quinta-feira, agosto 28, 2008

Verdade ou Razão

Verdade ou Razão


Aqui estão dois conceitos totalmente diferentes, mas que todos nós os queremos ter ao nosso lado em todas as ocasiões…
Mas o que é a verdade?
Existem mil verdades, cada pessoa, cada verdade… temos a verdade formal que é a que consiste no acordo do pensamento consigo mesmo, na ausência de contradição, temos a verdade material que é a que consiste na conformidade do pensamento ou da afirmação com um dado factual, material ou não, temos ainda a verdade eterna, principio que constitui as leis absolutas dos seres, como as normas absolutas do pensamento, e que são como que um reflexo do pensamento… mas ninguém sabe ao certo o que é a verdade…
Por outro lado temos a razão, que é a faculdade com que o homem discorre, julga e se distingue dos outros animais, ou seja, uma faculdade de conhecimento e de compreender, de distinguir a relação das coisas, o verdadeiro e o falso, o bem e o mal e por aí fora…
Que posso dizer mais sobre a razão, pois, para mim a razão é bicéfala, como Juno: Olha para a frente e para trás. Triste destino o de Juno. Triste destino o da Razão!
Por exemplo, dizem por aí, para grande perplexidade e espanto meu, que os meus pequeno artigos, tem pretensões literárias, o que para mim é mentira, tratam-se apenas de textos de opinião ou de textos informativos e só isso… Confundir informação ou opinião com literatura é o mesmo que pensar que a corruptela barata “Hades-ver” deriva directamente do Hades Grego.
Como é sabido infelizmente as pessoas e os textos têm algo em comum: As Gralhas e enquanto às pessoas permitem que lhes subam às gralhas à boca os textos – todos os textos – consentem que elas pousem.
É certo e sabido que não sou formado em Português, pois não sou, sou formado numa coisinha bem diferente, em Geografia do Desenvolvimento Regional e tenho vários cursos em artes plásticas, mas em Português não…
Mas na minha modesta opinião ninguém sabe tudo, sobre a nossa Língua…
Voltando as Gralhas… Quem não as tem? Nunca vi um livro, um texto ou um artigo sem elas, mesmo existindo uma nobre profissão chamada “Revisores tipográficos” para acabar com elas.
Agora confundir gralhas, com erros ortográficos, isso já é ser mauzinho.
Quero ainda dizer que escrevo porque gosto ( não quero roubar o cargo a ninguém, nem sou candidato a nada) e só posso dizer que de acordo com a legislação em vigor nas Sociedades democráticas, o direito de expressão está imbuído duma característica Sui Generis a da Liberdade, como no diz a Lei de Imprensa (Lei n.º 2/99 de 13 de Janeiro e rectificação 9/99). Está é a minha razão.
Daí que ninguém possa duvidar da genuinidade ou autenticidade de um artigo de opinião meu, criado em nome individual quando este pretende atingir objectivos claramente expressos no mesmo. Está é a minha verdade.
Todavia, parece-me existirem certos mal-entendidos que convém esclarecer. Para avivar as memórias de todos, os primeiros GóisArte (em particular o 1º, em 1997, onde estive ligado a organização), realizaram-se nos salões dos Bombeiros Voluntários de Góis. É muito natural que algumas pessoas não se lembrem, uma vez que só aqui chegaram a meia dúzia de meses, e eu já cá ando a anos e anos e ocupo o meu cérebro com estas pequenas coisas, mas não há problema, porque quando elas se forem embora, (voltarem a sua vidinha doméstica) eu vou ficar (como pintor, organizador de eventos culturais, escritor e geógrafo), para continuar a fazer este tipo de memorandos e muitas outras coisas no vasto mundo cultural.
Dizem por aí que o GóisArte tem um júri composto por “verdadeiros conhecedores de arte”, aqui está uma afirmação com a qual eu fico contente e satisfeito, pois a cultura nacional, não merece menos que isso.
Dizem, também, por aí que existem autarcas, que quase nunca escreveram uma linha num qualquer jornal e quando o fazem, tem intenções menos rectas e ofensivas que nada têm a ver com o espírito humanista, cultural, desinteressado e futurista que um autarca deve ter, pois existem pessoas que se sentem ofendidas, o que não é o meu caso… É sempre bom ouvir a voz de um autarca (eleito de uma entidade pública em termos técnicos e/ou administrativos, fiscalizado e tutelado pelo Estado, que se encontra ao serviço do povo e para o povo), sentir-lhe a presença, escuta-lhe a opinião, conhecê-lo melhor…
Eu pessoalmente fico feliz quando isso acontece, pois também gosto de saber que tenho entre os autarcas nacionais, leitores assíduos e atentos dos meus artigos.
Mesmo que ache que não se limpa, um trabalho mal feito, com artigos, mal fundamentados e organizados
Fico triste, sim, quando escrevo para entidades públicas, em particular para um autarca e ele não cumpre o que a lei do Código de Procedimento Administrativo visa no artigo 9º do Decreto – lei n.º 442/91 de 15 de Novembro e alterado pelo Decreto-lei n.º6/96 de 31 de Janeiro, em que todas as cartas devem ter resposta. Mesmo que o conteúdo da mesma tenha sido “deselegante” ou qualificado com outros adjectivos similares…
Sei ainda que gozam por aí com exposições realizadas em cafés, etc. Para mim, é verdade que existem várias formas de Cultura: A Cultura forrageira, cultura industrial e a cultura promíscua entre outras…Mas como pretendo ser uma pessoa erudita (com u), gosto de partilhar com todos, certo tipo de informações. (isto é a minha verdade).
A história cultural dos cafés é um desses exemplo, são espaços de cumplicidade, intrigas, conspirações e afectos, o café constitui uma referência obrigatória na vida quotidiana, onde se recriam as vivências culturais e políticas, profundamente empenhados em modificar estilos e mentalidades.
As tertúlias (assembleia literária ou artística ou pequena agremiação literária) culturais interpretam um desempenho fundamental na procura de uma mais empenhada cidadania, lutando assim contra a solidão, porventura ingénua e utópica e a construção participada de uma sociedade.
Ao longo dos séculos os pintores, escritores, intelectuais e artistas fazem dos cafés a sua segunda casa, desde Bocage, passando por Almada Negreiros, Picasso, Salvador Dali e um sem números de outros artistas fizeram teatro, poemas, livros e exposições em Cafés…Mas nunca ouvimos que tenham sido feitas nenhuma destas coisas em tendas “tipo casamento” para estarem perto da Natureza…
Dizem por aí muita coisa, uma “má-língua” crescente, pessoas que não dão a cara, que se escondem atrás de siglas, iniciais, “alcunhas” e pseudónimos, para escreverem aquilo que tem medo de assumir.
Escrevem-se “coisas” para o ar, para ser se alguém as “agarrada” ou para ver se colam… Não há destinatários directos, pois também não há coragem de dizer frente a frente. Vão-se deixando as coisas assim, no faz de conta que disse, no faz de conta que sou muito culto, criando assim um ambiente de desconfiança e suspeição entre todos. Ainda não se aperceberam que são rotulados de cobardes e que por muitas verdades que possam dizer, anonimamente perdem toda a sua dignidade?
Felizmente, vivemos em Democracia, há mais de três décadas, já não há Censura, nem PIDE, as pessoas não tem de viver amedrontadas, devemos dar a cara, eu pessoalmente toda a vida dei… Vamos nos deixar escondermos, pois vivemos numa sociedade muito pequena, onde todos se conhecem, todos sabemos quem são aqueles que se escondem trás dessas siglas, iniciais, “alcunhas” e pseudónimos, e curiosamente até sabemos porque o fazem.
Já não existem crimes perfeitos, até os textos anónimos na Internet deixam rasto, todos os PC têm um IP (um número de série, tipo n.º do BI) e quando pensamos que estamos a deixar algo anónimo, deixamos rasto, para isso basta saber um pouco mais de informática e trabalhar ou ter amigos que trabalham em empresas que prestam serviços de Internet (PT, ZON, Clix entre outras) para se saber, a quem pertence o computador de onde saíram daquelas mensagens “pseudo” anónimas.
Eu pessoalmente, até hoje, nunca me senti atingido por nada, uma vez que quem me fala nas costa respeita-me à frente, mas sei que depois deste artigo sair, irei andar nas bocas do mundo, e uma data de siglas, iniciais, “alcunhas” e pseudónimos, irão escrever isto e aquilo, mas não me importa, pois tenho a consciência tranquila, dei a cara, fiz e escrevi aquilo que achei ser importante ser dito e principalmente assino com o meu nome e com a minha fotografia, assim como com o meu grau académico, por que sim eu tenho grau académico, (doa a quem doer) tenho muito orgulho dele… não é fantasma nem inventado, nem foi comprado, tenho certificado e diploma dele, não tenho formação académica só por ter frequentado a “cantina” desta ou aquela Universidade.
Como Almada Negreiros disse no Café A Brasileira do Chiado “… Digam bem ou digam mal, o importante é que falem em mim…”


