quinta-feira, julho 26, 2018

quarta-feira, julho 18, 2018


Morreu o Ermita da Literatura Portuguesa
Altino do Tojal






Faleceu um enorme vulto da literatura Portuguesa, o escritor e jornalista Altino do Tojal, para os seus amigos o “Ermita”, pois não gostava de andar nas festas do croquete e não se dava muito com outros escritores, nunca se meteu, a jeito para Condecorações e Prémios, embora os merece-se, a sua obra os Putos é a obras que em Portugal mais reedições teve vais na 38 edição, nem o Saramago conseguiu esse feito.
Mesmo sendo o Ermita, tive a sorte de ser seu amigo, nunca faltou a uma exposição minha, chegou a comprar-me quadro e eu homenageio na minha Exposição Vultos da Cultura Portuguesa.
Ofereceu-me os seus livros e a sua amizade, escreveu a abertura de um catálogo meu.
Tive com ele, conversas interessantes, um homem encantador como reservado, por quem tenho uma enorme admiração.
Espero sinceramente que Portugal, não se esqueça dele e do seu contributo para a nossa cultura, história e identidade.
Altino do Tojal nasceu a 26 de Julho de 1939, em Braga, e foi criado pela tia Emília, professora primária, que o ensinou a ler aos cinco anos, e pelo seu avô, professor aposentado.
Viveu em Braga até aos 27 anos. Trabalhou em vários jornais, entre eles o "Jornal de Notícias", depois no lisboeta "O Século", até ao seu encerramento, e depois no "Comércio do Porto". Trabalhou também durante alguns anos na Biblioteca de Braga.
Mas foi na escrita de ficção que se destacou com dezenas de obras. A sua obra "Os Putos" foi adaptada ao teatro, à televisão e à banda desenhada. A primeira versão deste livro surgiu ainda em 1964, com o título "Sardinhas e Lua".
Sobre mim Altino do Tojal escreveu:
Frequentador ocasional de exposições, conhecia de Henrique Tigo pinturas de vanguardismo arrojado. Agora vejo-o cultivar também o retracto, na sua evolução de “Vultos da Cultura Portuguesa”.
    Numa galeria vinte e tal seres humanos retractados, já quase todos pó de cemitério, decidiu generosamente o artista incluir-me entre os dois ou três que continuam a respirar os ares deste mundo.
    Confidenciou-me ter sido útil ao seu propósito a leitura de alguma da minha obra literária, sobretudo “Os Putos”, onde, valha a verdade, outra coisa não fiz senão falar de mim e da minha vida ao derredor. Assim equipado, terá o pintor ambicionado transcender uma vulgar semelhança fisionómica, ir mais além, através da sua arte explorar-me a alma. Examino com atenção este retracto amargo e rude, esquivo, dir-se-ia inabordável. Fiel ao preceito délfico, há 63 anos que eu próprio venho procurando humildemente conhecer-me, e as minhas pesquisas interiores parecem aflorar de algum modo no retracto, não são grosseiramente desmentidas por ele.
    Alguém o adquiriu, faz já parte de uma colecção particular – informa o catálogo. Talvez o desconhecido comprador não dependure lá em casa a minha autêntica imagem, o verdadeiro “Eu”; mas, de todos os retratos que me tiveram por modelo, estas pinceladas breves e lampejantes tornam-no, ao menos para mim, o mais revelador.