turismo em todas as acções tendentes à divulgação e promoção dos nossos enchidos.
Elaboração de uma revista ou catálogo com o fim de promover os melhores enchidos e pratos tradicionais.
Organizar provas de degustação, almoços, jantares festas, recepções, banquetes, reuniões, pelos menos mais dois capítulos de entronização de novos confrades até ao fim do ano.

Entrevista de Orlando Fernandes (Jornalista)

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Natal 2012


Neste Natal de 2012 desejo, com amizade, muita saúde.

Que esta Quadra Natalícia, em que os corações se abrem na solidariedade fraterna, possa também ser um sinal de esperança na concretização dos vossos anseios.

O momento difícil que se vive em Portugal é de receio e de preocupação, mas deverá também motivar o crescimento das forças para o ultrapassar.

Desejo, por isso, pão e saúde nesta época Natalícia.

Se o Mundo puder ser diferente, melhorará a vida das nossas crianças e dos nossos idosos e esse será o melhor prémio que poderemos ter neste conturbado Planeta.

O meu abraço fraterno a todos e a cada um, para que deste calor humano possa surgir a luz para iluminar o vosso caminho, na esperança de dias melhores, numa eterna cadeia de união entre todos.

Henrique Tigo

quinta-feira, agosto 30, 2012

A morte da TV


A morte da TV 

Durante anos tivemos a Censura em Portugal, agora que vivemos em Democracia e este regime está a matou a TV (publica), ao criarem a televisão digital (TDT), que em Portugal que começou a emitir a 1 ano.
Implementou-se uma rede de última geração com a mais recente tecnologia de emissão e compressão de sinal. Mas quase ninguém sabe que existe, e nem todos a conseguem receber pois as mentes “pensadoras” de Portugal, não tiveram em conta as características geográficas, assim existem zonas onde o sinal não chega, normalmente chamada de zona “espelhada”.
Em Portugal a dita zona “espelhada” é só de 47%, sendo que 20% é em zonas urbanas e 27% em zonas regionais.
Então como é que as pessoas podem ver TV??? Temos então de montar uma nova antena no telhado. Uma coisinha barata, tudo somado antena, 2 descodificadores e respetiva montagem, fica pelo menos em apenas 220 euros. Nada mau, para quem ganha a o ordenado ou reforma mínima. Quem diria que estamos num país em profunda crise económica. Ah e só a PT vende a antena para zonas “espelhadas”. Estes valores é só para quem recebe, os quatro “canaizinhos”.
O que é mais giro é que temos de pagar 220 euros para ter uma antena, para recebemos os 4 canais “normais”… Mas tenhamos ou não dita antena, vivemos ou não numa zona “espelhada” pagamos a “taxa de TV” na factura da EDP. (É só sacar…)!!!.
Em vários países da europa entre os quais França, Itália, Alemanha, Suécia, o TDT funciona as mil maravilhas todos recebem o sinal e quando estão em zonas espelhadas, a antena necessária é colocada gratuitamente, as autarquias locais tratam da burocracia e os utentes tem direito a ver TV e atenção que não só 4 canais, pois o TDT não foi criado só para os quatro canais… já aqui ao lado em Espanha regulamentou-se a Lei da TV, legalizaram as TV locais, assim cada Espanhol recebe em média 28 canais gratuitos, em Portugal nem os quatro recebemos.
Quando e se com sorte recebemos os dito quatro canais “generalistas” a RTP 1, RTP 2 , SIC e TVI que são as únicas empresas de televisão a emitir em Portugal em TDT e agem como monopolistas. Não existe uma única televisão regional ou local, caso único em toda a Europa. A PT, que tem a exclusividade da transmissão do TDT e ela recusou ativar a rede codificada de canais e incorrendo em incumprimento ainda teve a lata de pedir a devolução da caução! Claro que só podia ter esta atitude, ou não tivessem eles a MEO satélite….
Assim o Povo ou tem dinheiro ou perde o direito de ver TV, claro que existem “situações” especiais em que o estado comparticipa a dita antena de TDT em zonas “espelhadas” e elas são:

a) Cidadãos com grau de deficiência igual ou superior a 60%;
b) Famílias beneficiárias do rendimento social de inserção (RSI);
c) Reformados e pensionistas com rendimento inferior a 500 euros mensais.

Mas porque a bondade do Estado tem limites, assim o valor dessa comparticipação é, no máximo, de 22 euros e será atribuído "após a compra do equipamento". Ou seja, pague lá a conta, que depois nós devolvemos 10%...Se não pagarem não veem TV, mas o (estado) saca na mesma o nosso dinheiro na mesma, na factura da EDP. Se não quiser meter esta antena, pode sempre meter o MEO ou a ZON, eles resolvem tudo, só temos de pagar duas vezes a mensalidade deste serviço mais a “taxa de TV” na factura da EDP.
Henrique Tigo