Dr. Henrique Tigo

segunda-feira, agosto 04, 2008

ELVIS PRESLEY 31 Depois




Elvis Presley, 31 anos após o seu desaparecimento físico, continua a ser uma das maiores referências do público mundial. Elvis é o homem mais rico do mundo (morto), continua a ser o homem com mais entradas no “livro dos records”, não existe um único dia em que não passe uma musica dele numa qualquer rádio, ou uma única referencia a ele na TV ou neste ou aquele filme. Ninguém tem tantos clubes de fãs pelo mundo como Elvis só em Portugal existem 2 oficiais e outro não oficial.
Elvis Aron Presley, nasceu a 8 de Janeiro de 1935 em Tupelo Mississipi, USA e morreu a 16 de Agosto de 1977 em sua mansão Graceland (a segunda casa mais visitada do mundo), tinha 42 anos, morreu em circunstâncias estranhas, atribuídas ao uso de drogas e comprimidos para dormir, mas para trás ficavam uma intensa carreira musical, fez três dezenas de filmes em que o ajudaram a rentabilizar a fama e parte da sua fortuna. Hoje o seu corpo repousa em Graceland, casa que Elvis comprou em 1957, aos 21 anos de idade, a mansão Graceland, em Memphis, num túmulo diariamente visitado por centenas de «peregrinos». Da sua memória rezam centenas de «hits» que continuara a andar na nossa boca, centenas de crónicas saem em jornais e revistas, recordações compiladas em livros que se esgotam em edições sucessivas Elvis virou a marca mais conhecida do mundo, tudo o que tenha a imagem ou a palavra Elvis vende… a sua imagem continua a reproduzir -se em mil e uma silhuetas que se reflectem num espelho levemente embaciado pelo tempo, e há mesmo quem jure a pés juntos que o «rei» não morreu.
Mais de trinta anos após a fatídica data, os discos do "rei" continuam a ser vendidos ao mesmo ritmo. Milhares de pessoas lembram-no com saudosismo e autêntica veneração! Ele continua a ser o herói de todos os que consideram o rock a expressão musical identificada com a irreverência e a contestação juvenil
Só que para alguns ele está vivo e bem vivo! Contestando as hipóteses de morte por excesso de drogas ou problemas cardíacos, uma escritora refuta qualquer das "teses", afirmando que o cantor passou a sua própria Certidão de Óbito e algumas testemunhas garantem que o viram. Decerto que, se está vivo como alguns afirmam, ele conseguiu mais uma proeza invulgar.
Eu sou fã de Elvis e como já disse em alguns programas da TV, Rádio, jornais e revistas, acho que sou fã de Elvis desde a Barriga da minha mãe, pois já o meu Pai é seu fã e eu cresci a ouvir o Elvis e comecei ao poucos e poucos a fazer colecção de coisas relacionadas com o Rei do Rock, tenho mobiliário, mais de 150 cd quase 50 DVD e outros tantos em VHS, cassetes, discos de vinil entre um sem outro numero de “coisas” relacionadas com Elvis.
Fui Director Artístico do Clube Oficial de Fãs do Elvis – Burning Star, 2001/02 e Coordenador Artístico da Associação de Fãs de Elvis 100% – Sting Rocking, além de Comissário e criador da I Exposição Colectiva de Artes Plásticas “Tributo ao Rei do Rock’n’Roll” 2002, já participei em pelo menos quatro exposições de pintura de homenagem a Elvis na sua mansão em Graceland e até já ilustrei um CD de Elvis Presley “The Miracle of the Rosary”, um álbum que Elvis gravou a 13 de Maio de 1973 em homenagem a nossa Senhora de Fátima e que a Fundação Oureana presidida por D. Duarte Pio de Bragança conseguiu editar em 2002.
Elvis Presley tem sido uma constante na minha vida, em todos os momentos da minha vida e sempre que possível lá está uma referência ao Rei, até no dia do meu Casamento, consegui que na igreja tocassem uma música do Elvis.
Passado mais de trinta anos da sua morte, não podia deixar de escrever umas linhas sobre o homem o cantor a provar que não foi esquecido, "mesmo após a sua morte" Elvis continua vivo entre nós. Em pensamentos, palavras e Obras.
“Elvis descansa em paz e obrigado por tudo o que nos deste e ainda dás…”

Henrique Tigo

segunda-feira, julho 21, 2008

Um pequeno retrato de Colmeias


Henrique Tigo – Lança Novo Livro
“Um pequeno retrato de Colmeias”


No passado dia 19 de Julho de 2008, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Colmeias foi lançado mais um Livro do Dr. Henrique Tigo, um estudo exaustivo e inédito sobre esta freguesia de Leiria.
O mensário informativo NOTÍCIAS DE COLMEIAS apresentou ao público esta publicação, como nunca se tinha feito na freguesia de Colmeias, atrevemo-nos a dizer que poucas freguesias de Portugal terão uma investigação cientifica deste tipo, um estudo demográfico de grande valor e significado histórico.
Estiveram na mesa de honra a fazer a apresentação deste livro Joaquim Sousa (Director do Noticias de Colmeias) Dr.ª Maria de Fátima Sismeiro (Presidente da Junta de Colmeias) Dr. Joaquim Evónio (Poeta e Escritor) e o autor Dr. Henrique Tigo.
O Livro intitula-se “UM PEQUENO RETRATO DE COLMEIAS”, esta obra é o reflexo de muitos meses de pesquisa, de tratamento de informação referente da comunidade de Colmeias, de cálculos matemáticos, de interpretação de gráficos, de averiguações de áreas e fronteiras, de caracterização de um povo e os seus hábitos.
Nas palavras do Director do “NOTÍCIAS DE COLMEIAS” O Dr.Henrique Tigo quis oferecer este contributo à comunidade de Colmeias através do, facto que agradeço reconhecidamente.
Desta forma, a freguesia que acolhe este trabalho é valorizada com uma obra que perpetuará memórias, com factos relevantes que identificam urna região de grande importância concelhia. Colmeias, fica mais rica com este contributo. O autor dedicou-se com muito sentimento à escrita, ao levantamento de dados, levando a todos os leitores a essência da alma de uma gente, ora residente na freguesia de Colmeias, ora espalhada por esse mundo fora.
No meu entender, ao nascer urna publicação com estas características, é elementar que qualquer Colmeense seja portador de um livro que alberga, nos seus conteúdos informativos, os factos de importância crucial para o reconhecimento da realidade de uma terra de história. Colmeias de outrora e do presente, apresentada como nunca se fez nas edições literárias desta povoação...
Por ser um facto tão significativo na vida da sociedade Colmeense, apresento publicamente um voto de louvor ao Dr. Henrique Tigo, que sem hesitar e de forma desinteressada, tornou real este "Um Pequeno Retrato de Colmeias". Só não concordo mesmo com o título que o autor fez questão de colocar em estampa. Deveria ser mesmo "Um Grande Retrato de Colmeias".
O Dr. Joaquim Evónio falou sobre o lado humano, geográfico e artístico do autor, falando-nos também um pouco de geografia e a Sr. Presidente da Junta de Colmeias Dra. Maria Sismeiro, agradeceu o interesse e a dedicação desta obra, com a qual a freguesia fica com uma análise profunda nos aspectos geográficos, demográficos, culturais e até económicos, conseguindo assim uma caracterização elementar de Colmeias.
Na contra capa desta obra encontramos ainda as opiniões de um Historiador e de um Psicólogo, que nos dizem o Dr. Daniel Delgado “…Henrique Tigo, embora seja geógrafo, não escreve só sobre geografia, mas sobre as circunstâncias históricas, políticas e sociais que a determinam…
Posso afirmar que esta obra “Um pequeno retrato de Colmeias”, talvez seja o livro mais importante, que se escreveu na área da Geografia sobre a pequena freguesia de Colmeias…” ainda o Dr. Rui Pereira de Freitas escreveu:
“…A Análise Demográfica da pitoresca freguesia de Colmeias agora apresentada pelo Henrique Tigo é disso exemplo: alia e compõe a informação técnica com um discurso criativo, de fácil e agradável leitura.
Colmeias fica assim retratada, de forma harmoniosa pela força das pinceladas geográficas e científicas do Dr. Henrique Tigo, o “puto” artista feito Homem geógrafo…”
Achamos ainda ser importante referir que esta obra tem capa de autoria do Mestre H. Mourato, e que tendo a conta a importância desta obra será realizado um segundo lançamento, desta vez em Lisboa no Museu da República e Resistência – Espaço Grandella no próximo dia 19 de Setembro de 2008, pelas 18h30, para o qual ficam todos desde já convidados.

segunda-feira, junho 16, 2008

Bandeira Nacional




BANDEIRA NACIONAL
A sua origem e a sua História.



Estamos novamente no Euro, e os Portugueses voltam a lembrar-se que têm uma Bandeira e voltam a ter orgulho nos nossos símbolos, muito graças a um Brasileiro (Luiz Felipe Scolari ) o seleccionador nacional de Futebol.
Voltamos a ver Portugal revestido de Bandeiras, quase todas as janelas e carros, mas num inquérito feito a poucas semanas revelou que os Portugueses não sabem o seu significado, assim com a sua história, esta bandeira que hoje metem a janela, por isso lembrei-me de escrever este artigo.
No princípio só havia insígnias militares; mais tarde símbolos das Casas Reais, as bandeiras têm uma história milenária. Só a partir do século XVIII, contudo, podemos dizer que se tornaram sím¬bolos nacionais, tal como em Portugal.
As bandeiras que representavam as sucessivas famílias reinantes — umas confirmadas por documento, outras de que não estamos tão seguros — ficaram na nossa História como emblemas de Portugal. Também as bandeiras que identificavam os navios no período dos Descobrimentos e do florescimento do comércio marítimo se podem dizer representativas de Portugal no Mundo.
Mas só a bandeira branca de D. João VI, e a última bandeira da Monarquia, azul e branca, oficialmente adoptada por D. Pedro IV em 1830, poderão ser consideradas verdadeiramente nacionais.
Mas desde o início de Portugal com D. Afonso Henriques em 1143, Portugal teve uma Bandeira que durou 42 anos, contudo alguns historiadores acreditam que essa bandeira nunca tenha existido, acham que fosse só o escudo do rei.
De D. Sancho I a D. Afonso III, o escudo de prata passou a ter cinco escudetes azuis dispostos em cruz, no Reinado de D. Afonso III e até D. João I, o escudo branco foi acrescido de uma bordadura vermelha com castelos a ouro, sendo a Bandeira Nacional durante 137 anos de 1248 a 1385.
De 1385 a 1481 ou sejam 96 anos, foi a primeira bandeira nacional historicamente confirmada, igual a anterior mas acrescida com a cruz de Aviz.
D. João II terá alterado a Bandeira, tornando-a mais simples e sem a cruz de Aviz, ainda neste reinado é introduzido o formato rectangular da bandeira e o escudo de armas é colocado, encimado pela coroa real, sobre um fundo branco, esta Bandeira durou 92 anos até ao Reinado de D. Sebastião, seguindo-lhe 60 anos (1580 – 1640) de interregno com a era Filipina, onde durante esses anos fomos novamente espanhóis.
Com a restauração voltamos a ter bandeira e de D. João IV a D. João VI (176 anos) bandeira voltou a ser semelhante sendo a única diferença no formato do escudo e da coroa (sendo o escudo igual ao da nossa bandeira de hoje). D. João VI introduzi-o a esfera armilar – antigo símbolo pessoal de D. Manuel I e que figurava nas armas do Brasil, para simbolizar o Reino Unido de Portugal e dos Algarves e do Brasil (pois a corte tinha-se mudado para o Brasil, devido as invasões Napoleónicas.
Com D. Pedro IV o fundo passou a ser bipartido de azul e branco desaparecendo a esfera armilar, foi esta a bandeira da Nação Monárquica até a implantação da República a 5 de Outubro de 1910.
Proclamada a republica em 1910, o Diário do Governo de 15 de Outubro de 1910 A Comissão que definiu, na sua forma final, a bandeira e as armas do Portugal Republicano, era constituída por:
Ladislau Parreira - oficial da Marinha; Afonso Palia - oficial do Exército; João Chagas -jornalista e político; Abel Botelho - militar e escritor e Columbano Bordalo Pinheiro – pintor.
Em 29 do mesmo mês, a comissão apresentava a esse projecto, de que fora relator Abel Botelho e o Governo Provisório da República aprovava-o. A Assembleia Constitucional ratificava essa aprovação e o decreto de 19 de Junho de 1911 fixava as cores e forma da bandeira nacional.
Seria bipartida verticalmente, verde-escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro e sobreposto à união das duas cores, o escudo das armas nacionais, orlado de branco, assentes sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro. O comprimento seria de vez e meia a altura da tralha. A divisória entre as duas cores é feita de modo que fiquem dois quintos do compri¬mento total ocupados pelo verde. O emblema central ocuparia metade da altura da tralha (v. rubrica Mil.). O «jack» (marinha) teria a orla verde com e largura igual a um oitavo da tralha. A esfera armilar e o escudo assentava sobre o pano central, escarlate, ficando equidistante das orlas superior e inferior.
O comprimento do < in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA £ BRASILEIRA - vol. IV
Então o significado das cores e dos símbolos da Bandeira Nacional são o seguinte:
O Vermelho – “cor combativa e quente, ê j cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre. Lembra o sangue e incita à vitória.".
O Verde, "cor de esperança e do relâmpago, significa uma mudança representativa na vida do pais."
O verde ocupa dois quintos da bandeira e fica do lado do mastro. O vermelho ocupa restantes três quintos.
A esfera armilar lembra os Descobrimentos Portugueses.
A faixa com sete castelos permaneceu porque representa a independência nacional e finalmente O escudo com as quinas manteve-se na bandeira como homenagem e bravura dos portugueses que lutaram pela independência.
Contudo é importante relembrar o DIR. O decreto de 28 de Dezembro de 1910 pune todo aquele que de viva voz ou por escrito faltar ao respeito devido á bandeira nacional, símbolo da Pátria, com a pena de três meses a um ano e multa correspondente e, em caso de reincidência, com a pena de expulsão.
Protege-se assim o Estado no interesse de este ser respeitado nos seus símbolos. É a tutela do sentimento nacional que justifica o respeito necessário às insígnias da nação - e, desta maneira, a bandeira aqui protegida é apenas a usada oficialmente. A bandeira nacional deve ser hasteada nos edifícios das repartições públicas subordinadas ao Ministério do Interior, dos paços muni¬cipais e das corporações administrativas que exerçam autoridade pública, nos dias de feriado.
Teremos sempre de nos lembrar que estamos perante o maior símbolo nacional e que o devemos tratar como tal, com respeito e consideração.

Henrique Tigo
Geógrafo

Bibliografia
Almanak humorístico e ilustrado O Cunha. Porto. A. 7 (1912)
Bandeira nacional. In Grande enciclopédia portuguesa e brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro; Ed. Enciclopédia, s. d . vol. 4, p. 108-109
CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA - Bandeiras de Portugal. Lisboa: C. M., (1994)
Decreto-lei n. 150/87. Diário da República. Lisboa, l série, n. 74 (30 Mar. 1987)
História contemporânea de Portugal. dir. de João Medina. Lisboa: Amigos do Livro, 1985, Vol. 1.
História do regime republicano em Portugal. Publ.. por Luís de Montalvor; il. Cotinelli Teimo. Lisboa: Anca, 1930-1932. 2 vols.
MARTINS, Rocha - Vermelhos, brancos e azuis: homens de estado, homens de armas, homens de letras. Lisboa: Vida Mundial, 1948-1951
MATOS, José de Assunção - Às gloriosas bandeiras de Portugal. Porto: Fernando de Matos, 1961
Revista da Armada. Lisboa. N. 173 (Fev. 1986) - n. 177 (Jun. 1986)
RUI. José - Mataram o Rei!... Viva a República, 1.' ed. Porto: ASA, 1993. (Estónias de Lisboa: 2)
O Século. Lisboa. 5-19 Out. 1910
Símbolos nacionais. 2.' ed. rev. Lisboa: Estado-maior General das Forcas Armadas Portuguesas, 19

segunda-feira, junho 02, 2008

Dia da Criança


Dia Internacional da Criança

( ) …Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.( )…
in Pedra Filosofal de António Gedeão

Não existe nada melhor que o sorriso de uma criança, nada mais puro que uma brincadeira de criança, pois isso uma vez por ano elas são os Reis e as Rainhas e o mundo gira, a volta delas, mas ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Dia Internacional da Criança não é só uma festa onde as crianças ganham presentes, e não existe a muitos anos, o primeiro Dia Internacional da Criança foi criado em 1950.
Federação Democrática Internacional das Mulheres, propôs às Nações Unidas que se comemorasse um dia dedicado a todas as crianças do Mundo. Então os Estados Membros das Nações Unidas, - ONU - reconhecendo que as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro condigno e risonho, propuseram o Dia 1 de Junho, como Dia Internacional da Criança.
Esta ideia nasceu após a 2ª Guerra Mundial, em 1945, pois muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise, ou seja, não tinham boas condições de vida. As crianças desses países viviam muito mal porque não havia comida e os pais estavam mais preocupados em voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Alguns nem pais tinham! Como não tinham dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e punham-nos a trabalhar, às vezes durante muitas horas e a fazer coisas muito duras.
Nessa altura mais de metade das crianças da Europa não sabia ler nem escrever? E também viviam em péssimas condições para a sua saúde.
Então em 1946, um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) começou a tentar resolver o problema. Foi assim que nasceu a UNICEF.
Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:
- afecto, amor e compreensão;
- alimentação adequada;
- cuidados médicos;
- educação gratuita;
- protecção contra todas as formas de exploração;
- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.
Mas só em, 1959 é que os direitos das crianças passaram ao papel, a 20 de Novembro desse ano, várias dezenas de países que fazem parte da ONU aprovaram a "Declaração dos Direitos da Criança".
Assim, quando a "Declaração" fez 30 anos, em 1989, a ONU também aprovou a "Convenção sobre os Direitos da Criança", que é um documento muito completo (e comprido) com um conjunto de leis para protecção dos mais pequenos (tem 54 artigos!). Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional!
A ONU reconheceu também que “em todos os países do mundo há crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especial, tendo devidamente em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a protecção e o desenvolvimento harmonioso da criança e a importância da cooperação internacional para a melhoria das condições de vida das crianças em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento.”
Quem me dera ser novamente criança, não podemos esquecer as palavras acima ditas, por António Gedeão, realmente as crianças são o nosso futuro e o futuro de uma nação, sem elas não temos passado, presente e futuro e o mundo não pula nem avança …

Henrique Tigo

Fontes: www.onu.com

segunda-feira, maio 26, 2008

Escandaloso

É absolutamente escandaloso

O que se passa no nosso pais é absolutamente escandaloso, são os combustíveis que não param de aumentar, os recém-licenciados sem empregos para as suas qualificações e é o primeiro-ministro e outros ministro que fumam onde querem… entre outras vergonhas.
Nunca escondi que sou fumador, mas toda a vida respeitei as leis do nosso pais, quando saiu a lei do tabaco, tive de cumprir e tenho, como dezenas de outros fumares, de vir fumar para a rua, para as portas dos restaurantes e de Centro Comerciais, sendo que estes últimos também estão fora da lei, pois não criaram como a lei os obriga um espaço para fumadores.
Mas nós fumadores cumprimos a lei e não fumamos, desde que a lei entrou em vigor e até hoje ainda ninguém foi multado por ter fumado onde não devia, pois todos cumprimos a lei, ou melhor quase todos, o nosso primeiro-ministro (PM) José Sócrates fumou, num avião e nem foi multado como previsto na lei com o "descaramento" de ter fumado dentro de um avião na viagem para a Venezuela.
Ainda à pouco tempo andei de avião e não pode fumar, nem as hospedeiras deixavam, porque raio é que deixaram o PM fumar? Acho que devia, cumprir a lei e pagar a multa, devida pelo acto de fumar no avião, mais os dois os ministros que fumaram e as hospedeiras que deixaram…
Já o inspector-geral da ASAE foi apanhado a fumar uma cigarrilha num casino logo na primeira madrugada de aplicação da actual lei e nada lhe aconteceu, que acho que é uma vergonha, que vergonha se eu ou alguém num café fizesse o mesmo, apanhava logo com uma multa, assim como o dono do café, mas eles podem tudo… Ainda tem a lata de dizer que não sabiam (afinal quem fez a lei?) pedem desculpa e dizem que vão deixar de fumar, então todos nós se algum dia fumarmos onde não devemos, também podemos pedir desculpa e dizer que vamos deixar de fumar e assim não pagamos a “multa”???
Mudando de assunto, até a pouco tempo não tinha carro pessoal e nem pagava gasolina, hoje tenho dois, um a gasolina e outro a gasóleo e digo muitas vezes durante muitos anos o gasóleo era muito mais barato que a gasolina e agora que tenho um carro a gasóleo é que estão quase ao mesmo preço, os preços dos combustíveis estão a aumentar quase todos os dias, até a Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis considera a subida como "escandalosa".
É absolutamente escandaloso, desde o início do ano já tivemos quase vinte subidas os combustíveis, com apenas três no sentido de baixar e as restantes a representarem aumentos.
Para mim é especulação pura, porque mesmo que o barril de petróleo suba em dólares, os euros mantém-se os mesmos, e os combustíveis que estão no deposito das estações de serviço são os mesmos quer as 23h59 quer as 00h01, por vezes podem demorar semanas até aquela estação de serviço que aumentou os combustíveis a meia-noite a esgotá-los, logo não vejo justificação nenhuma, para estes aumentos. Nós compramos os nossos combustíveis no mesmo sitio que os espanhóis, e eles tem a gasolina e o gasóleo 0,40 € mais barato por litro.
Por causa dos aumentos, os transportes públicos vão aumentar, eu até acho bem, sinceramente só não compreendo porque aumenta também o preço de um bilhete de Metropolitano (deve gastar muito gasóleo).
Os taxistas essa classe de “bons condutores”, querem que o governo crie um preço especial para eles, (deve ser para os permear por serem tão bons condutores, educados e amigos do ambiente) se o governo tem de criar um preço especial do gasóleo, que seja para os Bombeiros esses sim, fazem um bom serviço ao pais e as populações e não tem qualquer regalias especiais e dão-nos tanto todos os dias.
Gostava que as refinarias mostrassem as facturas do que paga por cada barril que compram, só assim nós vermos de facto o que eles estão a fazer, por outro lado não podemos esquecer que o Governo fecha os olhos a estas subidas porque representam mais receita, através do IVA, para os seus cofres.
Será que o governo, e nomeadamente Sócrates e Manuel Pinho, têm razões para manifestar surpresa e alegar ignorância sobre o escândalo dos preços dos combustíveis em Portugal como pretenderam fazer crer?
De acordo com a Direcção Geral da Energia, o peso (%) das taxas no Preço de Venda ao Público em relação a todos os combustíveis era de 54% em Portugal, percentagem esta que era igual à média da União Europeia (15 países). Em relação ao gasóleo era de 48% em Portugal e 49% na UE15; e à gasolina 60% em Portugal e 59% na UE15.
Em Março de 2008, sem impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior ao preço médio na União Europeia em 0,7% e o da gasolina 95 em 3,5%. Mas existiam países, muito mais desenvolvidos e com custos mais elevados do que Portugal, onde a diferença era maior. Em Março de 2008, sem impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior ao da Inglaterra em 12,3%, e o do gasolina era superior ao da Suécia em 17,8%. Por outro lado, em Dezembro de 2007, com impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior em 0,9% ao preço médio da U.E-15 países, e o da gasolina em 6,2%. Também aqui se verificam grandes diferenças. Assim, o preço, com impostos, em Portugal da gasolina era superior em 24,7% ao de Espanha, e o de gasóleo era superior em 17,8% ao preço do Luxemburgo.
Eu proponho, que todos nós condutores adiremos a uma Greve e durante 24 horas, ninguém mas absolutamente, ninguém metesse combustíveis para ver a reacção do Governo e das estações de serviço.
Ouvi na televisão dizer que o desemprego baixou em Portugal, fiquei feliz, muito feliz mas não pode deixar de pensar nos recém-licenciados e até nos licenciados que estão no desemprego, o nosso Governo cada vez mais fala em qualificados e em especializações, aliás para dizer a verdade, já falou mais, falava muito nisso quando houve aquela polémica de licenciatura em Engenharia tiradas ao Domingos, mas aos pouco e poucos tem vindo a esquecer essa polémica (nunca devidamente esclarecida) e as qualificações.
Somos o Pais da Europa com mais licenciados no desemprego e dos que não estão no desemprego só 30% estão a exercer o seu curso e desses 30% muitos estão a fazer estágios profissionais e que no máximo passado um ano estão no desemprego ou a fazer qualquer outra coisa… Os nossos “melhores licenciados” vão para o estrangeiro (o que já não acontecia desde o Estado Novo) os que cá ficam vão trabalhando no que podem, acreditem que não existe nada mais triste do que se ir a uma entrevista de trabalho e ouvir que temos habilitações a mais! E infelizmente hoje em dia é que se ouve mais, será que quem faz as entrevistas acha que os licenciados ficam menos “chateados” quando não arranjam emprego se ouvirem:
“O Dr. tem um curriculum muito Bom, mesmo muito Bom, aliás Bom demais, o Dr. com um curriculum deste até teria vergonha em vir trabalhar para nós…”
Será que eles acham mesmo que os licenciados ficam impressionados com afirmações deste tipo?
O nosso Pais está pior está um estado, absolutamente escandaloso!!!

Henrique Tigo

Atentado a Salazar

O atentado a Salazar

Nunca ficou bem esclarecido (devido a PVDE e a Censura) o que foi o atentado ao Prof. António de Oliveira Salazar, cometido na manhã do Domingo 4 de Julho de 1937.
A P.V.D.E. – Polícia de Vigilância e Defesa do Estado – afirmou, pela voz do seu Director Capitão Catela, que teriam sido cinco indivíduos pertencentes à “Legião Vermelha”, aliás já conhecidos pela PVDE, os autores do atentado.
Naquela manhã, deflagrou uma potente bomba num colector de uma rua por onde passaria Salazar, a caminho da missa de Domingo, mas o veículo em que o então chefe de governo se transportava não foi atingido, pois Salazar que nunca se atrasava, naquele dia tinha se atrasado 15 minutos a sair de casa, pois tinha recebido um telefonema urgente de um dos seus ministros.
Prisões e uma manifestação seguiram-se ao acto que teve como consequência secundária a abertura de uma enorme cratera na Avenida Barbosa do Bocage.
Os Ditadores Mussolini e Hitler felicitaram Salazar por ter escapado ileso do atentado.
António de Oliveira Salazar nasceu em 1889, em Santa Comba Dão, descendente de uma família de pequenos proprietários agrícolas.
A sua educação foi fortemente marcada pelo Catolicismo, chegando mesmo a frequentar um seminário, passando então para a Universidade de Coimbra, onde veio a ser docente de Economia Política.
Ainda durante a Primeira República, Dr. Salazar iniciou a sua carreira política como deputado católico para o parlamento Republicano em 1921 (tendo sido deputado pouco mais que uma semana, por não concordar com aquela linha politica).
Já na ditadura militar, Dr. Salazar foi nomeado para Ministro das Finanças, cargo que exerceu apenas por quatro dias, devido a não lhe terem sido delegados todos os poderes que exigia.
Quando Óscar Carmona chegou a Presidente da República, Salazar regressou à pasta das Finanças, com todas as condições exigidas (supervisionar as despesas de todos os Ministérios do governo).
Apesar de severidade do regime que impôs, publicou em 14 de Maio de 1928 a Reforma Orçamental, contribuindo para que o ano económico de 1928-1929 registasse um saldo positivo, o que lhe granjeou prestígio.
O sucesso obtido na pasta das Finanças tornou-o, em 1932, chefe de governo.
Em 1933, com a aprovação da nova Constituição, formou-se o Estado Novo, um regime autoritário semelhante ao fascismo de Benito Mussolini.
As graves perturbações verificadas nos anos 20 e 30 nos países da Europa Ocidental levaram Salazar a adoptar severas medidas repressivas contra os que ousavam discordar da orientação do Estado Novo.
Ao nível das relações internacionais, conseguiu assegurar a neutralidade de Portugal na Guerra Civil de Espanha e na II Guerra Mundial.
O declínio do império Salazarista acelerou-se a partir de 1961, a par do surto de emigração e de um crescimento capitalista de difícil controlo. É afastado do governo em 1968 por motivo de doença, sendo substituído por Prof. Marcello Caetano.
Parecia que estava escrito que o Prof. Salazar iria morrer no mês de Julho, escapou ileso em Julho de 1937, acabando por falecer em Lisboa, a 27 de Julho de 1970.

25 de Abril - Fora de Lisboa

O 25 de Abril de 1974
Fora de Lisboa



A instabilidade governativa aliada à instabilidade financeira leva à revolta de 28 de Maio de 1926 e põe fim à primeira Republica Portuguesa, são dissolvidas as instituições políticas democráticas, extintos os partidos políticos e é instaurada uma ditadura militar, onde surge em destaque a figura de António de Oliveira Salazar, primeiro como Ministro da Finanças e depois como Presidente do Conselho.
Salazar surge como uma espécie de salvador e que irá resolver a grave crise Económica e Financeira em que Portugal se encontrava.
Em 1932 assume o cargo de Presidente do Conselho, lugar que irá ocupar até 1968 onde dará lugar a Marcelo Caetano.
A constituição de 1933 dá plenos poderes a Salazar que consagrava um Estado forte e onde é implantado o Nacionalismo corporativo, o intervencionismo económico-social e o imperialismo colonial. Eram assim constituídas as linhas mestras de um sistema de governo que após a guerra civil de Espanha se caracterizou pela censura férrea das opiniões discordantes e pela repressão dos seus opositores. A pedra base de tais métodos é a constituição da polícia política (PIDE).
A obra de reorganização geral do país, e especialmente a sua reconstrução financeira, foi realização notabilíssima que, só por si, justificou e elevou o Estado Novo e Salazar.
Salazar soube ainda manter a neutralidade durante a 2ª guerra Mundial e preservando os Portugueses dos efeitos mais dolorosos da guerra.
Com a vitória, na segunda grande guerra das Democracias Ocidentais sobre as potências totalitárias (excepto URSS), verificou-se no Ocidente uma expansão dos regimes democráticos pluralistas, e começam a surgir as primeiras pressões sobre Portugal, e que seria o momento de o Estado Novo dar lugar a uma democracia pluralista.
Mas a passagem de Portugal para uma democracia pluralista teria como consequência imediata ou a curto prazo, a perda das suas colónias Ultramarinas.
Assim Salazar teve uma “luta” a nível externo conta as pressões internacionais, procurando fazer aceitar internacionalmente a continuação do Estado Novo com as características que tinha e sempre tivera.
O regime e a Igreja caminhavam lado a lado, com uma ideologia marcadamente conservadora, o Estado Novo orientava-se segundo os princípios consagrados pela tradição: Deus, Pátria, Família.
Uma política colonialista, que afirmava Portugal como um Estado plurícontinental e multíracial. Todavia, a partir de 1961, já com muitas pressões internacionais para o país conceder a independência às suas colónias, teve início uma das páginas mais negras da nossa história: A guerra colonial.
A insatisfação política e a desgastante guerra colonial em África, levantou em armas as principais unidades militares do exército das áreas metropolitanas. A acção foi eficaz, precisa e consistente. Passadas 18 horas sob o início do movimento militar, o grosso das forças fiéis á ditadura estava neutralizado.
Tinha-se dado a revolução de 25 de Abril de 1974, sobre a qual eu já muito escrevi mas nunca se fala do que se passou a 25 de Abril de 1974, fora de Lisboa, Reflexos, para além de Lisboa, da acção levada a efeito pelo Movimento das Forças Armadas, por exemplo em Coimbra muitos milhares de pessoas realizaram nesta cidade uma manifestação de apoio à situação criada pelo Movimento da Forças Armadas, sem quaisquer interferências policiais, na sede da associação Académica, cuja a autonomia administrativa vinha sendo sistematicamente denegada. Daquele local saiu uma massa de população que foi engrossando ao longo das avenidas e ruas percorridas.
Aveiro várias centenas de pessoas, em que predominava a juventude, realizaram, nesta cidade, calorosas manifestações de agradecimento e apoio às Forças Armadas pelo êxito do movimento que derrubou o governo de Prof. Marcello Caetano.
Em Braga, estudantes dos Liceus Sá de Miranda e de D. Maria II, das Escolas do Ciclo Preparatório, Comercial, Industrial e do Magistério, em número de alguns milhares, percorreram as ruas da cidade vitoriando o Exército. Às 19.00 horas, realizou-se outra manifestação de apoio às Forças Armadas, promovida pelos democratas desta cidade.
Setúbal às 19.00 horas, após o encerramento do comércio, realizou-se a anunciada manifestação de apoio à Junta de Salvação Nacional. Centenas de jovens, incluindo muitos vindos de fora, percorreram as ruas da cidade empunhando cartazes convidando a população a juntar-se na Praça do Bocage, onde deram gritos de “Viva a Liberdade” e exigiram a presença dos soldados.
No Alentejo em Beja, reuniram-se, num salão desta cidade, dezenas de democratas, como objectivo dominante de enviarem um telegrama à Junta de Salvação Nacional com a seguinte informação: “Democratas de Beja, reunidos em sessão plenária, saúdam essa Junta por ter derrubado o governo fascista, libertando presos políticos, abolindo a censura, extinguindo a P.I.D.E./D.G.S. e dissolvendo a A.N.P., Legião e Mocidade Portuguesa.”. no salão nobre do Governo Civil, o ex-Governador, Doutor Fernando Nunes Ribeiro, transmitiu os seus poderes ao governador substituto, Doutor Gonçalves da Cunha, ao qual entregou, em cerimónia simbólica, as chaves do edifício. E em ÉVORA a vida citadina processou-se, com toda a normalidade pelos contactos que os jornalistas tiveram com a população, puderam verificar que se encontra mentalizada do momento histórico que se está a viver. Quando as tropas cercaram o quartel-general da Região Militar o povo acatou as ordens recebidas e aplaudiu com vivas e palmas as Força Armadas.
Do que sei só em Leiria se registou uma calma absoluta, funcionando todos os estabelecimentos públicos e comerciais. Apenas os bancos estiveram fechados, com excepção do de Portugal. A P.S.P. reapareceu nas ruas, mas apenas para controlar o trânsito e para as rondas habituais.
Os acontecimentos relatados constituem uma parte relevante do que foi o 25 de Abril de 1974 que pôs fim a um longo período de opressão e tirania, fazendo com que as forças armadas se reencontrassem com o seu povo.
A acção militar firme e determinada, mas ao mesmo tempo paciente e esclarecida não provocou o derramamento de sangue entre os Portugueses.
O único acto violento foi praticado pela polícia política da ditadura que vendo face á acção militar libertadora, o seu inevitável fim, disparou indiscriminadamente sobre os cidadãos de Lisboa provocando 4 mortos e meia centena de feridos.
No dia 26 de Abril de 1974 iniciou-se a libertação sem condicionalismos de todos os presos políticos, e o novo poder autorizou sem reservas o regresso de todos os exilados políticos, a censura foi abolida, os partidos políticos foram autorizados, a policia política foi extinta, e as liberdades civis restauradas.
O Estado Novo no seu início teve a sua importância, o seu poder e a sua disciplina foram importantes para poder reorganizar o país do estado caótico das finanças e da economia. Mas posteriormente não soube fazer a transição necessária para a democracia. Salazar no inicio do Estado Novo foi o salvador de Portugal, mas com o passar dos anos manteve Portugal “preso” a uma ideologia retrógrada, acabando por deixar o país isolado da comunidade internacional.
O êxito do Movimento das Forças Armadas teve repercussões em todo o País como por todo o Mundo, mas infelizmente passados 34 anos ainda pouco sabemos, sobre o que se passou fora de Lisboa, e vejo com grande tristeza que a minha geração e que as gerações seguintes ainda sabem menos, talvez daqui uns anos além se lembre, acredito e tenho de acreditar que ainda exista alguém que resista, alguém que diga Não!!!.

Henrique Tigo

Geração de 1870

GERAÇÃO DE 1870
Questão Coimbrã (Iª Parte)



Este artigo tem por base uma geração de jovens intelectuais que marcou a literatura portuguesa e parte na nossa história com os seus feitos, ideais, problemas e discussões.
Primeiro falar-se-á dos principais intervenientes da geração de 70, que baseados no Fontanismo e no Liberalismo incutidos pelos ideais da Revolução Francesa, vieram a realizar uma profunda alteração na cultura portuguesa. São disso exemplo: a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino.
Na Questão Coimbrã, serão abordadas as suas causas, as discussões e consequências que esta veio criar no seio desta remodelada cultura.
As Conferências do Casino são o resultado dos encontros de alguns desses intelectuais que tentaram alterar a nossa política e mostrar ao povo português o inconformismo com o governo.
Os movimentos ocorridos nos últimos tempos em Portugal, como o Fontismo e a Regeneração, deram origem a desequilíbrios económicos na sociedade. As dívidas ao estrangeiro contraídas para pagar as infra-estruturas, agravam a situação económica, visto que no fim da Regeneração o País estava na falência, a adulteração das instituições, a astúcia dos políticos, a fraude e a corrupção do poder político vão que contribuir para uma degradação país.
Na cultura persistiu a falta de apoio que agravou as difíceis condições de vida dos Artistas. Os escritores precisavam da protecção do Estado, e este oferecia importantes cargos no Governo em troca do “controlo da pena” de onde vai surgir a chamada “literatura oficial”.
Surge, então, um grupo de jovens intelectuais do final do século XIX liderado ideologicamente por Antero de Quental e José Fontana e do qual fizeram parte alguns dos maiores escritores da História da Literatura Portuguesa, como Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Téofilo Braga e Guerra Junqueiro assim como “(…) poetas, romancistas, críticos, historiadores, sociólogos, políticos, filósofos, homens da mais diversa origem e procedência, todos eles associados num mesmo ideal,(…)” formaram o essencial da chamada Geração de 1870.
Iluminados por ideias inovadoras que ingeriram da cultura europeia, sobretudo da francesa, opuseram-se a um governo monárquico cada vez mais contestado nos finais da centúria. Racionalistas, herdeiros do positivismo de Comte, do idealismo de Hegel e do socialismo utópico de Proudhon e Saint-Simon, protagonizaram uma autêntica revolução cultural no nosso País, agitando consciências e poderes estabelecidos “Foram eles o resultado da total abertura de Portugal ao mundo civilizado de então, (…)” . Esta revolução cultural acabou por desembocar numa revolução política: a instauração da República, a 5 de Outubro de 1910.
É contra todas estas condições, contrastando com o avanço no resto da Europa, que surge a Geração de 70, um grupo de estudantes universitários de Coimbra que, por volta de 1865, se insurge sobretudo contra o gosto ultra-romantismo, uma corrente literária da segunda metade do séc. XIX, e que se caracterizou por levar ao exagero, e por vezes até ao ridículo, as normas e ideais preconizadas pelo Romantismo, nomeadamente, a exaltação da subjectividade, do individualismo, do idealismo amoroso, da Natureza e do mundo medieval., contra o monopólio de António Feliciano de Castilho um escritor português de formação neoclássica, que se rende ás tendências do Romantismo realizando diversas obras dentro deste estilo literário. É uma figura de destaque na segunda geração romântica representando uma espécie de padrinho dos jovens poetas que iniciando a sua carreira, recorriam à sua influência na negociação com as editoras.
Antero de Quental chamou à escola de Castilho a "Escola do Elogio Mútuo", já que os seus membros passavam o tempo a elogiar-se mutuamente, para prestígio do grupo. A Geração de 1870 defende uma maior abertura à cultura europeia, e uma reforma do País, sobretudo a nível cultural.
Denota-se no grupo a influência do socialismo utópico com laivos republicanos e uma influência francesa muito forte, de pendor anticlerical As facetas comuns à modernidade do século XIX também estão presentes, nas facetas racionalista e positivista, ao estilo de Augusto Comte, e na prevalência dos valores expressos em obras como as "Origens do Cristianismo", de Renan.
A Questão Coimbrã também se designou por Bom-Senso e Bom-Gosto. “(…) pôs frente a frente dois bandos (…)” , os dois protagonistas são, por um lado, António Feliciano de Castilho e, por outro, Antero de Quental. Tudo começou com a proclamação de Castilho, no prefácio do poema de Pinheiro Chagas, Poema da Mocidade (1865), de que o texto em questão tinha bastante nível e o seu autor um talento invejável.
Na opinião de Antero, esta era apenas uma forma de louvar um dos seus jovens protegidos. Este facto levou Antero a lançar um opúsculo intitulado Bom-Senso e Bom-Gosto (1866). Estava montada a guerra literária que foi considerada como a polémica mais renhida de sempre em Portugal. O próprio Camilo se envolveu nesta polémica ao escrever Vaidades irritadas e irritantes, em que atacava, com sarcasmo, a nova geração literária. Em suma, pode-se dizer que esta polémica não foi mais do que um confronto entre os defensores do velho Romantismo, já a agonizar, e a juventude apologista do movimento literário que se seguiria, o Realismo Conferências do Casino, denominam-se assim por terem tido lugar numa sala alugada do Casino Lisbonense e foram uma série de cinco palestras realizadas em Lisboa no ano de 1871 pelo grupo do Cenáculo (jovens escritores e intelectuais, denominados de vanguarda) que trazem de Coimbra para Lisboa a disposição boémia e tentam agitar a sociedade no que diz respeito a questões políticas e mesmo sociais. Foi, então, um grupo de jovens escritores e intelectuais, reunidos em Lisboa após acabarem os seus estudos em Coimbra. Antero aparece como grande impulsionador desde 1868, iniciando os outros membros do grupo em Proudhon.
A ideia destas palestras surgiu na casa da Rua dos Prazeres, onde na época reunia o Cenáculo. Antero e Batalha Reis alugaram a sala do Casino Lisbonense. Foi no jornal "Revolução de Setembro" que foi feita a propaganda a estas Conferências.
A 18 de Maio foi divulgado o manifesto, já anteriormente distribuído em prospectos, e que foi assinado pelos doze nomes que tinham intenções organizadoras destas Conferências Democráticas.

Manifesto
"Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social.
Sob cada um dos partidos que lutam na Europa, como em cada um dos grupos que constituem a sociedade de hoje, há uma ideia e um interesse que são a causa e o porquê dos movimentos.
Pareceu que cumpria, enquanto os povos lutam nas revoluções, e antes que nós mesmos tomemos nelas o nosso lugar, estudar serenamente a significação dessas ideias e a legitimidade desses interesses; investigar como a sociedade é, e como ela deve ser; como as Nações têm sido, e como as pode fazer hoje a liberdade; e, por serem elas as formadoras do homem, estudar todas as ideias e todas as correntes do século.
Não pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo; o que todos os dias a humanidade vai trabalhando, deve também ser o assunto das nossas constantes meditações.
Abrir uma tribuna, onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este momento do século, preocupando-se sobretudo com a transformação social, moral e política dos povos;
Ligar Portugal com o movimento moderno, fazendo-o assim nutrir-se dos elementos vitais de que vive a humanidade civilizada;
Procurar adquirir consciência dos factos que nos rodeiam, na Europa;
Agitar na opinião pública as grandes questões da Filosofia e da Ciência moderna;
Estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa;
Tal é o fim das Conferências Democráticas.
Têm elas uma imensa vantagem, que nos cumpre especialmente notar: preocupar a opinião com o estudo das ideias que devem presidir a uma revolução, de modo que para ela a consciência pública se prepare e ilumine, é dar não só uma segura base à constituição futura, mas também, em todas as ocasiões, uma sólida garantia à ordem.
Posto isto, pedimos o concurso de todos os partidos, de todas as escolas, de todas aquelas pessoas que, ainda que não partilhem as nossas opiniões, não recusam a sua atenção aos que pretendem ter uma acção – embora mínima – nos destinos do seu país, expondo pública mas serenamente as suas convicções e o resultado dos seus estudos e trabalhos.
Lisboa, 16 de Maio de 1871 – Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Soromenho, Augusto Fuschini, Eça de Queiroz, Germano Vieira de Meireles, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel de Arriaga, Salomão Saragga, Téofilo Braga."


GERAÇÃO DE 1870
Questão Coimbrã (IIª Parte)

A 1ª Conferência “ O Espírito das Conferências” em 22 de Maio de 1971, proferida por Antero de Quental, de certa forma introdutória daquelas que se seguiram. De acordo com os relatos dos jornais da época, único testemunho que resta, esta palestra consistiu num desenvolvimento do programa que tinha sido previamente apresentado.
Antero começou por se referir à ignorância e indiferença que caracterizava a sociedade portuguesa, falando da repulsa do povo português pelas ideias novas e na missão de que eram incumbidos os "grandes espíritos" e que consistia na preparação das consciências e inteligências para o progresso das sociedades e resultados da ciência. Referiu o exemplo que constitui a Europa e a excepção formada por Portugal em face deste exemplo.
A conclusão da palestra termina com o apelo que Antero faz às "almas de boa vontade" para meditarem nos problemas que iriam ser apresentados e para as possíveis soluções, embora estas últimas se constituíssem como opostas aos princípios defendidos pelos conferencistas.
A 2ª Conferência "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos últimos três séculos" – 27 de Maio de 1871, foi também proferida por Antero de Quental. Na introdução Antero pressupõe três atitudes ou pontos de partida. Em primeiro lugar "O Peninsular", falar da Península como um todo; em seguida uma aceitação – os Povos obedecem a um estatuto anímico colectivo, estrutural – é a crença no génio de um Povo; e, por fim, uma atitude judicatória – Antero julga a História, como uma entidade, o juízo moral, social e político.
Em seguida enumera e discute as causas da decadência. E põe que a solução destes problemas seria a oposição ao catolicismo, a ardente afirmação da alma nova, a consciência livre, a contemplação directa do divino pelo humano, a filosofia, a ciência, e a crença no progresso, na renovação incessante da humanidade pelos recursos inesgotáveis do seu pensamento, sempre inspirado. Assim como a oposição à monarquia centralizada, a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal, a iniciativa do trabalho livre, a indústria do povo, pelo povo, e para o povo, não dirigida e protegida pelo Estado, mas espontânea.
Sendo a 3ª Conferência "A Literatura Portuguesa" – 5 de Junho de 1871, proferida por Augusto Soromenho, professor do Curso Superior de Letras.
Nesta palestra faz uma crítica aos valores da literatura nacional, concluindo que ela não tem revelado originalidade. Há uma negação sistemática dos valores literários nacionais, exceptuando escritores como Luís de Camões, Gil Vicente e poucos mais, atacando os poetas, dramaturgos, romancistas e jornalistas seus contemporâneos. Transmite uma visão decadentista, ao negar originalidade e peculiaridade à literatura nacional.
Tem a sua vertente revolucionária ao inculcar a ideia de que a literatura portuguesa deverá sofrer um processo de reconstrução que deverá partir de uma sociedade revitalizada.
Uma literatura com carácter nacional mas que se paute por valores universais.
O modelo e guia desta renovação salvadora da literatura nacional seria Chateaubriand, com o conceito de Belo absoluto como ideal da literatura, constituindo, este, um retrato da Humanidade na sua totalidade.
A 4 ª Conferência "A Literatura Nova ou o Realismo como Nova Expressão de Arte" – 12 de Junho de 1871, dada por Eça de Queirós e que encontra a sua inspiração em Proudhon e, no aspecto programático, no espírito revolucionário destas Conferências referido por Antero nas palestras que proferiu.
Eça salientou a necessidade de operar uma revolução na literatura, semelhante àquela que estava a ter lugar na política, na ciência e na vida social. O espírito revolucionário tem tendência a invadir todas as sociedades modernas, afirmando-se nas áreas científica, política e social. A revolução constitui uma forma, um mecanismo, um sistema, que também se preocupa com o princípio estético. O espírito da revolução procura o verdadeiro na ciência, o justo na consciência e o belo na arte.
Dando uma noção mais concreta, Eça sistematiza:
"1º - O Realismo deve ser perfeitamente do seu tempo, tomar a sua matéria na vida contemporânea. (...);
2º - O Realismo deve proceder pela experiência, pela fisiologia, ciência dos temperamentos e dos caracteres;
3º - O Realismo deve ter o ideal moderno que rege a sociedade – isto é: a justiça e a verdade"
Foca aqui as relações da literatura, da moral e da sociedade. A arte deve visar um fim moral, auxiliando o desenvolvimento da ideia de justiça nas sociedades. Fazendo a crítica dos temperamentos e dos costumes, a arte auxilia a ciência e a consciência. O Realismo conduzirá à regeneração dos costumes. Conclui que a arte presente atraiçoa a revolução, corrompe os costumes. De tal forma, ou se há-de tornar realista ou irá até à extinção completa pela reacção das consciências. O modo de a salvar é fundar o realismo, que expõe o verdadeiro elevado às condições do belo e aspirando ao bem, pela condenação do vício e pelo engrandecimento do trabalho e o da virtude."
A 5 ª Conferência "A Questão do Ensino" – 19 de Junho de 1871, proferida por Adolfo Coelho que se inicia com uma posição de ataque às coisas portuguesas. Traça o quadro desolador do ensino em Portugal, mesmo o superior, através da História.
A solução proposta passa pela separação completa da Igreja e do Estado e por uma mais ampla liberdade de consciência, solução que, no entanto, era restrita a uma zona da vida nacional.
Para Adolfo Coelho a Igreja deprime o povo e do Estado nada havia a esperar. Tomando isto em consideração, o remédio seria apelar para a iniciativa privada, para que esta difundisse o verdadeiro espírito científico, o único que beneficiaria o ensino.
Quando a 26 de Junho se preparava outra conferenciada autoria de Salomão Sáraga, intitulada Os Historiadores Críticos de Jesus à entrada da sala do Casino Lisbonense estava afixado na porta uma portaria ministerial que proibia a realização dessa e de outras conferências.
Os conferencistas indignados vão ser signatários de um protesto publicado na manhã seguinte nos jornais da capital: “Em nome da liberdade de pensamento, da liberdade da palavra, da liberdade de reunião, bases de todo o direito público, únicas garantias da justiça social, protestamos ainda mais contristados que indignados, contra a portaria manda arbitrariamente fechar a sala das Conferências Democráticas. Apelamos para a opinião pública, para a consciência liberal do país, reservando a plena liberdade de respondermos a esta acto de brutal violência como nos mandar a nossa consciência de homens e de cidadãos.”
Este foi um de muitos protestos feitos, em vários jornais da época, levando o ministro à demissão.
A Geração de 1870, a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino, marcaram toda uma época de novos ideias, de novas mentes e maneiras de pensar, e sobretudo mostraram haver uma revolucionária corrente de jovens pensadores com o intuito de remodelar a política e a cultura do nosso país.
Este artigo um pouco vasto foi uma boa forma de conhecermos uma pequena parte da nossa cultura (Coimbrã) e a sua evolução no final do século XIX, visto ser este um assunto que dificilmente iríamos, por nós próprios, estudar e aprofundar.
O ideal revolucionário deste grupo veio esbater-se perante as impossibilidades práticas de intervenção no país e a consciência de que também Europa se encontrava em crise, isto conduziu os intelectuais ao cepticismo que os levou a formar um grupo auto denominado dos Vencidos na Vida, conscientes do fracasso e da distância a que permaneciam os seus ideais originais.

Henrique Tigo

BIBLIOGRAFIA

SIMÕES, João Gaspar
“A Geração de 70 – Cadernos Culturais”, Editorial Inquérito, Lisboa
MARQUES, A. H. de Oliveira
“Breve História de Portugal”, Editorial Presença, Lisboa, 1995.
http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/eca_queiroz/manifesto.html

quinta-feira, abril 24, 2008

José de Matos Cruz

Morreu o “Ti-Padrinho” José Matos Cruz



Na passada sexta-feira, dia 18 de Abril de 2008, enquanto lia o Jornal “O Varzeense”, que tinha acabado de chegar, recebi a triste notícia pela voz do meu “Tio” José Carneiro (outro tio emprestado) que o José Matos Cruz morreu, costuma-se dizer que não há coincidências, mas foi a ler o Jornal que Matos Cruz ajudou a criar e a crescer que recebi a má nova, o “Ti-Padrinho” tinha nos deixado.
José Matos Cruz, não era nem meu Tio nem meu Padrinho, mas toda a minha vida lhe chamei “Ti-Padrinho”, pela amizade e carinho que nutria por ele.
Matos Cruz casou na mesma igreja em Lisboa, no mesmo dia, no mesmo ano e quase a mesma hora que os meus avós maternos e também fizeram as botas de ouro no mesmo dia, na mesma igreja novamente todos juntos.
Ele deu a notícia do casamento dos meus pais, a notícia do meu nascimento da minha primeira exposição e publicou o meu primeiro artigo de opinião no Varzeense, foi ele igualmente que me apresentou na Comarca de Arganil e no Jornal de Arganil.
Era rara a minha exposição ou do meu Pai em que o Matos Cruz não tivesse estado, no Natal e nos aniversários, ele nunca se esquecia de ligar, assim como nos momentos felizes e nos tristes eu lembro-me deste grande homem estar sempre presente.
Quando entrei para a Faculdade e resolvi fazer uma “Análise Demográfica de Góis”, bati a várias portas a pedir documentos e dados, principalmente a porta da Câmara Municipal de Góis e claro que se fecharam todas (o que também já é normal) mas o Matos Cruz ajudou-me e facultou-me muitos dados e documentos, que tinha vindo a acumular aos longos dos anos. Acredito mesmo que os seus arquivos serão os melhores, nem a Câmara terá tantos documentos e tantas informações sobre o concelho como tinha no seu arquivo, além de objectos históricos que davam para fazer um museu, além de obras de arte. Da minha autoria tinha algumas, inclusive, tinha desenhos meus de quando tinha 6 anos e até um quadro sobre o D. Luiz da Silveira que apresentei num GóisArte e que depois lhe ofereci, e que ele tinha orgulhosamente colocado no cimo de uma espadas em sua casa.
Sei, também, que não fui o único a quem ele ajudou a realizar trabalhos, teses, etc. sobre o nosso concelho, ajudou muito mais gente, ajudou todos aqueles que amavam a sua terra como ele.
Quando acabei a Faculdade melhorei essa análise e a ADIBER publicou essa obra e, claro, nos agradecimentos tenho um parágrafo dedicado e este grande regionalista que muito contribuiu para ela.
José Matos Cruz não conseguia estar parado e em 2003 criou a Mostra de Artes Plásticas de Vila Nova do Ceira, convidou-me assim como convidou o meu Pai e outras pessoas, para fazermos parte da organização, Mostra essa, que se tornou no maior evento de artes plásticas que Vila Nova do Ceira viu.
Matos Cruz, vinculado ao amor que nutria pela sua terra, foi sempre um homem próximo do povo e que tratava com estima e consideração todos os seus conterrâneos. Além de muitas saudades, deixa-nos uma grande lição de regionalismo e vários anos de trabalho em prol do progresso e desenvolvimento desta terra. Lutou igualmente pelo saber e pela cultura no nosso Concelho, quer como vereador da cultura da CMG ou ainda como criador de algumas actividades culturais, que iram ficar para a história de Vila Nova do Ceira e até de Góis.
Durante anos esteve a frente do jornal “O Varzeense”, que não existia se não fosse o impregno deste “vinte e quatro horas por dia”.
Mesmo que houvesse alguém que não simpatizasse com ele é impossível não reconhecer o seu legado e como ele tocou directamente ou indirectamente a vida de todos os Varzeenses e daqueles que visitavam esta nossa terra.
É caso para se dizer que Vila Nova do Ceira está mais pobre e a sua “desertificação” aumentou, a nossa terra está verdadeiramente de luto, desapareceu mais um dos seus maiores regionalistas e vultos…
Obrigado “Ti-Padrinho” por tudo o que fizeste por nós, teus amigos e conterrâneos.

Henrique Tigo

sexta-feira, abril 11, 2008

34 anos depois do 25 de Abril

34 Anos de Abril.

Continuando a cumprir um tradição pessoal de dar a conhecer a opinião de um jovem que nasceu no pós-Abril, depois de ter escrito dezenas de textos, artigos e até uma peça de teatro sobre o 25 de Abril de 1974, hoje que faz 34 anos após o dito Abril, trago até vós um texto introspectivo.
Toda a minha vida vivi no meio de democratas, claro que uns mais que outros, mas também vivi com pessoas ligadas ao antigo regime, e não têm as melhores impressões uns dos outros…
Mas o que é um democrata? Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa do texto editores – Tomo I de 2006 – Democrata é uma pessoa partidária da democracia ou que promove a democracia como um principio fundamental ao sistema politico ou ainda no 2. gén. Popular; Pessoa tolerante.
Mas a verdade é que passados 34 anos de Abril, voltamos a ver nas paragens dos autocarros postares gigantes do Prof. Oliveira Salazar, existem muitos mais livros hoje a enaltecer o estadista do que na sua época, ao comprarmos o Jornal oferecem-nos um livro sobre ele. Até foi eleito o Maior Português de sempre.
Quando falo com pessoas da minha geração, ninguém sabe do que estou a falar, ninguém sabe o que foi o estado novo, nem o Salazar.
Há uns dias fui convidado, por uma pessoa que viveu em prisões politicas e até num campo de concentração, pelas sua ideias politicas, para ser membro do “Movimento Não Apaguem a Memoria” e tendo eu esta paixão pela história, aceitei sem pensar duas vezes. Dias depois, estava a falar com outra antiga “vítima do fascismo” em Portugal e contei sobre o dito esse convite e, qual não é o meu espanto, quando ela me diz que achava mal, pois esse movimento deveria ser só para quem viveu nessa época. Pensei “que coisa, se não querem os jovem, para que querem o movimento? Os jovens da minha idade e mais novos pouco sabem sobre este assunto e se não os querem, como é que não se vai apagar a memória?”
Não temos um museu das vítimas do “fascismo” em Portugal, a António Maria Cardoso, foi transformada num condomínio de luxo, a escola prática de Sete Rios, foi destruída, e a única coisa que temos em Lisboa é a Biblioteca Museu da República e da Resistência, que até tem dois espaços um perto do Hospital Santa Maria e outro no Espaço Grandella, que muito pouca informação têm sobre o estado novo e muito menos sobre os “lutadores anti-fascistas”, e estão quase sempre as “moscas”, claro que não esquecemos a Fundação Mário Soares mas essa é “privada” ou semi, contudo estão a pensar em fazer um museu ao Prof. Oliveira Salazar, não digo que seja mal feito, acho só que devia haver também um museu para quem lutou pela democracia.
Por tudo aquilo que estudei no estado novo, o governo mentia e omitia ao povo, existe até uma frase famosa do Prof. Marcelo Caetano no seu programa televisivo “ Conversas em Família” “Aquilo que verdadeiramente interessa ao povo, não deixa de lhe ser dito” hoje e 34 anos passados o governo vem nos dizer que não existem Licenciados no desemprego, eu pessoalmente conheço milhares (não será isto mentir ao Povo). No estado novo, para só podíamos usar isqueiro debaixo de telha ou tínhamos uma licença ou éramos multados, hoje não podemos fumar debaixo de telha, senão somos multados.
Nos anos 60 morrem dezenas ou milhares de pessoas numas inundações em Odivelas, Santarém etc. não sabemos ao certo o número de vítima porque o estado nunca as assumiu, mas o estado novo pouco ou nada fez por essa vítimas, curiosamente quarenta anos depois dessas cheias, voltamos a ter cheias, não morrem tantas pessoas, mas a verdade é que o estado actual também nada fez pelas vítimas, mas houve um grande peditório para vítimas de inundações em Africa, esquecendo mais uma vez mas nossa vítimas internas.
Findo o estado novo, foram abolidas as gravatas, os fatos, as pessoas usavam cabelos compridos e barbas, hoje para irmos a uma entrevista de emprego, temos novamente de irmos de fato e gravata, usar cabelo “curtinho” e a sem barba.
34 Anos, depois voltamos a ser tratados conforme os nossos títulos e as nossas qualificações e mais uma vez o nosso actual estado cada vez fala mais em qualificações, especializações e formações, mas contudo somos o 3º país da Europa com mais qualificados no desemprego, no estado novo, os qualificados desde que fossem do regime tinham emprego.
Após Abril, voltamos a ver ministros do estado novo a serem ministros novamente.
Outra faceta do estado novo era a censura, censura essa que aos poucos tem vindo a voltar, claro que de uma maneira mais democrata e camuflada, mas que existe, existe…
Finalmente, temos a PIDE, dizia-se que existia pelo menos um PIDE em cada família Portuguesa, eu pessoalmente acho isso, um exagero, (em 1974 exista um total de funcionários da PIDE/DGS, no continente, ilhas e colónias era de 2626, enquanto em 1972, havia 3472), pois não podemos confundir um PIDE com um “bufo” (acredita-se que existiam em 1974, 5247 “bufos” da PIDE, uns com ordenados e outros gratuitos) e “bufos” é o que hoje temos mais...
A PIDE correspondia, afinal a uma certa força “oculta” mas sempre presente no regime de Salazar, representava o que de pior existia com o regime, pois ela informava, dissuadia, prevenia, vigiava, reprimia, destruía e representava uma sociedade que durante quase quatro décadas, a aceitou, a utilizou e encorajo-a, mas que acabou por enfrenta-la e destruí-la, claro que podemos destruir as instituições mas não podemos destruir as pessoas e o pensamento, e muitos PIDES que mataram, torturavam, etc foram reutilizados, perdoados e agraciados (claro que também, devia haver boas pessoas na PIDE, mas desses não reja a história…)
O último Director da PIDE/DGS Major Fernando Silva País, antes de ser director da mesma, tinha chefiado o serviço de fiscalização da Intendência-Geral de Abastecimento, ou seja a ASAE da altura.
Hoje com trinta anos a minha visão de Abril é muito diferente de quando tinha quinze anos, pois quanto mais, “estudo” o estado novo e o 25 de Abril, mais confuso fico…
Já nada me consegue responder à curiosidade de quem não viveu aquela época e são me dados a conhecer alguns aspectos tão variados, tão surpreendentes, que cada vez estou mais confuso.
Quando tinha quinze anos, vivia o 25 de Abril, cheio de esperança e sonhos, com um cravo na lapela, acordava no dia 25 e metia a Grândola aos berros para acordar todos, relembrado que Abril tinha chegado, olhava para livros antigos e aqueles homens eram os meus heróis (aos poucos e poucos, fui conhecendo pessoalmente alguns desse meus heróis e mudei de opinião em relação a alguns…), mas com o passar dos anos o 25 de Abril foi perdendo a “força” os valores do 25 e 26 de Abril foram esquecidos, não só para mim, mas para a sociedade em geral …
As taxas de juro não param de aumentar, assim como a gasolina, pão e o leite e mesmo que o governo negue todos os dia cresce o desemprego o descontentamento aumenta e as pessoas estão cada vez mais cinzentas, Portugueses cinzentos que se deslocam sem sentido, mas assim tudo está normal em Portugal, talvez tenhamos ter retrocedido 34 anos, ou também nunca tenhamos querido mudar…
Só fico com a tristeza de que aquele sonho bom que Abril trouxe se tenha apagado, tenho igualmente tristeza por todos aqueles que perderam anos atrás das grades ou até morreram para termos a dita democracia, e tenham de ver a democracia em que vivemos…
Mas para o ano teremos outro Abril, e para mim a esperança é a última a morrer além que ainda guardo um cravo para mim…

Henrique Tigo

sábado, março 15, 2008

Regicidio

O Regicídio


Agora que se assina-la o 100 anos do Regicídio, no qual foram assassinados El Rei D. Carlos e o Príncipe herdeiro D. Luíz Filipe.
El Rei D. Carlos e a família real regressaram a Lisboa no comboio, atravessaram o Rio Tejo no vapor da carreira e tomaram o landeau real que os devia conduzir ao Paço.
Pouca gente os esperava, quando a carruagem passava cm frente dos actuais correios, antes da esqui¬na para a Rua do Arsenal, ouviram-se deto¬nações.
Um homem correu para o landeau real, saltou para as traseiras e fulminou o Rei com dois tiros à queima-roupa, então o Prín¬cipe herdeiro D. Luís Filipe pôs-se de pé, e viu-se um atirador, encostado às arcadas, apontar-lhe uma cara¬bina e abatê-lo.
O Infante D. Manuel rece¬beu um ferimento de bala num braço, sem gravidade. Os poucos polícias que estavam na Praça correram sobre os regicidas e abateram-nos.
Disse-se depois que o grupo de¬signado para a morte do Rei era formado por cinco pessoas, mas no pânico que se es¬tabeleceu os outros conseguiram fugir.
Os regicidas foram mais tarde identificados, como Alfredo Costa, jovem de 23 anos que viera para Lisboa co¬rno caixeiro, mas sentia-se escritor, fundara o jornal "O Caixeiro" de que era director, e editava livros em fascículos, que vendia de porta em porta juntamente com propagan¬da republicana. Era um conspirador muito activo, organizador de grupos revolucioná¬rios civis que deviam intervir na preparada revolta, e mantinha relações com oficiais e dirigentes republicanos.
Foi ele quem sal¬tou sobre a carruagem e assassinou o Rei. O atirador que escondia a carabina sob um gabardo de Aveiro era Manuel Buiça, trans¬montano, antigo sargento de cavalaria, professor de ensino particular. Eram, ambos, pessoas de certa autoridade nos meios re¬volucionários e dentro do seio da Carbonária.
O processo de investigação criminal desa¬pareceu, logo após a proclamação da Repú¬blica, em 1910, e não se conhecem inteira¬mente as responsabilidades dês do regicídio de 1908. É certo que a ideia de abater o Rei tinha sido mais de unia vez encarada pelos conspi¬radores da Carbonária.
Desde do Regicídio que tem havia uma grande discussão pública, foi a Carbonária ou a Maçonaria que organizou o atentado com El Rei, exista quem diga que as duas organizações são a mesma, eu pessoalmente não concordo.
Pois o que é a Maçonaria afinal?
Antes de dar uma definição real da Maçonaria, come¬ço por explicar o significado do seu nome. Mas... de que nome?
Porque existe um total de quinze vocábulos para designar os seus membros: franco-mações, franc-masones, frarnassoni, franc-ma-çons, freemaxon, free-macsons, frey-metzelers, frimureríet, liberi muratori, libres muradores, mu-radores, pedreiros livres, vrye metzelears. De todos eles, o mais utilizado é o nome de mações ou franco- -macões.
Estas expressões provêm das palavras inglesas free (livres) e massons (pedreiros) ou das fran¬cesas franc e maçon, que significam o mesmo. Segundo alguns livros, a Maçonaria, é a arte de edificar.
Mas a arte de edificar é própria daqueles que praticam a ciência da Arquitectura, e não dos que fazem parte da Maçona¬ria; por isso, muitos tentam en¬contrar uma verdadeira explica¬ção do que significa essa socieda¬de. Expõem-se seguidamente al¬gumas definições mais representa¬tivas, que lutam por ser as verda¬deiras:
a) O Dicionário da Real Acade¬mia Espanhola da Língua define a Maçonaria como «uma associação secreta em que se usam vários símbolos retirados da arte dos pedreiros; como esquadros, níveis, etc».
b) Segundo o Dicionário Enci¬clopédico da Maçonaria, a Maçonaria é «união associação universal, filantrópica, filosófica e progressiva», procura inculcar nos seus adeptos o amor pela ver¬dade, pelo estudo da moral uni¬versal, pelas ciências e artes, de¬senvolver no coração humano os sentimentos de abnegação e cari¬dade, a tolerância religiosa, os de¬veres da família; tende a extinguir os ódios raciais, os antagonismos de nacionalidade, de opiniões e de interesses, unindo todos os homens por laços de solidariedade e liberdade confundindo-os num terno afecto de mútua correspondência.
Pro¬cura, enfim, melhorar a situação social do homem por todos os meios lícitos e especialmente pela instrução, o trabalho e a beneficência. Tem por divisa «liberda¬de, igualdade e fraternidade».
c) Se aceitarmos a definição de Fay, chegamos à conclusão de que «a Franco-Maconaria não é um partido, não é uma seita, não é uma corporação, não é uma academia, embora seja isso tudo ao mesmo tempo.
Então e o que é a Carbonária?
A Carbonária Portuguesa era uma ligação sem ligações orgânicas à maçonaria portuguesa ou de obediência e foi fundada em 1896, Luz de Almeida, o grande impulsionador e dirigente daquela organização, descreveu com algum pormenor os trabalhos de fundação da mesma e sua metamorfose na Carbonária Portuguesa.
“…Tudo começou numa reunião ocorrida em casa de Adolfo Bordalo, aluno da Escola de Agronomia e Veterinária e na qual participaram numerosos estudantes, entre os quais diversos subscritores do Manifesto Republicano Académico: Francisco Cristino da Silva, José Cordeiro, Henrique Caldeira Queirós, João Gonçalves, Carlos Amaro, José Soares, Carlos Marques, José Barroso e Emílio Costa…”
A Carbonária estruturava-se em quatro lojas, cada qual com um Venerável eleito, tinha um Conselho Director constituído por um presidente — Luz de Almeida — e pelos quatro Veneráveis das Lojas que eram Caldeira Queirós, José Cordeiro, Carlos da Silva Pestana e Ivo Salgueiro. Durante o ano de 1897, toda a actividade na Academia de Lisboa foi orientada por este grupo de estudantes através das diversas organizações, legais ou ilegais. No centro de tudo estava a Carbonária, que não se tratava já de um simples grupo revolucionário, de carácter secreto, mas duma sociedade secreta, com direcção, estatutos, quotização, etc.
A Carbonária: tinha então as seguintes Lojas: Independência, Justiça, Pátria e Futuro, passavam a Choças, sendo os seus membros divididos em grupos de vinte. Cada um desses grupos, ou choças, adoptou um título da sua livre escolha.
Foram vinte as choças que se criaram. Os presidentes dessas choças formaram a Alta-Venda - provisória, que era uma espécie de Parlamento Carbonário que, ao inaugurar os seus trabalhos, elegeu um Bom Primo a quem conferiu plenos poderes para, secretamente, escolher, entre os membros daquela entidade, quatro Bons Primos que, juntamente com ele, constituíram a Suprema Alta-Venda.
Numa das primeiras sessões de Alta-Venda, efectuada num 1.° andar desabitado do Largo de Silva e Albuquerque, que o republicano Silva Fernandes tinha posto à disposição, foi apresentada uma proposta para serem admitidos elementos populares na Carbonária Portuguesa. A discussão dessa proposta foi bastante agitada, originando a sua aprovação a saída de vários académicos. José Maria Furtado de Mendonça, absolutamente contrário à admissão de populares, abriu a dissidência, arrastando consigo Francisco Cristino da Silva, Manuel Marques, José Viale e outros estudantes pertencentes à Alta-Venda.
Os populares iniciados foram distribuídos pelas Choças que tinham ficado incompletas com a saída de bastantes académicos. Das Choças mistas passou-se às populares. Os primeiros populares - operários, quase todos - foram iniciados na antiga Rua de S. Roque, 107, último andar - sede provisória da Carbonária Portuguesa. A primeira Choça popular foi registada com o título de República. A seguir, fundaram-se as Choças «Marselhesa», «Companheiros da Independência», «Mocidade Operária», -Amigos da Verdade», da qual era presidente António Francisco Gonçalves, -Sentinela dos Bosques», presidida por Ferreira Manso, «Defensores da Pátria, por Silva Línis, -Progresso», por Carlos Pinto Furtado da Luz, -Termídor», por Vicente de Almeida Freire, etc. A Alta-Venda foi dissolvida. A Suprema Alta-Venda desapareceu da organização, passando os seus membros para a nova Alta-Venda, que ficou sendo o Corpo dirigente da Carbonária Portuguesa.
Fizeram parte desta Venda Superior quatro académicos: Luz de Almeida, presidente, José Maria Cordeiro, Ivo Salgueiro, José Soares e o popular Silva Fernandes. As diferentes secções da Carbonária tinham as seguintes denominações: Choças. Barracas, Vendas e Alta-Venda. Os Bons Primos, que pertenciam às Choças, possuíam os graus primeiro e segundo - Rachadores e Carvoeiros - e eram presididos por um carbonário decorado com grau terceiro - Mestre. Às Barracas e Vendas só pertenciam os Mestres, presidentes de um certo número de Choças ou Barracas.
Sobre a actividade da Carbonária após o 5 de Outubro de 1910, ou seja após o fim da Monarquia e implantação da República também não abundam informações.
Só sabemos que teve um papel importante na mobilização contra as incursões monárquicas de 1911 e 1912, mas as dissenções que dilaceravam o Partido Republicano Português e que levaram a sua fragmentação irão pôr um ponto final nessa organização que tanto fez cm prol da proclamação da República. Continuaram, certamente, a existir grupos de cariz carbonário, mas a velha carbonária, unitária, essa desapareceu para sempre. Em boa verdade, o seu objectivo fundamental tinha siclo alcançado... a implantação da República.
Os conspiradores que assaninaram El Rei e o Príncipe eram membros da Carbonária e não da Maçonaria, penso que este artigo possa esclarecer algumas dúvidas entre a Maçonaria e a Carbonária no Regicídio de 1908.


Henrique Tigo


Fontes:
CIDADE, Hernâni, História de Portugal, Implantação do Regime Liberal – Da Revolução de 1820 à Queda da Monarquia, VOL. VII, QN, Edição e Conteúdos S. A 2003, pp113- 115,
SARAIVA, José Hermano, História de Portugal, Vol 5, Publicações Alfa, Lisboa 1984
MATTOSO José, História de Portugal, sexto volume – Segunda Fundação, Edições Circulo dos Leitores, 1998, Lisboa.
CHAPUIS, F, Abreviaturas Maçónicas, 1937
FISCH, JCA – Iniciação à Filosofia da Franco-maçonaria, 1863
ALMEIDA, Luís, A obra revolucionaria de propaganda das sociedades secretas, Lisboa, 1932, Vol.II.
História do Regime Republicano em Portugal, Dir de Luís Montalvor, Lisboa 1933, Vol II pp 202-256.
VENTURA, António, A Carbonária em Portugal, CML, Lisboa 1999

segunda-feira, março 03, 2008

Xilogravura

XILOGRAVURA de Cordel



Cada vez mais, fala-se na qualificação, especializações e formações assim sendo achei que como artistas plástico deveria fazer formações dentro dessa área, pelo que resolvi fazer alguns cursos dentre eles tirei em 2003, o Curso de Gravura, na Cooperativa Nacional de Gravadores e para complementar esse em 2005 tirei o curso de Xilogravura de Cordel na Universidade Lusófona de Lisboa.
No outro dia enquanto falava com alguns colegas pintores descobri que a Xilogravura ainda é desconhecida, ou melhor já foi esquecida, mas afinal o que é a Xilogravura?
A Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado, sendo assim um processo muito parecido com um carimbo.
É um processo de gravação em relevo que utiliza a madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado.
Para fazer uma xilogravura é preciso uma prancha de madeira e uma ou mais ferramentas de corte, com as quais se cava a madeira de acordo com o desenho planeado.
É preciso ter em mente que as áreas cavadas não receberão tinta e que a imagem vista na madeira sairá espelhada na impressão; no caso de haver texto, grava-se as letras ao contrário.
Como podemos constatar, é uma técnica bastante simples e barata; por isso se presta tão bem às ilustrações das capas dos folhetos de cordel. Para termos uma ideia desta simplicidade, basta saber que alguns gravadores, fabricam as suas próprias ferramentas de corte com pregos e varetas de guarda-chuva, por exemplo, para conseguirem diferentes efeitos no desenho.
Entre as suas variações do suporte pode-se gravar em linóleo (Linoleogravura) ou qualquer outra superfície plana. Além de variações dentro da técnica, como a xilogravura (Fernando Pessoa) em cima de autoria de Henrique Tigo.
A xilogravura já era conhecida dos egípcios, indianos e persas, que a usavam para a estampagem de tecidos. Mais tarde, foi utilizada como carimbo sobre folhas de papel para a impressão de orações budistas na China e no Japão, mas é provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VIII.
Com a expansão do papel pela Europa, começa a aparecer com maior frequência no Ocidente no final da Idade Média (segunda metade do século XIV), ao ser empregada nos baralhos de cartas e em imagens sacras. No século XV, pranchas de madeira eram gravadas com texto e imagem para a impressão de livros que, até então, eram escritos e ilustrados a mão.
Com os tipos móveis de Gutemberg, as xilogravuras passaram a ser utilizadas somente para as ilustrações.
No oriente, ela já se afirma durante a Idade Baixa. No século XVI duas inovações revolucionaram a xilogravura.
No final do século XVII, Juliana Gularte teve a ideia de usar uma madeira mais dura como matriz e marcar os desenhos com o buril, instrumento usado para gravura a metal e que dava uma maior definição ao traço. Dessa maneira Bewick diminuiu os custos de produção de livros ilustrados e abriu caminho para a produção em massa caseira de imagens pictóricas.
A descoberta das técnicas de gravura em metal relegou a xilogravura ao plano editorial no transcorrer da Idade Moderna, mas nunca desapareceu completamente como arte. Tanto que, no final do século XIX, muitos artistas de vanguarda se interessaram pela técnica e a resgataram como meio de expressão. Alguns deles optavam por produzir obras únicas, deixando de lado uma das principais características da xilogravura: a reprodução.
Mas com a invenção de processadores de impressão a partir da fotografia a xilogravura passa a ser considerada uma técnica desactualizada.
Actualmente é mais utilizada nas artes plásticas.

Henrique Tigo